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Ingenuidade já prejudicou bastante o Ajax na temporada

8 de outubro de 2013. No final do jogo contra o Milan, pela segunda rodada da fase de grupos da Liga dos Campeões, o zagueiro Stefano Denswil acaba de abrir o placar, já aos 45 minutos do segundo tempo. A vitória da equipe de Amsterdã seria surpreendente, mas merecida. Afinal de contas, o time demonstrara um pouco mais de vontade de atacar do que os rossoneri, ainda que sem brilhantismo.

Só que, aos 49 minutos, nos acréscimos, o zagueiro Mike van der Hoorn começou a marcar Mario Balotelli no corpo-a-corpo. Ambos se agarraram e caíram no chão. Daquele tipo de lance que sempre acontece na área, que sempre causará polêmicas sobre a intencionalidade do ato, quem fez a falta, etc. Inteligente e mais acostumado a partidas internacionais do que Van der Hoorn, Balotelli fez com que a carga do zagueiro holandês parecesse mais forte.

Foi o suficiente para que o juiz sueco Jonas Eriksson marcasse o pênalti. E Balotelli, talvez o melhor cobrador de penais do mundo na atualidade, converteu o chute, decretando o 1 a 1. Uma vitória que seria importantíssima nas aspirações do Ajax a passar de fase transformara-se num empate decepcionante. Tudo graças a um ato infantil de Van der Hoorn, ao permitir a carga de Balotelli e entrar na estratégia do italiano para conseguir o pênalti.

Só o anticlímax de ver um triunfo contra um dos adversários mais fortes do grupo transformar-se em empate já deveria ter servido para mostrar como a ingenuidade de alguns jogadores anda prejudicando o Ajax na atual temporada. Mas haveria o momento em que o copo transbordaria. Veio nesta semana, também na Liga dos Campeões. No primeiro tempo do jogo contra o Celtic, supostamente o adversário mais “acessível” do grupo, os Ajacieden estavam mais fortes, com uma bola na trave.

Até que, num rebote de escanteio, Anthony Stokes pegou a bola dentro da área. Apressado para tentar evitar o arremate, Denswil chegou com força exagerada para cima do atacante irlandês e derrubou-o. O árbitro croata Ivan Bebek não teve dúvidas: pênalti (e foi mesmo, sem nenhuma dúvida, ao contrário do ocorrido contra o Milan). James Forrest bateu e fez 1 a 0.

O caminho do Ajax para tentar vencer o jogo no Celtic Park tornara-se difícil, pelo exagero de Denswil na marcação. E seria dificultado ainda mais pelo 2 a 0 que Beram Kayal obteve para os Bhoys, graças à infelicidade do mesmo zagueiro, que teve o azar de desviar uma bola para as redes. O gol tardio de Lasse Schöne não evitou a derrota, que tornou o jogo de volta na Amsterdam ArenA mais importante: pode-se dizer que ou o Ajax ganha, ou será difícil até conseguir um lugar na Liga Europa.

Se preferiu lamentar a decisão do árbitro após o empate contra o Milan (“Não foi pênalti, foi um ippon de Balotelli”), Frank de Boer estourou com Denswil, após o pênalti cometido contra o Celtic: “Você nunca deve cometer um pênalti assim. Tem a ver com a juventude. Como zagueiro, nunca se deve dar o primeiro bote antes. Denswil fez isso, e Stokes tirou proveito”.

Lógico, acontece nas melhores famílias. Outros jogos virão para o zagueiro de 20 anos. Ainda assim, estes dois fatos exemplificam bem como o time atual do Ajax peca pela ingenuidade. A média de idade baixa (os escalados contra o Celtic tinham 22,8 anos) faz com que, mesmo talentosa e com bom toque de bola, a equipe não consiga se impor.

Foi o que aconteceu contra o Twente, na rodada passada do Campeonato Holandês: com 1 a 0 para os Tukkers, a equipe de Amsterdã penou até o final do jogo para conseguir o empate suado, por 1 a 1 – e isso, só após o zagueiro Andreas Bjelland  cometer falha que permitiu a Sigthórsson marcar. E mesmo assim, o empate ainda não escondeu certa irregularidade no nível de jogo.

Talvez, pior ainda do que os atos de ingenuidade seja concluir, ao fim e ao cabo, que não há muito como ser diferente. Só os anos de cancha dão certa malícia, certa sabedoria para evitar que sejam cometidos alguns erros. E como Frank de Boer já anunciou que continuará confiando na garotada, o jeito é suportar erros como o que Denswil cometeu. E como o que Van der Hoorn possivelmente não cometeria, caso tivesse a malícia que Balotelli teve.

Está ainda melhor

No ano passado, uma firme reação no final da temporada ajudou o Zwolle a manter-se na primeira divisão. Nada mais justo: tendo mostrado raça e algum talento na maioria dos jogos, os Dedos Azuis mereciam uma “segunda chance”. Mas a dúvida estava no ar: como se daria o time, após perder o técnico Art Langeler e alguns importantes jogadores, como Denni Avdic e Younes Mokhtar?

Pois anda se dando melhor do que a encomenda. Sob Ron Jans, e com alguns reforços que mantiveram o nível médio da equipe (como Guyon Fernandez, emprestado pelo Feyenoord), o Zwolle anda conservando a coesão vista em 2012/13. Resultado: é o terceiro colocado, com 18 pontos, e mais gols marcados do que o Ajax, que tem a mesma pontuação.

Um prêmio disso foi visto na décima rodada, quando a equipe fez 6 a 1 no ADO Den Haag. Simplesmente a maior vitória de sua história no Campeonato Holandês. Pode até ser que os Zwollenaren caiam de produção ao longo do campeonato. Mas, com a “gordura” que vem sendo acumulada, certamente eventual luta contra o rebaixamento será mais amena.

Não mudou (quase) nada

Eis que Merab Jordania cansou-se de brincar com o Vitesse. Nesta semana, o georgiano vendeu suas ações no clube aurinegro para o russo Alexander Chigrinskiy (nenhum parentesco com o zagueiro do Shakhtar Donetsk), tornando-o acionista majoritário. O que isso muda? Quase nada.

Afinal, Chigrinskiy é tão bilionário quanto o irmão Shalva, de quem Jordania era “laranja” – por gostar mais de futebol, possivelmente Alexander recebeu as ações. Além disso, é amigo de Roman Abramovich, como Merab era. Ou seja, a conexão “oficiosa” com o Chelsea deve seguir.

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