A Holanda está ficando pequena demais para Depay
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Suárez, Afellay, Vertonghen, Eriksen, Bony, Blind, De Vrij… Há muitos exemplos de jogadores que surgiram no Campeonato Holandês, e logo mostraram que o talento não ficaria restrito a ele, merecendo algo melhor em um centro mais tradicional do futebol europeu. Isso para citarmos somente jogadores que despontaram na Eredivisie nos últimos cinco anos, senão a lista inicial ocuparia todo o espaço da coluna.
Pois bem, está acontecendo de novo. Por sinal, com um jogador que já teve seu nome muito cotado para deixar a Holanda na última janela de transferências. Ele preferiu esperar mais um pouco. Só que inevitavelmente as propostas por Memphis Depay virão em 2015, se é que isso já não acontecerá em janeiro. Afinal de contas, ele é inegavelmente o grande responsável pela boa temporada do PSV, líder do campeonato e com boas chances de classificação à segunda fase da Liga Europa.
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Se havia alguma dúvida disso, ela se encerrou tão logo Depay voltou aos campos, após recuperar-se de uma lesão na virilha, sofrida contra o Zwolle, na quinta rodada. O camisa 7 dos Eindhovenaren ficou quatro jogos fora – entre eles, ocorreu uma das duas derrotas do time no campeonato, para o Heerenveen (1 a 0). Depay voltou contra o Utrecht, há duas rodadas, e… 5 a 1 para o PSV. Com um gol do atacante.
E semana passada, na 11ª rodada, houve o jogo contra o ADO Den Haag. Os Boeren estavam sob ligeira pressão: terminariam a rodada como líderes, de qualquer modo, mas o vice-líder Ajax acabara de golear o Dordrecht, fazendo 4 a 0 e encurtando a diferença para um ponto. Pior: após jogada mal calculada do goleiro Zoet, o volante Jorrit Hendrix tivera de fazer a falta – e fora expulso, último homem da defesa que era.
Só que Depay não deixou a peteca cair. Com Narsingh e Wijnaldum começando o jogo de modo meio apagado, ele foi o dínamo do ataque, movimentando-se e levando a bola para o ataque – onde ora finalizava, ora deixava a bola com Luuk de Jong. Memphis teve falhas: em certa jogada, no primeiro tempo, tentou cavar bisonhamente um pênalti ao invés de fazer o gol. Mas ainda assim, foi o mais perigoso jogador do PSV. Marcou o gol do 1 a 0 final, que manteve a segura diferença de quatro pontos para os de Eindhoven.
Mas Eredivisie é uma coisa, torneio continental é outra – ainda que o torneio continental em questão seja a Liga Europa. E o PSV tinha uma partida importante, contra o Panathinaikos, fora de casa. Começara atrás no placar, mas já mostrava melhor atuação no ataque. Mas quem concretizou essa melhor atuação fazendo o gol de empate? Claro, ele, Memphis Depay. O time grego ainda se colocou na frente, mas o ataque seguiu bem. E coube a Luuk de Jong (que cresce de produção, diga-se de passagem) e Wijnaldum fazer o valioso 3 a 2 contra os Trevos. Um resultado que deixa os Eindhovenaren a um ponto da vaga na segunda fase.
Terminada a partida, Depay novamente foi incensado. E com razão: embora não tenha sido tão fundamental quanto no último sábado, o filho de ganense com holandesa abriu os caminhos de novo, numa hora difícil. Mais do que isso: com 12 gols, cinco acima do segundo colocado, ele é o goleador do PSV na temporada. Ainda não é o suficiente? São 12 gols nos 12 jogos de que participou, unindo Liga Europa e Campeonato Holandês. Um gol por partida.
Nada mal para um atacante que precisava voltar da Copa do Mundo e dar sequência às boas atuações que pagaram a aposta que Louis van Gaal fez nele, e o levaram a ser indicado como melhor jogador jovem do torneio. E Memphis está fazendo até mais do que isso: na maciota, sem impor o seu nome, sem gritar, vai se tornando o líder técnico do PSV. Mais até do que gente com maior experiência, como Luuk de Jong, Wijnaldum ou Guardado.
Mas por que tanta desconfiança? Porque Depay tem apenas 20 anos de idade. Existiam, e ainda existem, temores concretos de que ele seja outra promessa holandesa que fica mais famosa pela quantidade de tatuagens do que pelas atuações. Pior: seu histórico familiar é difícil a ponto dele preferir ser chamado de Memphis. A razão? Os maus tratos dados durante a infância, pelo pai ganense que lhe deu o “Depay” – ele foi criado quase que completamente pela mãe, Cora Scheensema, que lhe batizou “Memphis”.
E até subir aos profissionais, o atacante seguia o estereótipo do “garoto-problema”. Porém, após alguns atos de indisciplina, foi chamado às falas por Fred Rutten, então treinador dos Boeren. A conversa foi sucinta: segundo contou em junho passado, Rutten apenas o advertiu com poucas frases. “Eu disse a ele: não dá para você ser o melhor no futebol e também ser o melhor no rap. Você precisa se focar no futebol se quiser chegar ao topo.”
Pelo visto, Memphis ouviu o conselho. E preferiu manter o rap apenas como um passatempo. Mais concentrado em campo, despontou na temporada passada. Foi grata surpresa na Copa. E agora, vive a melhor fase da carreira. A continuar assim, é quase certo que aparecerá vestindo uma camisa de um centro mais respeitado do futebol europeu, na temporada 2015/16. Porque Memphis Depay está ficando grande demais para o futebol holandês.