Holanda

Gol da Holanda está vago. Quem agarrará a chance?

Entre 1995 e 2008, é possível dizer que não havia dúvidas sobre quem era o goleiro da seleção holandesa. Os reservas variavam (De Goey, Hesp, Oscar Moens, Westerveld, Waterreus, Timmer), mas o titular absoluto da posição atendia sempre pelo nome de Edwin van der Sar. Depois da Euro realizada em Áustria/Suíça, Van der Sar decidiu deixar a seleção – com uma pequena volta, em dois jogos pelas eliminatórias para a Copa de 2010.

Parecia chegada a hora de Maarten Stekelenburg. Ele não trazia segurança nos primeiros tempos, foi posto na reserva do Ajax por Marco van Basten, em 2009, chegou-se a cogitar a volta de VDS à Oranje… Só que o nativo de Haarlem teve ótimas atuações na África do Sul. Foi, sem dúvida, um dos melhores goleiros daquela Copa. Parecia o início de uma nova hegemonia no gol holandês. Não foi. Ou melhor: não está sendo.

Porque, sob Louis van Gaal, pode-se dizer que a Holanda não tem um arqueiro titular absoluto, daqueles que traga confiança ao time e à torcida, como Van der Sar trouxe – e, em tempos idos, Frans de Munck, Eddy Pieters Graafland e Hans van Breukelen também trouxeram. Em suas convocações, o técnico já chamou seis guarda-metas. Três deles foram titulares em partidas da Oranje. Nenhum deles, no entanto, pode bater no peito e dizer que ganhou a posição, a pouco mais de um ano da Copa (alguém duvida que a Holanda se classificará?).

O que mais chegou perto disso foi Tim Krul. O goleiro do Newcastle é comumente visto como um jogador de muito futuro: tem estilo semelhante ao de Van der Sar, bastante calmo sob a meta. Era, reconhecidamente, um dos destaques do Newcastle na atual temporada do Campeonato Inglês. E tem a simpatia de Van Gaal – já tinha a de Bert van Marwijk, após ter sido um dos destaques nos amistosos contra Brasil e Uruguai, em 2011, e ir à última Euro, como terceiro goleiro.

Contudo, já vê as contusões perturbarem o caminho de Krul rumo à titularidade da Oranje: no ano passado, logo após a primeira partida pelas eliminatórias, contra a Turquia, uma lesão no cotovelo, sofrida num treino, forçou o corte do goleiro. Pois ele recuperou-se, continuou exibindo atuações elogiáveis no Newcastle… até que, no final de fevereiro, na partida contra o Metalist Kharkiv, pela Liga Europa, nova lesão, desta vez no tornozelo. Era o fim das chances de voltar a ser convocado para os jogos contra Estônia e Romênia, pelas eliminatórias. Mas é justo dizer: só as lesões impediram Krul de ir além das duas partidas que fez pela Oranje sob Van Gaal. Sem dúvida, voltará a ser chamado.

E, por incrível que pareça, embora contestado, Stekelenburg foi o goleiro que mais atuou sob Van Gaal: foram quatro partidas. Até então, não havia problemas: pelo que fez entre 2010 e 2012, Stekelenburg era inquestionável como camisa 1 batavo. No entanto, algumas vezes, o marido de Kim sofria com lesões – por exemplo, uma fratura no polegar o tirou do final da campanha vitoriosa do Ajax, na temporada 2010/11 do Campeonato Holandês (e, por ironia, deu chance a Krul para se destacar nos supracitados amistosos contra Brasil e Uruguai).

Depois, uma Euro irregular – “Stekel” tanto foi temerário contra a Dinamarca, quanto foi o destaque contra a Alemanha, evitando vexame maior da Holanda contra os tedescos. E, finalmente, as falhas e lesões que o colocaram no banco de reservas da Roma. Na última janela de transferências, inclusive, o caminho parecia perto do fim, com o goleiro sem muito espaço sob Zdenek Zeman, desejando uma transferência.

Não a conseguiu. Mas das trevas fez-se a luz: com a defesa fragílima, como sempre acontece nos times que comanda, Zeman caiu (com uma certa força de gente ignorada em seu time, como Stekelenburg era). Aurelio Andreazzoli assumiu, como interino. Reconduziu o holandês ao gol, após as falhas do uruguaio Goicochea. E ele correspondeu à confiança, com atuações ascendentes, como na vitória sobre o Genoa.

Andreazzoli notou isso: “Mais uma vez, nosso goleiro mostrou ter muitas qualidades”. E Stekelenburg retribuiu, alertando: “Não se viu o melhor Stekelenburg contra o Genoa. Posso fazer melhor, a Roma vale isso”. Para melhorar, numa entrevista à Domenica Sportiva, programa da RAI, Andreazzoli confirmou que o arqueiro está trabalhando em um de seus pontos fracos, desde que chegou à Itália: “Ele estava marginalizado pelo grupo por não saber italiano? Pois está estudando o idioma, e isso não é uma piada”. Caso continue ganhando ritmo, Stekelenburg volta a ficar forte na disputa da vaga.

Como não o está, por enquanto, Van Gaal tem feito alguns experimentos. Kenneth Vermeer está vivendo a melhor temporada da carreira, aliando a habilidade em jogar com os pés à maior segurança debaixo das traves? Pois ganhou sua chance contra a Alemanha, em amistoso no fim do ano passado. Há Michel Vorm, um dos pilares nas boas atuações do Swansea já há algum tempo, que está a postos para qualquer eventualidade (é presença certa em convocações há pelo menos quatro anos). Há a juventude, em Jeroen Zoet, promessa do PSV, que exibe qualidade pelo RKC, onde está emprestado. E muitos mais: Cillessen, Mulder, Waterman…

Pelo menos, por enquanto, Van Gaal vai tateando. Na pré-convocação para os jogos contra Estônia e Romênia, pelas eliminatórias, Stekelenburg, Vorm e Vermeer foram os escolhidos. Em condições normais, os dois primeiros seriam favoritos a ser titular e reserva imediato. Mas os tempos não estão para facilidades no gol holandês. A ver quem agarrará a chance de dar a certeza que havia no início da escalação da Oranje.

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