Frustrante
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Inegavelmente, o amistoso contra a Inglaterra marcava o início da fase de preparação da Holanda, para a já alcançada Copa de 2010. E o teste na Amsterdam ArenA, mesmo resumindo-se a um amistoso, tinha lá seu valor. Afinal de contas, o English Team trata-se de um adversário que faz campanha tão boa quanto a da Oranje, nas Eliminatórias para o Mundial. E a equipe de Fabio Capello volta e meia é cogitada como uma das possíveis favoritas para o torneio na África do Sul.
E o primeiro tempo da partida deu a impressão de que os anfitriões passariam no teste, de modo até razoável. Mesmo que tenha passado por alguns momentos de pressão durante a etapa inicial, o time de Bert van Marwijk se postava inteligentemente em campo, ao se conter um pouco mais na defesa, usando da alta capacidade de trocar passes certos e rápidos – sem dúvida, um dos pontos fortes da equipe – para chegar logo ao gol de Green.
Não se pode esquecer das ressalvas. Primeiramente, a defesa inglesa começou pessimamente o amistoso. O fato dos gols de Kuyt e Van der Vaart terem saído após recuos infelizes de Rio Ferdinand (1 a 0) e Glen Johnson (2 a 0) é a prova – ainda que os autores dos gols tenham tido o mérito de aproveitar as chances repentinas. Além disso, Sneijder e Van der Vaart não conseguiram monopolizar as ações no meio-campo com a naturalidade habitual.
Sinal de que, realmente, sair do Real Madrid é uma opção a ser considerada por ambos. Sabendo que está fora do elenco de Manuel Pellegrini, VDV já tem a presença de espírito de procurar outro clube. Sneijder ainda diz que lutará por vaga entre os titulares madridistas. Mas, ao se pensar que Kaká, pelo que custou e pela qualidade, chega como titular – mesma condição de Lassana Diarra -, fica difícil imaginar que o nativo de Utrecht consiga manter-se entre os onze de Pellegrini com regularidade. O que seria prejudicial aos planos de Van Marwijk.
Entretanto, esses problemas ainda são menores, já que Van der Vaart e Sneijder têm clube para jogar, na Europa. O ponto maior de aflição holandês apareceu no segundo tempo. Sem muitos problemas ao marcar Emile Heskey, a dupla Ooijer-Mathijsen sofreu com a entrada de Jermaine Defoe. O lance do primeiro gol inglês foi a prova: ao receber o passe de Lampard, o atacante conseguiu vencer a marcação de ambos para marcar. A boa atuação de Carlton Cole e James Milner, também em campo no segundo tempo, bastou para que, uma hora, a problemática defesa laranja falhasse, entregando o empate. O teste que parecia ganho revelou-se bastante frustrante.
Então, todos os cinco jogadores de defesa são horríveis? Claro que não. De volta ao gol do Ajax, Stekelenburg não teve muitos problemas – e até fez uma boa defesa, em chute de Lampard. Substituindo o contundido Van Bronckhorst na lateral esquerda, Edson Braafheid foi, talvez, a mais grata das surpresas: sem apoiar tanto, o jogador do Bayern de Munique conseguiu ser seguro na marcação, lidando bem com atletas da capacidade de Rooney.
Porém, o miolo de zaga continua dando razões para muita preocupação. Principalmente Ooijer: o zagueiro do PSV tem uma irrefutável experiência, mas sua lentidão é um verdadeiro convite a atacantes mais rápidos. Exatamente como ocorreu com Defoe – ou com Arshavin, na Euro 2008.
Mathijsen é menos temerário, mas não dá razões para descanso completo. Pela lateral-direita, Heitinga também não foi melhor na última quarta – sua indecisão permitiu que Carlton Cole ganhasse a bola, para cruzar a Defoe, no lance do gol de empate do English Team.
Pior, Boulahrouz (ausente por lesão no ombro) ou Marcellis também não acabariam com os problemas, provavelmente. E a falta de Van Bommel também colaborou para que a marcação holandesa sofresse: De Jong e Schaars tentaram, mas não supriram o espírito de liderança e a capacidade incansável nos desarmes que o capitão do Bayern de Munique tem.
A um ano da Copa, Van Marwijk não dá a menor mostra de que prescindirá de seus zagueiros falhos. O fato de Ooijer ter ganho a capitania do time, na ausência de Van Bronckhorst e após a substituição de Van der Vaart, prova que ele tem a confiança do técnico – e que, a despeito de problemas físicos, deve estar na zaga que iniciará a Copa. Mesmo com a boa atuação, Braafheid deve ceder lugar a Van Bronckhorst na próxima rodada das Eliminatórias.
A Holanda ainda não percebeu que uma defesa ruim é meio caminho andado para a eliminação. Se percebeu, ainda prefere arriscar na aposta. Caso ela falhe como contra a Inglaterra, pode ser tarde demais para resolver o problema em 2010.
Martin Jol está tentando
Após os desempenhos falhos no Torneio de Amsterdã, ficou a certeza: Martin Jol teria de resolver os problemas na defesa do Ajax, para que os Godenzonen começassem a Eredivisie com tudo. Problemas resolvidos? Ainda não. Em busca de dar à equipe uma ligeira segurança no setor, o técnico tem feito de tudo.
Nos primeiros jogos do Holandês, Jol ainda tateia por vários esquemas, à procura do ideal para proteger os defensores. Na estreia, contra o Groningen, foi usado um 3-4-3; contra o RKC Waalwijk, um 4-4-2. Se Stekelenburg foi a escolha do treinador para ser o goleiro titular e Van der Wiel é cada vez mais dono da lateral-direita, ainda há dúvida nas outras posições. Alderweireld, Wielaert e Vertonghen se revezam, mas ninguém conseguiu tomar uma posição como sua. Seja ela a quarta-zaga, a zaga central ou a lateral-esquerda.
Então, o Ajax começou fraquejando de novo? Negativo. Os 100 por cento de aproveitamento (dois jogos, duas vitórias) têm uma justificativa: a boa composição do meio-campo. A entrada de Demy de Zeeuw fortaleceu a marcação no setor, evitando que as coisas estourem na defesa. Quando Demy tem a seu lado o camaronês Enoh, o poder de desarme aumenta.
Como consequência, os armadores sentem-se mais liberados para ir ao ataque. Aissati ganha mais confiança para tentar corresponder, nas oportunidades que lhe são dadas, enquanto Urby Emanuelson, cada vez mais, deixa de ser lateral esquerdo para transformar-se num bom ala.
Mas é no ataque que estão as ótimas surpresas dos Ajacied: pelo menos por enquanto, Cvitanich começa a cumprir o papel que lhe foi dado quando chegou, ou seja, o de ser “homem de referência”. E, logo após ser emprestado ao NEC Nijmegen, o que poderia ser sinal de fim de caminho em Strandsvliet, Dennis Rommedahl voltou ao elenco, reagiu, ganhou a titularidade e foi bastante útil nas duas vitórias.
O nome do Ajax, porém, é Luis Suárez. O uruguaio mostra, nesse começo de Holandês, as características que já o credenciavam a uma transferência para um centro maior do futebol europeu: destemor nas jogadas pelas pontas, habilidade, rapidez, tudo aliado a um bom instinto de goleador, que lhe rendeu três gols contra o RKC. Na reserva, Miralem Sulejmani está a postos para qualquer eventualidade.
E, se há um teste que pode ajudar a impulsionar o futuro do Ajax na Eredivisie, já ocorre neste domingo. Vencer o clássico contra o PSV, em Eindhoven, daria a Martin Jol o salvo-conduto necessário para continuar experimentando, até achar a formação ideal para a defesa. Desde que meio-campo e ataque continuem colaborando, claro.