Holanda

Espertinho demais? Veltman engana marcador aproveitando lesão de companheiro

A “ação mais anti-desportiva de todos os tempos” talvez seja uma classificação exagerada do Telegraph para o que fez Jöel Veltman na vitória do Ajax por 2 a 0 sobre o Sparta Roterdã, mas é verdade que o defensor holandês foi excessivamente espertinho no drible que deu aproveitando que um companheiro estava contorcendo-se de dor no gramado.

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O lance aconteceu no começo do segundo tempo, quando o Ajax já vencia por 2 a 0. Veltman dominou a bola pela ponta-direita, diante da marcação de Iván Calero. Berntrand Traoré sentia dores, próximo a onde a jogada se desenvolveria. Veltman parou, levantou o braço pedindo para Calero esperar e tudo indicava que interromperia o jogo para que o companheiro fosse tratado. Assim que Calero olhou para trás, Veltman buscou a linha de fundo e fez o cruzamento para dentro da área.

O gol não saiu, mas a jogada repercutiu mais do que a manutenção dos cinco pontos de distância entre Ajax e o líder Feyenoord. “Eu estava apenas sendo esporte”, disse Veltman, ao Metro. “Berntrand caiu e eu pensei ‘vou usar isso para levar vantagem’. Eu pretendia chutar a bola para fora, mas, quando meu adversário olhou para trás, eu passei por ele. Eu sei que talvez não tenha sido a coisa mais bonita a se fazer, mas foi apenas algo esperto, nada mais. Posso dar risada disso”.

O técnico do Sparta Roterdã, Alex Pastoor, disse que seu jogador foi “enganado”, e o capitão da equipe, Michel Breuer, gostaria que Calero tivesse prestado mais atenção. “Na minha opinião, tudo bem o que fez Veltman. Um dos nossos rapazes olhou (para trás) e isso não é bom. Tem que ir até a bola sair ou ouvir o apito e o jogo parar”, afirmou, segundo outro Telegraaf, o holandês.

“Meus companheiros disseram-me no vestiário”, continuou Veltman, “que eles teriam me batido bastante se eu tivesse feito isso contra um deles. O que eu teria feito se meu cruzamento resultasse em gol? Um gol é um gol. Eu acho que as pessoas estão exagerando um pouco. Não é que eu tenha saído cara a cara com o goleiro depois disso. Mas não vamos transformar essa história em algo grande. É melhor dar risada. Não vou fazer isso de novo, até porque acho que não vai funcionar de novo”.

Existe uma plausível discussão sobre fair play, pois muitas vezes o jogador pode cair ao chão fingindo dores para fazer cera, e o adversário sente-se moralmente obrigado a interromper a jogada. Mas, desta vez, Veltman usou ativamente a lesão do companheiro para driblar o marcador, que indicava solidariedade. Faltou um pouquinho de espírito esportivo, sim.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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