Desempenhos de Pellè e Finnbogason merecem mais atenção
Johan Cruyff, Marco van Basten, Romário, Dennis Bergkamp, Ronaldo… a lista de gente que cansou de fazer gols no Campeonato Holandês para depois cansar de fazer gols em outros locais é espantosa. E evidentemente, assim como há os jogadores que atuaram na Eredivisie para brilharem em centros maiores do futebol europeu, há aqueles cujo brilho foi fugaz, ou reduziu-se apenas à Holanda. E a lista é até maior aqui: Willy van der Kuijlen, Ruud Geels, Mateja Kezman, Mounir El Hamdaoui, Bjorn Vleminckx etc.
Lógico, assim que se revelam foguetes molhados, esses atacantes tornam-se malhados sem dó (até com justiça). E isso motiva alguns a dizer que a Eredivisie é uma fábrica de enganadores na arte de colocar a esférica no entroncamento de náilon adversário. Nada mais doído e injusto. Até porque a temporada atual tem exibido dois jogadores de desempenho assombroso para as defesas adversárias. É inegável: se o Heerenveen faz boa campanha e o Feyenoord tem esperança na recuperação, os respectivos responsáveis chamam-se Alfred Finnbogason e Graziano Pellè.
No caso do Feyenoord, Pellè já é conhecido. Aos poucos, o italiano de 28 anos foi ocupando o lugar de destaque no Stadionclub, que andava vazio desde a saída de John Guidetti. E já na temporada 2012/13, tivera boa atuação: em 29 jogos, 27 gols. Só não foi o artilheiro do Holandês por ter encontrado alguém ainda mais goleador em Wilfried Bony. De todo modo, novamente começou com tudo na temporada atual da liga: em oito jogos, nove gols. Três deles, marcados na rodada passada, contra o ADO Den Haag.
Totalizando, são 36 gols. Simplesmente mais do que os 35 que Pellè marcara em sua carreira inteira, unindo Lecce (e empréstimos a Catania, Crotone e Cesena), AZ e Parma (e o empréstimo à Sampdoria). Tal desempenho na grande área – além de um espírito de luta e da capacidade em reter a bola, fazendo o pivô para outros jogadores finalizarem – levou Pellè a ser escolhido o capitão do Feyenoord, num episódio até estranho.
Antigo capitão, o jovem zagueiro Stefan de Vrij andava mantendo o condicionamento físico em treinos pessoais, à parte dos trabalhos com o Feyenoord. Surpreendentemente, isso enfureceu Ronald Koeman. O técnico repreendeu: “Eu quero saber o que os jogadores do Feyenoord fazem fora do clube. Fazer um treino pesado no dia de folga, para chegar no clube e repetir algo do tipo no dia seguinte, não é bom. Descansar também é treinar. Reconheço que De Vrij queira melhorar, é uma boa intenção, mas ele precisa explicar antes”.
Pellè, que nada tinha a ver com a questão, recebeu a braçadeira de presente. E tal decisão não foi questionada: embora De Vrij fosse um capitão adequado, a força de vontade e os gols andam falando por Graziano. Quem sabe fosse a hora de Cesare Prandelli ouvir essas “palavras”, para dar ao italiano um teste que seja na Itália. Não que Pellè seja alguém capaz de substituir Balotelli, ou El Shaarawy. Mas pelo menos uma convocação, anda merecendo.
Como a Islândia não chega nem perto de ter a mesma oferta de bons jogadores de que a Azzurra dispõe, ela já tem em sua seleção Alfred Finnbogason. Que tem um desempenho até mais impressionante: em sete partidas que fez pela Eredivisie, já deixou a bola nas redes 10 vezes. Somando-se ao jogo em que o Heerenveen eliminou o Twente pela segunda fase da Copa da Holanda, mais dois gols.
E tal desempenho já colocou Finnbogason na rota dos recordes, em um clube famoso por gerar goleadores na Holanda: desde que chegou ao clube da Frísia, em 2012, já foram 40 gols em 41 jogos. Média de 0,97 gol por jogo, superior às de Ruud van Nistelrooy (0,44), Klaas-Jan Huntelaar (0,64) e Bas Dost (0,66) em suas passagens pelo clube. À frente de Finnbogason, até agora, só… ele, Afonso Alves, com 1,02 gols por jogo (48 gols em 47 jogos). Mais do que isso: marcando 42 dos 69 gols feitos pelo Heerenveen nas temporadas 2012/13 e na atual, Finnbogason é responsável por 61 por cento dos gols que a equipe marca desde o ano passado.
Curiosamente, somente chamou atenção do Celtic na janela de transferências – e os Bhoys desistiram da contratação na última hora. Pelo visto, a aposta continua convindo. Pode não dar em nada, como outros não deram. Mas quem não arrisca, não petisca. O Feyenoord, que pegou um desacreditado Pellè no Parma, e o Heerenveen, que encontrou o islandês no Lokeren-BEL, que o digam.