De Boer, técnico da seleção neerlandesa, critica excesso de jogos na data Fifa: “O dinheiro é que manda, e o show tem que continuar”
Além de representarem um risco grande de disseminação da Covid-19 entre atletas, os jogos entre seleções, agora mais do que nunca, são impulsionadores de lesões em um momento atípico no futebol mundial, de calendários apertados e férias menores devido à paralisação anterior por causa do Coronavírus. Frank de Boer, técnico da seleção neerlandesa, queixou-se publicamente da realização do amistoso com a Espanha, partida “extra” que faz parte das datas Fifa atuais de três jogos a cada pausa das ligas de clubes.
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Para honrar compromissos comerciais com detentores de direitos de televisão e cumprir o calendário até a Euro 2021, a Uefa tem feito pacotes de três jogos em vez de dois nas datas Fifa, compostos de um amistoso e duas partidas pela Liga das Nações. Na quarta-feira, a seleção neerlandesa enfrentou a Espanha em jogo amistoso que, para De Boer, não deveria acontecer.
“Estas partidas precisam ser jogadas. Muitos interesses estão em jogo, é uma indústria. Mas isso acontece às custas dos jogadores. A temporada continua assim até a Eurocopa. Temos que esperar pela próxima lesão. Quando você consegue formar três times internacionais de grandes nomes lesionados, algo está errado”, argumentou o treinador.
De Boer propôs que aqueles envolvidos nesses jogos se unissem para se posicionar contra o calendário atual, mas acha difícil que isso aconteça: “Seria bom se todos se unissem e fizessem um pronunciamento. Porém, como é frequentemente o caso, o dinheiro é que manda, e o show tem que continuar. Temos falado desse calendário há cerca de dez anos”.
“Você costumava jogar só uma partida entre seleções em uma quarta-feira, agora você joga três em oito dias”, comparou o treinador, que depois do empate em 1 a 1 com a Roja enfrentará no domingo a Bósnia e, na próxima quarta-feira, a Polônia.
Evidentemente, nem todos na seleção neerlandesa concordam com o ponto de De Boer. Mais especificamente, a Federação Neerlandesa (KNVB) lembrou que, em um momento tão difícil para a indústria quanto este, o “cumprimento desses compromissos é extremamente importante em uma época em que o futebol está sob grande pressão financeira devido ao Coronavírus”.
O show, enfim, de fato continua. Em que condições, ainda não sabemos. Neste ritmo, a possibilidade de termos uma Eurocopa um pouco atípica, com equipes estafadas e desfalcadas após uma temporada dura e implacável, só aumenta.



