Começando a despontar
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Há algum tempo atrás, logo que o Campeonato Holandês retornou de sua pausa de inverno, esta coluna mostrou os indicativos de um empolgante final de campeonato, já que três times disputavam o título com relativa proximidade: PSV, Twente e Ajax. E a hipótese de o Groningen também entrar nesta disputa não estava afastada.
Pois, com 25 rodadas realizadas, já dá para se avaliar algumas tendências na Eredivisie. A primeira delas: com as duas duras goleadas sofridas em sequência (4 a 1 para o Roda JC, dentro do Euroborg, e 5 a 1 para o Feyenoord), que se somam a um empate – isto é, já são três rodadas sem vitória -, o Groningen já parece abatido na disputa do título. Sendo assim, a conquista nacional deverá ficar mesmo entre os três primeiros colocados, supracitados. Nada mais lógico: de fato, são os melhores times da Holanda, atualmente. Até por estarem disputando a Liga Europa.
E, dentre o triunvirato, uma das equipes começou a ser levemente favorecida pelos resultados. E já começa a despontar de modo mais destacado, ainda que não seja favorita destacada. É o PSV. Por mais que não tenham tanta capacidade de brilhar, os Boeren exibem um estilo que parece suficiente para sempre estarem nas primeiras posições do campeonato. Tudo isso, aliado a uma sorte gigantesca: sempre que a equipe tropeça, o Twente, seu adversário mais próximo, também não consegue os pontos de que precisa.
Exemplo disso ocorreu na última rodada. No clássico contra o Ajax, em Eindhoven, mesmo sem exibir uma pressão sufocante nem ser totalmente superior, o PSV conseguiu mais chances de gol. Não as converteu porque Stekelenburg fez pelo menos três ótimas defesas, confirmando o que já se sabe: que está fazendo hora extra em Amsterdã, e que as chances de uma transferência para um centro maior são grandes. Só por isso, o 0 a 0 ficou no placar durante o jogo – por sinal, foi a primeira vez na história da Eredivisie em que Ajacieden e Eindhovenaren não fizeram gols nos jogos entre si, fosse no turno ou no returno.
Porém, o Twente não conseguiu aproveitar a chance para assumir a liderança. Num jogo confuso contra o AZ, saiu atrás num lance malogrado (Theo Janssen tentou cortar um cruzamento e fez gol contra) e suou até conseguir o empate, que só veio aos 43 minutos do segundo tempo. Para, nos acréscimos, ter nova desilusão, com o gol de Erik Falkenburg que deu a vitória aos Alkmaarders. Com o revés, já são duas partidas seguidas sem vitória.
O pior é que os Tukkers começaram a exibir, recentemente, um descontrole emocional pouco recomendável para um time que tem capacidade de manter-se em alta nos campeonatos que disputa. As provas disso não têm faltado. A primeira delas veio na Liga Europa: tendo uma vantagem de 2 a 0 no jogo de ida da segunda fase, disputado na Rússia, a equipe parecia bem encaminhada para superar o Rubin Kazan.
Pois bastaram dois minutos na volta, em pleno Grolsch Veste, entre os 22 e os 24 da primeira etapa, para que o time russo fizesse 2 a 0, resultado que levaria o jogo à prorrogação. Dá para dizer que o desastre não foi maior porque Janssen diminuiu perto do intervalo, o que deu tranquilidade ao time – que se acalmou de vez com o gol de Douglas, que empatou o jogo e garantiu lugar nas oitavas de final.
Só que justamente o zagueiro brasileiro deu novas mostras do destempero que tem acometido os comandados de Michel Preud'homme. Contra o AZ, após ser derrubado por Pontus Wernbloom, numa disputa de bola, Douglas atingiu o sueco com o braço. O árbitro Kevin Blom viu e o expulsou. Não só o jogador dificultou bastante sua saída de campo, reclamando demais, como o nervosismo também passou para a torcida, que começou a gritar palavras contra Blom. Só restou a ele suspender o jogo por alguns minutos.
E, na Copa da Holanda, o time encontrou grandes dificuldades para superar o Utrecht nas semifinais, mesmo que estivesse com um jogador a mais desde os 20 minutos do primeiro tempo. O gol só saiu aos 32 minutos do segundo tempo. E a torcida voltou a ser agressiva, ameaçando os jogadores dos Utregs. Para um time que vive uma fase como poucas vezes o clube viveu, presságios assim não são nem um pouco bem vindos.
Já no PSV, calma é o que não falta. Os duelos contra o Lille, pela Liga Europa, são a prova disso. Na ida, qualquer time que estivesse perdendo por 2 a 0 para o LOSC ficaria mais retraído, para evitar o risco de aumento da desvantagem. Não foi o caso da equipe de Fred Rutten, que soube esperar o momento certo: no final do jogo, fez dois gols em um minuto e levou um empate valioso.
Em Eindhoven, no jogo de volta, o drama retornou. Após iniciar o jogo com pressão, levar o 1 a 0 contrário, numa jogada despretensiosa, seria uma ducha de água fria. Não o foi para o time da casa: com Dzsudzsák e Toivonen em jornada excelente, a equipe dosou força no ataque e calma na defesa. Conseguiu a expulsão de Frau, autor do gol do Lille. E, finalmente, virou o jogo para 3 a 1, classificando-se às oitavas de final. Onde, por sinal, tem um adversário plenamente acessível: o Rangers.
Essa diferença entre a segurança do PSV e as turbulências exageradas por que passa o Twente explica a razão dos Eindhovenaren ensaiarem um favoritismo maior no campeonato. Que pode se cristalizar, se isso continuar.
Chama ainda acesa
Após ter conquistado o bicampeonato belga, a saída de alguns jogadores importantes (os maiores exemplos são Jovanovic, Mbokani e Onyewu) e a desestabilização do ambiente ajudaram o Standard Liège a cair de nível no futebol belga. Mas a última semana serviu para mostrar que, se não briga tão próximo do título quanto há algum tempo, o time de Sclessin ainda pode fazer bom papel nas competições em que atua.
E essa certeza veio em duas partidas contra o Mechelen. A primeira, pelo Campeonato Belga, atrasada da 22ª rodada: com o 3 a 0 sobre o Malinwa, a equipe comandada por Dominique D'Onofrio voltou a se aproximar da zona de classificação do hexagonal final. E, no meio de semana, pela Copa da Bélgica, a vitória sobre os aurirrubros foi ainda mais categórica: uma goleada por 4 a 1, que levou o time às semifinais.
Dentre várias figuras novas – Aloys Nong, Mbaye Leye, o goleiro Srdan Blazic -, ainda resistem dois representantes dos tempos do bi: o capitão Steven Defour e Axel Witsel. E são eles que comandarão a equipe, na tentativa de mostrar que os bons tempos ainda vivem.