Holanda

Com alguma coisa em comum

Um começou o Campeonato Holandês sendo derrotado por 3 a 1 pelo Feyenoord; o outro reagiu contra o Ajax, empatando um jogo que perdia por 2 a 0. Um foi goleado assim que enfrentou um time de ponta – pegou o Twente, que o goleou por 4 a 0; o outro, além de ter empatado contra o Ajax, também arrancou uma igualdade contra o PSV fora de casa. Um conseguiu avançar na Copa da Holanda goleando o adversário (Haaglandia, da Topklasse) por 4 a 1; o outro só superou o oponente (De Graafschap) nos pênaltis. Um é o 12º colocado na Eredivisie; o outro é o 3º. Como, então, comparar Groningen e Utrecht?

Pois o time do norte holandês e o de Utrecht têm alguma coisa em comum: ambos parecem ser equipes bem preparadas para fazerem campanhas honrosas na Eredivisie, conseguindo, quem sabe, disputar vaga nas competições europeias. Como o Groningen já fez, há três temporadas. E o Utrecht faz, atualmente, disputando a Liga Europa. Além disso, ambos ainda têm um álibi que o AZ já teve (e já perdeu), e que o Twente, momentaneamente, não tem: ser um franco-atirador, uma equipe de quem não se espera muita coisa – mas que, ainda assim, pode alcançar alguns bons feitos.

Pegue-se o caso do Utreg. Não é um time grande – seu único título holandês, na verdade, foi conquistado pelo DOS, uma das equipes que se fundiu para criá-lo, na temporada 1957/58. E, ainda assim, conseguiu ganhar alguma calma interior, algo inimaginável há duas temporadas, quando o presidente Jan Willem van Dop e o então técnico Wim van Hanegem entraram em rota de colisão. Agora, Van Dop tem abaixo de si uma estrutura bastante sólida, cujos responsáveis são o diretor de futebol, Foeke Booy, e o técnico Ton du Chatinier.

Tal estrutura fez com que Du Chatinier pudesse ter liberdade para formar uma equipe também sólida. E que tem bons talentos: no gol, Michel Vorm é um dos melhores goleiros da Eredivisie – não à toa, é o reserva imediato de Stekelenburg na seleção holandesa; no meio-campo, Silberbauer cuida da marcação, enquanto Dries Mertens é o responsável por criar as jogadas. E, no ataque, Ricky van Wolfswinkel é o principal nome de finalização.

E foi este grande entrosamento o responsável pela chegada à fase de grupos da Liga Europa, quando o time conseguiu reverter brilhantemente a vantagem que o Celtic conseguira, na terceira fase preliminar. Todavia, o grupo K em que o time caiu foi dos mais indigestos: de cara, a equipe enfrentaria Napoli, Liverpool e Steaua Bucareste. Pois, pelo menos diante de dois rivais, a equipe não se apequenou. Ciente de suas limitações, não foi irracional diante dos Partenopei, em pleno San Paolo, nem deixou que os Reds tomassem conta das ações no Galgenwaard. Resultado: dois 0 a 0 que ainda permitem ao time sonhar com a classificação.

O Groningen também mostra um time cuja base já está pronta há mais de duas temporadas. Na defesa, o goleiro brasileiro Luciano, o zagueiro Granqvist e o lateral esquerdo Stenman já se conhecem há algum tempo. No meio-campo, a dupla que coordena as ações é Nicklas Pedersen e Thomas Enevoldsen. E, no ataque, o destaque é o esloveno Tim Matavz.

Esta base foi sendo pacientemente construída pelo técnico Ron Jans. E, mesmo com a saída de Jans para o Heerenveen, foi mantida pelo novo comandante, Pieter Huistra. Que, aliás, tem a sorte de poder somar novos talentos à base já testada. Como Leandro Bacuna, apontado como um dos próximos bons atacantes a serem revelados pela Holanda.

Por sinal, na próxima rodada da Eredivisie, ambos se igualarão: têm rivais difíceis. Enquanto o Utrecht pegará o líder Ajax, o Groningen visitará o Twente. Só os próximos resultados revelarão se ambos terão alguma coisa em comum. Mesmo que cada um esteja na sua.
 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo