Chegou mais gente na briga
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Pode-se dizer que o Campeonato Belga já teve algumas fases dentro de suas dez rodadas realizadas. No princípio, o Excelsior Mouscron começou bem, com quatro vitórias consecutivas. A partir daí, os Hurlus começaram a dividir a ponta com Standard Liège e Anderlecht. Pouco depois, Rouches e Mauves pareceram isolar-se na briga pelo título, por melhor que o Excelsior continuasse. E, após a décima rodada, os grandes vencedores são dois clubes que precisaram de um pouco mais de tempo para alcançar a briga pela liderança da Jupiler League, mas, enfim, lá chegaram. E não dão a menor pinta de que sairão de lá tão cedo: Club Brugge e Genk.
No caso do time de Jacky Mathijssen, três fatores foram fundamentais para a chegada à ponta, consolidada com os 4 a 1 sobre o Kortrijk. O primeiro reside na queda de desempenho do Standard Liège. Nas últimas três rodadas, o time ganhou, dos doze pontos disputados, apenas quatro. A última vitória, contra o Mons, na oitava rodada, já fora obtida a fórceps: só aos 48 do 2º um pênalti, convertido por Witsel, deu o 2 a 1 que mantinha, então, o time de Laszlo Bölöni na frente da tabela. Um empate sem gols contra o Genk e a surpreendente derrota dentro do Maurice Dufrasne para o Charleroi encarregaram-se de rebaixar os liègeois à quarta posição na tabela. Estavam criadas, assim, as oportunidades para que o Brugge, com dois jogos a menos, conseguisse alcançar o topo. A irregularidade do Anderlecht também auxiliou: a mesma equipe que foi apática nos 4 a 0 sofridos para o Zulte-Waregem conseguiu aplicar facilmente 7 a 1 no Malines.
Mas de nada adiantaria se os Blauw-en-Zwart tivessem jogado fora os pontos disputados contra Malines e Zulte-Waregem, nas partidas atrasadas de 1ª e 2ª rodadas. Aí está o segundo motivo da ascensão: mesmo com o empate em um gol com o Malines, ainda houve tempo para consertar um possível desastre. E nem uma derrota de 3 a 0 para o Gent impediu que, graças à derrocada do Standard, a chance de abocanhar o primeiro lugar viesse na partida contra o Zulte. Não deu outra: um 2 a 0 sem riscos comprovava a reação, mantida contra o Kortrijk. Reação que veio graças ao terceiro fator.
Finalmente, Mathijssen viu os jogadores entrarem nos eixos dentro do time. Cada setor da equipe já tem a sua espinha dorsal. A defesa, comandada por Stijnen, levou dois gols nos últimos cinco jogos. Na meia, Ivan Leko e Simaeys conseguem equilibrar firmeza na marcação e capacidade na armação de jogadas. Mas é no ataque que moram os maiores trunfos brugeois. Sonck e Akpala formam uma boa mescla de experiência e vivacidade. Sonck, mesmo com 30 anos, ainda tem velocidade suficiente para conseguir correr pelo ataque e chamar a marcação para si. Isso abre espaços para Akpala. E o nigeriano começou a aproveitá-los: com quatro gols marcados, já aparece como uma ameaça ao atual artilheiro da Jupiler, Mbokani. E já recebe as primeiras chances de Shaibu Amodu na seleção de seu país.
No caso do Genk, os méritos pela ascensão ao terceiro lugar também podem ser especificados. A juventude do time ajuda: na escalação que foi a campo e venceu o lanterna Tubize facilmente (3 a 1), a média de idade somava 25,8 anos, não tão novata, mas também não tão envelhecida. Outra razão é a atual seqüência de seis jogos sem derrota – sendo cinco vitórias -, a apenas uma partida de igualar a maior marca da temporada em tal quesito, justamente a do líder Brugge, que passou sete jogos sem perder. Para completar, o time treinado por Ronny van Geneugden consegue mostrar coesão suficiente para favorecer o surgimento natural dos destaques, que estão nas figuras do goleiro Logan Bailly (recuperado após uma concussão cerebral, Bailly já é cobiçado pelo Borussia Mönchengladbach), do zagueiro brasileiro João Carlos, ex-Vasco, do meia tcheco Pudil e dos atacantes Barda (israelense) e Bosnjak (croata).
Obviamente, o cenário ainda pode mudar. Afinal, o Standard ainda enfrentará o Brugge, que, por sua vez, pega o Anderlecht daqui a duas rodadas, e o time de Ariël Jacobs tem o Genk para enfrentar na 17ª rodada… Sem contar que Gent, Westerlo e Mouscron, todos próximos dos quatro primeiros, também querem entrar na dança. A Jupiler League vai se comprovando um campeonato com muito equilíbrio.
O Feyenoord ainda sonha. Graças a Verbeek
Ele não se abala com o desafio que tem. Mesmo que o Feyenoord ainda sinta o bafejar da zona da Nacompetitie no seu cangote, ele não corre risco de demissão (pelo menos é o que a diretoria diz). Ele ainda consegue manter a calma, mesmo que veja os azares se avolumando no De Kuip, como na derrota para o Sparta, com o gol de Poepon surgindo a três minutos do fim. Ele ainda tem o respaldo da torcida. Ele é Gertjan Verbeek, treinador do Feyenoord.
No último domingo, Verbeek recebeu uma espécie de incentivo à sua tenacidade – e, por que não dizer, pelas apostas que tem feito. Finalmente, o Feyenoord mostrou uma atuação capaz de fazer a Het Legioen sonhar com dias melhores. Contra o Roda JC, os alvirrubros mais famosos de Roterdã fizeram um ótimo segundo tempo e mereceram a goleada por 4 a 0 como um bálsamo no dificílimo ano do centenário. Principalmente as apostas de Verbeek, que já tomam conta do time. Autor do primeiro gol, Georginio Wijnaldum firma-se cada vez mais como um volante capaz de ajudar na armação, satisfazendo a torcida que o apelida até de Wijnaldinho. O lépido armador Leroy Fer e o redivivo Biseswar, que também marcaram em Kerkrade, não ficam atrás. A boa atuação da garotada faz com que o desempenho de alguns veteranos, como Makaay e Van Bronckhorst, cresça.
O 13º lugar no campeonato ainda inspira cuidados. E a derrota para o CSKA Moscou, na Copa da UEFA, não ajuda. Mas a torcida ganhou o direito de sonhar com uma subida na Eredivisie. Graças ao trabalho de cigarra realizado por Gertjan Verbeek. Paciência com ele.