Campeonato Holandês está equilibrado. Inclusive na 2ª divisão
Barcelona, na Espanha. Manchester United, na Inglaterra. Bayern Munique, na Alemanha. Juventus, na Itália. Com o final da temporada se aproximando, os quatro campeonatos nacionais mais falados do futebol europeu já têm seus favoritos destacados – isso, tendo uma benevolência digna de Prêmio Nobel da Paz. Como isso não é o que acontece na Holanda, onde Ajax, PSV e Feyenoord disputam a liderança do campeonato ponto a ponto (sem contar o Vitesse, que ainda sonha, mesmo na quarta posição), o campeonato subitamente começou a chamar a atenção do Velho Continente.
Nada de mal nisso. Equilíbrio é algo que sempre chama a atenção em qualquer torneio, dando um tom de emoção necessário ao esporte – muito embora ele não possa ser confundido com qualidade, como quem acompanha a Eredivisie sabe. Apesar dos quatro principais candidatos ao título nacional estarem protagonizando um duelo interessante, sabe-se que o potencial de todos eles não lhes permite sonhar com muito mais do que o status de campeão holandês. Mas isso não significa que o torneio não mereça atenção.
E, primeira divisão à parte, os holandeses também ganham cada vez mais motivos para acompanharem a Eerste Divisie, segunda divisão do país. Afinal de contas, também não é possível dizer quem será promovido à divisão de elite do futebol do país, a oito rodadas do fim da competição. A bem da verdade, é difícil dizer quem subirá de qualquer maneira, em qualquer momento de uma temporada normal do futebol holandês.
Claro que há uma regra comum: o campeão da Jupiler League (outro nome da Eerste Divisie, que cita a cerveja patrocinadora do campeonato) é promovido, assim como o último colocado da Eredivisie é rebaixado. Mas a facilidade acaba aí. Vamos entrar no mundo da “Nacompetitie” (ao pé da letra, “competição de depois”), que nada mais é do que a repescagem que define os outros dois possíveis promovidos à primeira divisão – ou não.
A Nacompetitie é formada por dez times. Primeiramente, estão nela o 16º e 17º colocados da primeira divisão. Agora, cabe uma explicação: a segunda divisão tem 34 rodadas. E elas são divididas em quatro “períodos”; dois de oito rodadas, e dois de nove. Os quatro “vencedores” desses períodos também têm vaga garantida na repescagem. Para completar os dez clubes, entram os quatro clubes melhor colocados na segunda divisão, sem serem vencedores dos “períodos”. Ah, sim: se um dos vencedores for o campeão da Eerste Divisie, ele dá lugar a outro clube bem colocado.
Então, começa o mata-mata: duas partidas, ida e volta, entre os clubes mais bem colocados, após sorteio. Os dois classificados passam por novo sorteio, envolvendo os vencedores dos quatro períodos e os vindos da Eredivisie. Quatro duelos, definidos em jogos de ida e volta. Finalmente, os quatro classificados fazem dois confrontos, em ida e volta, para definirem a promoção – ou, caso haja gente da primeira divisão, a permanência nela.
Explicada a Nacompetitie (espera-se que o leitor tenha entendido tal salada), cabe dizer que a temporada atual da segunda divisão tem um problema adicional. Em janeiro, um dos 18 times da liga, o AGOVV Apeldoorn, decretou falência, por causa da dívida que tinha com a receita federal holandesa. Para efeitos de estatística, os jogos que o AGOVV já realizara foram anulados – e os futuros, obviamente, cancelados.
Sendo assim, dez clubes que já haviam enfrentado o time falido antes do final do período (que teria oito jogos) poderiam considerar-se já com as sete partidas cumpridas, ao passo que os sete clubes ainda por enfrentarem o AGOVV naquele primeiro turno só poderiam considerar o período cumprido depois da 18ª rodada. Por isso, a discrepância no número de partidas jogadas: há quem tenha feito 26, 25 ou 24 partidas na temporada atual.
Esclarecidas essas confusões, vamos à análise propriamente dita. E ela mostra um equilíbrio crescente. Antes seguro na liderança, o MVV Maastricht andou se alternando com o Sparta Rotterdam. Empurrado pelos gols de Sandro Calabro (experimentado em segunda divisão holandesa – foi o grande destaque no acesso do VVV-Venlo, em 2008/09) e pelo entrosamento visto na defesa, tendo como destaques o zagueiro Gijs Luirink e o lateral esquerdo Donovan Slijngard, o time de Roterdã chegou à liderança, passando o MVV.
Porém, na 26ª rodada, houve confronto direto entre líder e vice-líder. E o MVV voltou a se aproximar, fazendo 1 a 0, com gol de Tom van Hyfte, e chegando aos 47 pontos, dois abaixo do Sparta. Atrás, vem o Volendam, com 45 pontos, contando com os gols de Jack Tuyp, artilheiro da Eerste Divisie (23 gols). Empatado com a Outra Laranja (apelido do Volendam) está o Helmond Sport. E, com alguma boa vontade, até o De Graafschap, 6º colocado mas já com um período vencido, pode sonhar com o retorno à Eredivisie de onde caiu na temporada passada.
Os problemas, claro, continuam: Fortuna Sittard e BV Veendam correm risco de passarem pelas mesmas agruras que levaram o AGOVV à falência. De todo modo, a Eerste Divisie só corrobora que equilíbrio tem sido a palavra da moda no futebol holandês. Ainda que nivelado – nem tanto assim – por baixo.



