Holanda

Calma, Bélgica, calma que ainda dá

A última coluna dizia que as condições adversas do jogo contra o Azerbaijão, em Baku (calor forte, equipe dura de se enfrentar em casa, gramado do Tofik Bakhramov em péssimas condições), seriam um teste de respeito para se ver quais as reais chances belgas de sonhar com a repescagem das eliminatórias da Euro 2012 – já que a Alemanha, como mais do que previsto, abocanhou a vaga direta.

E ia dando tudo muito certo para o time de Georges Leekens. Porque a vitória suada por 1 a 0 estava vindo, a partir de um pênalti sofrido por Eden Hazard e convertido pelo capitão Timmy Simons. A Turquia também vencia o Cazaquistão, é verdade. Só que, pelos critérios, os belgas é que ficariam com o segundo lugar do grupo A, pelo maior número de gols pró.

Mas Rauf Aliyev não deixou. O atacante azeri apareceu livre na área, aos 41 minutos do segundo tempo, e cabeceou para as redes. Os Diabos Vermelhos foram todos para o ataque, mas não conseguiram voltar à frente do placar. E ficaram dois pontos atrás da Turquia na chave. Mais uma decepção ocorrera em qualificações. Assim como na busca da vaga para a Copa de 2010, quando o time fez jogo duríssimo contra a Espanha, em Bruxelas, mas perdeu por 2 a 1. Ou na derrota para a Bósnia em plena Cristal Arena de Genk, revés que praticamente dizimou as esperanças de ir à África do Sul.

Tal desolação se notou nas palavras de Simon Mignolet, logo após o jogo: “A [chance da] Euro acabou. Ainda podemos alcançá-la, matematicamente, mas acabou. Perdemos muitos pontos. Se tivéssemos vencido, ainda haveria uma chance.” O goleiro até tem razão, sob um certo ponto de vista: em jogos como o empate em 4 a 4 contra a Áustria, ou mesmo o 1 a 1 contra a Turquia, a vitória era possível. Ainda mais pelos jogos serem disputados no Rei Balduíno. Só que Mignolet ficou solitário em seu pessimismo.

E, de fato, não há porque não crer que ainda é possível chegar à repescagem. Primeiramente, repita-se: a geração belga não é nada incrível, mas tem nível suficiente para participar de um torneio importante, pelo menos. Até porque Georges Leekens conseguiu formar uma base satisfatória, aproveitando os bons jogadores que tem à disposição.

Além disso, se uma eventual vitória contra o Cazaquistão não puder ser contada (no regulamento das eliminatórias da Euro, pelos grupos terem cinco ou seis times, triunfos contra o sexto colocado da chave são descartados na pontuação dos melhores segundos colocados das chaves), a Alemanha enfrentará a Turquia. Fora de casa. Pela rivalidade entre as nações, mais o nível do Nationalelf, não dá para pensar em jogo de “compadres”.

Depois viria o grande desafio: a partida final contra os germânicos, em Düsseldorf, no dia 11 de outubro. Aí sim, seria um teste respeitabilíssimo. No qual os belgas precisarão despender doses extras de esforço, se ainda tiverem chance de obter a vaga na repescagem. E motivação para essa doação, existe. A começar pelo mais experiente jogador do grupo.

Aos 34 anos, Timmy Simons ainda está motivado. A ponto de conseguir bela marca: com o jogo contra o Cazaquistão, mais amistoso contra os Estados Unidos, na última terça, completou 86 jogos vestindo a camisa vermelha. Marca igual à de Franky van der Elst e Erik Gerets. Os três só estão abaixo de Jan Ceulemans, na lista dos que mais jogaram pela equipe.

E o próprio volante mostra vontade de aumentar tal número: “Enquanto eu estiver em forma e puder trazer algo, eu vou continuar.” E seu 86º jogo mostrou porque a Bélgica ainda não é carta fora do baralho: se a vitória contra os EUA foi magra (1 a 0), a equipe mostrou muita disposição, e algum talento. Paralelamente a isso, a Turquia “ajudou”, empatando por 1 a 1 contra a Áustria, nas eliminatórias da Euro.

Simons notou isso: “O fato da Turquia não ter vencido significa algo. Devemos continuar acreditando no segundo lugar.” Mais do que isso: o capitão Vincent Kompany foi taxativo. “Os torcedores têm de permanecer com o pensamento positivo. Quem quiser ficar só criticando, deve ficar em casa. É importante que a torcida apoie o time também nos momentos ruins.”

Georges Leekens, claro, elogiou a atitude do zagueiro: “Estou feliz por ter uma figura que exerce uma liderança tão grande quanto Vincent. Assim, o grupo se une e você pode contar com alguém para chamar a responsabilidade. Pode haver críticas, mas nosso trabalho não pode ser colocado em dúvida.”
Não mesmo. Assim como não pode ser colocada em dúvida a capacidade belga de conseguir fazer o necessário. O time não depende mais só de si, mas tem motivação para fazer o que precisa. E isso era o que faltava, em outros times belgas. Pode ser um início.

Somente uma questão

Quanto à classificação holandesa para a Euro 2012, já garantida, só uma pergunta da coluna, ainda mais após o 11 a 0 histórico, mesmo que contra a risível equipe de San Marino: alguém ainda tinha alguma dúvida?

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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