Ainda falta algo
O Campeonato Holandês recomeça nesta sexta-feira com uma sensação de que a intertemporada passou rapidamente. Para todos os times. O PSV (que enfrenta o Zwolle, no primeiro jogo desta 19ª rodada) viajou para a Tailândia, venceu o único jogo que lá disputou, e já retornara à Holanda quando esta semana começou. O Ajax teve até mais momentos de diversão em sua volta ao Brasil, com a intertemporada no Rio de Janeiro – e, até pelo momento no campeonato, mais tranquilo do que em 2011/12, teve uma atuação mais despreocupada contra o Vasco. Perdeu e mereceu perder, mas isso pouco importou aos Ajacieden.
E mesmo os times que jogaram mais partidas também lidaram tranquilamente com a parada de inverno. O vice-líder Twente venceu a amistosa Maspalomas Cup, disputada nas Ilhas Canárias, superando HJK-FIN, na semifinal, e Lausanne-SUI, na decisão; também na Espanha, o Vitesse teve bom desempenho, superando o Orihuela, da terceira divisão espanhola, e o Mouloudia, da Argélia, em amistosos. Entretanto, dentre os times que ocupam as primeiras posições, pode-se dizer que um deles teve motivos para encarar a intertemporada de modo mais concentrado do que os demais: o Feyenoord.
Pode parecer que os resultados trouxeram turbulências. Primeiro, ainda em Roterdã: no dia 5, o Stadionclub empatou sem gols com o AGOVV Apeldoorn, que fazia sua última partida profissional (sem conseguir pagar uma dívida de 400 mil euros à Receita Federal holandesa, o clube, que ocupava o 14º lugar na segunda divisão, decretou falência no último dia 8). Depois, já em Marbella, balneário espanhol, onde a equipe passou uma semana, uma derrota para o Club Brugge, por 2 a 1, em amistoso.
Só que o clima na intertemporada se manteve bem pela alta motivação em comprovar as chances de conquistar a Eredivisie. Motivação expressa nas palavras de Ronald Koeman: “Como treinador, você deseja que seus atletas tenham autocrítica. E eles estão muito ambiciosos, acreditando cada vez mais nas próprias atuações, bem como nas do time”. E nas do meio-campista Lex Immers: “Tenho a sensação de que há algo por vir. O Feyenoord é novamente um clube grande, e isso traz a chance de títulos”.
Mas poucos sinais de que os Feyenoorders estão na disputa do título foram mais evidentes do que a garantia de que Graziano Pellè fica no De Kuip. Por cerca de três milhões de euros, o Parma liberou o atacante italiano sem problemas, para assinar contrato de quatro anos. Mas, mesmo antes de acertar sua transferência em definitivo, Pellè demonstrava ansiedade, após a vitória contra o Groningen, último jogo de 2012: “Eu tinha medo de tomar um cartão amarelo, pois estaria suspenso para a partida contra o Ajax”.
E é exatamente por isso que ficar concentrado, mesmo durante a intertemporada, era importante para o Feyenoord. Porque o primeiro duelo do time pelo Holandês, em 2013, é justamente o Klassieker contra o Ajax. Mais: ambos estão empatados em pontos, mas o Feyenoord fica em quarto lugar. Se não bastasse, o clube não vence um clássico em Amsterdã desde 28 de agosto de 2005, quando fez 2 a 1 na ArenA, pela 3ª rodada da Eredivisie 2005/06.
E, na 20ª rodada, o time enfrentará… o vice-líder Twente. Depois, no dia 30, o adversário é o PSV, pelas quartas de final da Copa da Holanda. Ou seja, mesmo se a intertemporada foi bem feita, ainda falta algo para o Feyenoord comprovar que é, sim senhor, favorito ao título nacional que não conquista desde 1999.