Holanda

Águias de Haia voam alto

Começo de temporada sempre é a oportunidade para que alguns clubes, que provavelmente não verão o troféu em suas mãos ao fim do campeonato, apareçam bem, até no topo da tabela. É o que acontece, passadas duas rodadas do Campeonato Holandês, com o ADO Den Haag, que, com duas vitórias, marcou mais gols do que PSV, Groningen e Willem II (os outros dois clubes com 100% de aproveitamento) e pode celebrar a volta, ainda que temporária, à liderança da Eredivisie, pela primeira vez desde 1976.

As boas vitórias sobre Sparta Rotterdam – 5 a 2, fora de casa – e, principalmente, AZ Alkmaar – categórico 3 a 0 -, se não transformam o time de Haia num candidato ao título, dão esperanças de que a reestruturação feita após a volta à primeira divisão sejam suficientes para uma temporada tranqüila. Pois, a rigor, o time só conseguiu o regresso à Eredivisie na Nacompetitie, playoff equivalente a um Torneio da Morte, que define quem sobe e quem cai, envolvendo os sete primeiros classificados abaixo do campeão da Eerste Divisie, a Segunda Divisão holandesa, mais o antepenúltimo e penúltimo colocados da Eredivisie.

Em 6º colocado ao fim da Eerste Divisie passada, o antigo FC Den Haag nem teve tanta dificuldade para avançar à segunda fase da Nacompetitie, vencendo o Go Ahead Eagles. A pedreira veio nos duelos contra o VVV-Venlo, penúltimo colocado na Primeira Divisão: dois 1 a 0, um para cada lado, forçaram a realização de um jogo-desempate. Mesmo passando pelo VVV com um 2 a 0, o drama continuou, com o ADO tendo de brigar pela vaga com o RKC Waalwijk, vice-campeão da Eerste Divisie. Dois empates – 1 a 1 e 2 a 2 – e novo jogo desempate. Aí, o bicampeão holandês (1941/42 e 1942/43) arrancou um 2 a 1 e conseguiu voltar à Eredivisie de onde fora rebaixado ao fim do período 2006/07.

E os acertos vieram com o fim da Nacompetitie. Mesmo sendo um clube médio na Holanda, os Haagschen conseguiram fazer bom trabalho na janela de transferências, ao contratarem jogadores discretos, mas de perfil justo para o time e até com experiência na primeira divisão, como o atacante Soltani e o meia Kahya, vindos do VVV, de onde veio também um elemento fundamental para a organização, o técnico André Wetzel – que, inclusive, é natural de Haia, atuou no Den Haag e iniciou a carreira de treinador lá.

As contratações melhoraram com a chegada de Wetzel, que conseguiu trazer jogadores de clubes da primeira divisão, mas que andavam na reserva ou mesmo encostados em seus clubes, como o lateral-direito Ammi (NAC Breda) e o goleiro Waterman (AZ Alkmaar). Com isso, deu para manter o orçamento do clube sem problemas e ainda fortalecer um time que conta com lado ofensivo de início auspicioso na Eredivisie. Os oito gols marcados são obra, principalmente, do meia Richard Knopper e da dupla de ataque formada por Yuri Cornelisse e Fabio Caracciolo.

Ainda há o bom trabalho, na proteção à zaga, do jovem Leroy Resodihardjo e do capitão Aleksandar Rankovic. E, na zaga em si, a juventude de Christiaan Kum e, pela esquerda, Mitchell Piqué. Até os torcedores em Haia sabem que é bem possível que o sonho se esfarele em poucas rodadas, e que o time até brigue novamente para não cair. Mas, com a Eredivisie ainda começando, o negócio é aproveitar a liderança temporária.

Excelente Excelsior

Se a Eredivisie ainda engatinha, todavia, a Jupiler League belga já dá os primeiros passos mais fortes. E, com quatro rodadas já passadas, quem se sobressai é o Excelsior Mouscron. Os Hurlus permanecem sendo a única equipe com cem por cento de aproveitamento: quatro jogos, quatro vitórias. E, talvez, a melhor delas tenha sido a última. Contra um Gent de boa performance (4º colocado), o time poderia ter perdido este diferencial. Não perdeu porque Idir Ouali estava impossível, no último sábado: o atacante francês foi responsável por três dos quatro gols do Excelsior, sendo o tento restante marcado pelo outro destaque ofensivo do time, o bósnio Custovic. O togolês Olufade até deu esperanças aos Gantoises, diminuindo para 4 a 2.

Mas a experiência de Baseggio, somada à boa atuação de outro togolês, Assou-Ekotto, permitiu que a vantagem fosse mantida. E o time de Mouscron conseguiu ficar dois pontos à frente do Anderlecht. Falando nisso, os Mauves suaram para vencer, fora de casa, o Mons: empatavam em um gol até os 34 do 2º, quando Gillet fez o gol da vitória.

Já o Standard Liège, por mais cambaleante que esteja, ainda, dá mostras de que poderá se recuperar da perda de Fellaini (agora jogando pelo Everton, justamente o adversário dos Rouches na Copa da UEFA): o 2 a 0 contra o Kortrijk mostrou que o brasileiro Igor – autor de um dos gols – pode ser tão importante para o meio quanto o são agora Witsel e Defour. Além disso, Mbokani continua goleador: o congolês deixou o seu e manteve a artilharia da Liga, com 5 gols. É ver se a próxima rodada confirmará o trio Excelsior-Anderlecht-Standard na ponta ou se clubes como Gent e Club Brugge conseguirão se aproximar.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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