Holanda

Agora sim!

A reação foi tardia, uma vez que o Anderlecht, com os 3 a 0 sobre o Roulers, já garantiu o título simbólico de “campeão de inverno” da Jupiler League. Mas ela veio. Não havia melhor forma de o Standard provar que, em 2008, mandou no futebol belga, do que com uma brilhante atuação, mostrada principalmente no primeiro tempo e recompensada com um 4 a 1 categórico sobre o Club Brugge.

O clube de Sclessin alcançou os mesmos 31 pontos do rival, ainda está em segundo lugar, a quatro pontos dos Mauves, mas, pelo menos por hora, afastou os temores de ser passado por Racing Genk e Westerlo na tabela da Liga Belga. E, com a ótima performance vista na fase de grupos da Copa da UEFA, os Rouches encerram o ano embalados.

Primeiramente, as declarações vindas durante a semana que antecedeu o jogo contra o time de Bruxelas – e também as vistas no pós-jogo – mostram que, finalmente, a ficha caiu. Ou a equipe começava a repetir no âmbito nacional as performances de alto nível que mostra no torneio continental, ou o sonho do bicampeonato ficaria a perigo. Ninguém sintetizou isso melhor do que o meia Igor de Camargo: “Está na hora de jogarmos como na Copa da UEFA”.

Bem dito e melhor feito. Desde o início da partida no Jan Breydel, o incessante espírito ofensivo com que Laszlo Bölöni colocou o time em campo sufocou qualquer tentativa do Club Brugge de se impor na própria casa. Ajudaram nisso, também, as atuações impressionantes de Defour e Jovanovic. Após o meia abrir o placar, aos 32 minutos da primeira etapa, começou o baile que duraria exatos treze minutos. Não foi preciso mais tempo para que Igor e Jova ampliassem o escore para um 3 a 0 inatingível. Ainda mais com o desequilíbrio emocional que atingiu os Blauw-en-Zwart.

Ainda na primeira etapa, Sonck, por trás, pisou o tornozelo de Marcos Camozzato. Mesmo que o veterano não tenha tido a intenção, o lateral brasileiro saiu de campo carregado e só por sorte não levou para casa uma fratura, sem que o árbitro tirasse sequer o amarelo do bolso. Os jogadores não ligaram muito, mas Laszlo Bölöni carregou nas críticas a Sonck (“Ele não é um bom exemplo aos jovens”, “Ele vai poder se divertir com seus filhos no Natal, coisa que Marcos não poderá fazer”). Já no final do jogo, o segundo ato impensado. Stijnen, afobado, saiu da área e derrubou Igor, que vinha sozinho. A expulsão do arqueiro foi inevitável. E, mesmo que o substituto De Vlieger não tenha comprometido, ficou difícil evitar o quarto gol, marcado por Mbokani. O tento de honra marcado por Clement só serviu para que nada ficasse pior. 

Enfim, num jogo crucial, os valões mostraram boa parte dos méritos que apresentaram nesta temporada. Um estilo de jogo que privilegia abertamente o ataque, mas que não significa uma defesa escancarada aos contra-ataques dos adversários. Tudo por obra e graça de um meio-campo promissor, comandado por Defour, Witsel e, até o meio do ano, também por Fellaini. Um ataque com dois goleadores, Jovanovic e Mbokani. Um armador que também sabe chegar finalizando, como Igor. Uma defesa sólida, que tem seus pilares em Onyewu e Dante. Um técnico sensato como Bölöni, que tem como preocupação prosseguir com o time ajustado brilhantemente por Michel Preud'homme.

Não é de se espantar que o time tenha sido premiado com o título belga de 2007/08 que pôs fim a 25 anos de jejum. Nem que a campanha na fase de grupos da Copa da UEFA tenha impressionado tão positivamente. Nem que os jogadores tenham assumido o discurso de mais seriedade (“É necessário deixarmos de perder pontos contra os times mais fracos. De nada terá adiantado a vitória contra o Brugge se tropeçarmos contra o Gent”, disse Nicaise). E não será espantoso que a bonança continue em 2009.

Seleção: mau começo, bom fim

Fora da segunda Eurocopa consecutiva. Derrotas em amistosos para Marrocos e Itália (contra os Leões do Atlas, o revés veio com uma goleada por 4 a 1). Um time absolutamente apático. Um técnico com pouco apoio da torcida. Definitivamente, a primeira metade de 2008 foi digna de ser esquecida para a seleção belga.

Mas, aí, veio o mês de agosto. Nele, os Diablotins comandados por Jean-François de Sart iriam jogar o torneio olímpico de futebol. Sim, as chances de medalha eram poucas. Além disso, alguns jogadores, como Defour, ficaram de fora da relação de 18 que foi a Pequim. Mas um grupo em que, fora Brasil, não havia grandes temores, possibilitou àquela equipe entrar nos eixos. Classificada em segundo lugar, o que viesse, dali para frente, seria lucro. E o lucro foi grande. Afinal de contas, poucos esperavam o honroso quarto lugar trazido da China.

Foi o sinal para René Vandereycken: a garotada estava pronta para tomar conta dos Diabos Vermelhos. Na defesa, Kompany não era mais o único jovem a poder alinhar-se junto de Simons ou Van Buyten, com a ascensão de Vermaelen. No ataque, Mirallas, Dembélé e De Sutter entravam na briga para ver quem seria o companheiro de Sonck. Mas a profusão maior de novos prodígios belgas ficava no meio: Vertonghen, Witsel, Fellaini, Defour, Simaeys, Martens… enfim, não custava experimentar os altivos rapazes, ainda que já para as Eliminatórias da Copa do Mundo.

O resultado foi alentador. Os garotos provaram ter brio e habilidade suficientes para formar um time coeso e talentoso, que não teve medo de ir a Istambul e arrancar um empate contra os turcos, que teve sangue frio para segurar a difícil vitória da estréia, contra os estonianos. E que mostrou contra a Espanha, principalmente, que não é impossível sonhar com a volta a um Mundial, após oito anos. Muito ao contrário. Levar os Diabos Vermelhos à Copa seria a prova de que vale a pena apostar nesta geração.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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