Existem alguns raros jogadores que parecem moldados à sua missão dentro de campo. E, a cada minuto, Erling Braut Haaland impressiona mais por seu dom de marcar gols. O centroavante reúne diversas virtudes a um grande goleador e não demora a usá-las, mesmo quando sequer aparece como titular. Aconteceu de novo nesta sexta, na abertura da rodada da Bundesliga. Diferentemente da estreia do norueguês, este não era um jogo complicado e o Borussia Dortmund dominava o Colônia. No entanto, quando os Bodes davam indícios de que poderiam assustar, o garoto evitou qualquer desconfiança. Saiu do banco, roubou a cena de outros companheiros que vinham bem e anotou dois gols, para fechar a goleada em 5 a 1. Foi também um belo cartão de visitas do matador em seu primeiro contato com o Signal Iduna Park.

Apesar das enormes expectativas em ver Haaland como titular, Lucien Favre manteve a formação e relegou o centroavante ao banco de reservas. O norueguês vinha com dores e, no fim das contas, poupá-lo por mais de uma hora não fez falta ao Borussia Dortmund. O Colônia dava espaços à velocidade dos aurinegros e pagou o preço logo aos dois minutos, quando Raphaël Guerreiro abriu o placar. Foi uma jogada perfeita, iniciada pelo lançamento soberbo de Mats Hummels. O zagueiro conectou com Marco Reus, que dominou e passou a Jadon Sancho na direita. O inglês, então, fez aquilo que mais gosta: deu a assistência para que Guerreiro mandasse às redes.

Com total domínio da partida, o Dortmund não encontrou dificuldades para construir o placar na sequência do primeiro tempo. A equipe teve uma marcação de pênalti revertida como falta pelo VAR e Reus exigiu a defesa de Timo Horn. Logo depois, em mais uma bola parada, Hummels mandaria uma cabeçada no travessão. Os aurinegros rodavam a bola e davam muitos passes de primeira, por mais que demorassem para criar jogadas mais agudas. Ainda assim, quando conseguiam, levavam perigo sempre. Foi assim que o segundo gol nasceu, aos 29. Mais um lançamento fantástico de Hummels, que deixou Reus na cara do gol. O capitão bateu na saída de Horn e guardou. Houve certa apreensão depois que o assistente levantou a bandeira, mas o VAR confirmou o tento.

O Colônia era um mero espectador privilegiado dentro de campo e demorou a apertar o passo. As melhores tentativas vinham com o novo contratado Mark Uth, mas Roman Bürki mantinha a segurança em sua área. Antes do intervalo, o terceiro gol parecia mais próximo de acontecer. Thorgan Hazard chegou a sair na cara do gol, mas Horn se antecipou para salvar. Somente no início do segundo tempo, aproveitando certa frouxidão da defesa adversária, é que os Bodes deram um pouco mais de trabalho.

O primeiro tempo excepcional de Hummels seria manchado logo no primeiro lance da etapa complementar. O zagueiro errou o tempo de bola e permitiu que Jhon Córdoba avançasse sozinho. O atacante carimbou a trave e Bürki salvou no rebote, mas o lance seria cancelado por impedimento. E a tranquilidade do Dortmund se confirmou logo depois, com o terceiro gol aos três minutos. Reus assumiu o papel de garçom e deu uma enfiada de bola estupenda, para Jadon Sancho invadir a área. O ponta encarou a marcação e bateu no alto para ampliar.

Depois disso, o Dortmund se deu ao luxo de relaxar um pouco mais. Achraf Hakimi e Sancho deram alguns sustos, mas Mark Uth exigiria outra defesaça de Bürki – de novo cancelada por impedimento. O lance do Colônia só valeu quando realmente entrou, com o gol de honra anotado aos 19 minutos. Kingsley Ehizibue encontrou Uth pelo lado esquerdo da área e o atacante, emprestado pelo Schalke 04, bateu cruzado para superar Bürki. Neste momento, Haaland estava pronto à beira do campo, para entrar no lugar de Hazard.

Logo no primeiro lance, Haaland quase marcou, mas acabou bloqueado dentro da área. O centroavante deu ânimo à equipe, sobretudo por sua vontade de deixar seu tento. O Dortmund tinha certa dificuldade nas bolas alçadas em sua área, mas qualquer temor seria resolvido pela fome de gols do norueguês. O quarto gol, o primeiro dele, viria em um bombardeio aos 32 minutos. Horn salvou os chutes de Hakimi e Guerreiro, mas o rebote ficaria limpo, para que Haaland mandasse para dentro.

Com espaço para contra-atacar, o Dortmund se contagiou. Todo mundo voltou a buscar as redes. Sancho mandou para fora e Hakimi exigiu mais uma boa defesa de Horn. De qualquer maneira, o predestinado se chama Haaland. O centroavante fechou a contagem aos 42. A partir de uma saída rápida de Bürki, os aurinegros emendaram o contragolpe. Mahmoud Dahoud deu o passe em profundidade, o centroavante ganhou na corrida e passou por Horn. O melhor ficaria para a definição, quase na linha de fundo, conseguindo mandar a bola na lateral da rede. A festa estava completa. No fim, Hummels quase marcou contra, em desvio que bateu na trave, e felizmente não prejudicou o protagonismo do camisa 5.

Contra um adversário que ofereceu poucos riscos defensivos, Lucien Favre repetiu seu 3-4-3, que funcionou ofensivamente. Brandt se saiu bem dando ritmo pelo meio e os lançamentos funcionaram muito bem. No entanto, por mais que Reus tenha participado bastante na construção das jogadas, o momento é de Haaland. O treinador precisará repensar o time para botar o novo artilheiro. E agora, ao que parece, ou ele muda o esquema ou saca um de seus destaques no tridente ofensivo. O compromisso contra o Union Berlim, na próxima rodada, pode ser uma boa oportunidade para testar.

O Borussia Dortmund encerra a sexta-feira na terceira colocação da Bundesliga. A equipe chega aos 36 pontos, a quatro do RB Leipzig, mas ainda aguardando a definição da rodada. O momento anima, pelo potencial ofensivo que o time ganha com o novo reforço. O Colônia, por sua vez, interrompe a boa sequência recente. O time vinha de quatro vitórias seguidas, o que significou certo alívio, embora não tenha livrado totalmente o risco de rebaixamento. Os Bodes ocupam o 13° lugar, com 20 pontos, a três da zona de playoffs contra o descenso.

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