O chaveamento da Copa do Mundo de 1990 não poderia ter sido mais cruel com o coração dos napolitanos. Se tudo ocorresse bem para a seleção italiana, o Estádio San Paolo receberia a Azzurra na semifinal do Mundial. E os anfitriões cumpriram o prometido com uma campanha irretocável, liderada por uma defesa que não havia sofrido um gol sequer nos cinco jogos anteriores. Porém, o adversário não poderia ser mais querido à torcida da casa. Afinal, a paixão da cidade por Maradona transcende o futebol: o Napoli sempre foi um símbolo da luta do sul do país contra a opressão do norte. E justamente o maior motivo de orgulho dos napolitanos estaria lá para confrontar a Itália, em um momento no qual era tratado como um vilão pela imprensa do resto do país. O camisa 10 também queria sua vingança.

VÍDEO: Todos os lances de Maradona no maior jogo de sua vida – e um dos maiores do futebol

Aquele jogo pode não ter sido dos mais espetaculares, mas foi um dos mais simbólicos. A torcida, logicamente, pendeu mais à Itália. Mas se manteve mais reticente do que de costume. O primeiro tempo esteve nas mãos da Azzurra, com Totò Schillaci aproveitando um rebote após chute de Vialli. Entretanto, a Argentina resolveu jogar o que ainda não havia jogado nos mata-matas. Sob o talento de Maradona, mesmo sem a melhor forma física, a Albiceleste pressionava. E, enfim, Caniggia conseguiu romper a invencibilidade de Zenga, após 518 minutos sem sofrer gols no torneio. Nem mesmo a fantástica defesa com Baresi, Bergomi, Ferri e Maldini evitou o pior.

Durante a prorrogação, a Itália pressionou durante todo o tempo, mas Goycochea salvou brilhantemente uma falta de Roberto Baggio. Já nos pênaltis, a brecha para que o goleiro se consagrasse de vez. Nas quartas de final, em um jogo no qual os sul-americanos já tinham sido inferiores à Iugoslávia, Goycochea assegurou a classificação nos pênaltis. E o “tapa penales” se tornou outra vez protagonista, pegando os chutes de Donadoni e Serena. Maradona teve a resposta que tanto queria sobre os italianos e que, de certa forma, empunhou a bandeira dos napolitanos contra um país que “por 364 dias do ano, tratam um povo como estrangeiro dentro do próprio país” – segundo as palavras do próprio craque. No entanto, em seu reencontro com a Alemanha Ocidental em uma final, o camisa 10 não teve a mesma alegria de quatro anos antes.

Relembre aquele grande jogo, ocorrido há exatos 25 anos: