Cidade: Colônia, na Renânia do Norte-Vestfália (1,08 milhão de habitantes)
Estádio: Estádio Rhein-Energie (49,7 mil espectadores)
Técnico: Markus Gisdol (desde novembro de 2019)
Posição em 2019/20: 14°
Participações na Bundesliga: 49
Projeção: fugir do rebaixamento
Principais contratações: Ondrej Duda (M, Hertha Berlim), Sebastian Andersson (A, Union Berlim), Ron-Robert Zieler (G, Hannover)
Principais saídas: Jhon Córdoba (A, Hertha Berlim), Simon Terodde (A, Hamburgo), Birger Verstraete (M, Royal Antuérpia), Marcel Risse (M, Viktoria Köln), Lasse Sobiech (D, Zurique), Mark Uth (A, Schalke 04)
Brasileiros no elenco: Nenhum
Time na estreia da Pokal: Timo Horn, Schmitz, Meré, Czichos, Jannes Horn; Hector, Skhiri; Drexler, Rexhbecaj, Özcan; Thielmann.

O Colônia parecia fazer o certo quando sofreu o inesperado rebaixamento à segunda divisão, na mesma temporada em que disputou a Liga Europa. Os Bodes mantiveram boa parte de seus protagonistas e conquistaram o acesso de imediato, apesar de caírem de rendimento na metade final da campanha. Porém, não dá para dizer que o clube segue um caminho tão firme para evitar o fantasma do descenso nos próximos meses. Não há indicativos de evolução e as limitações no Estádio Rhein-Energie são expressas. Voltar às competições continentais, hoje, não soa mais que utopia.

A permanência do Colônia na elite em 2019/20 dependeu basicamente de três meses de bom futebol. Achim Beierlorzer era o novo treinador para a temporada e saiu depois de 11 rodadas, com apenas duas vitórias. Markus Gisdol também começou apanhando e os Bodes foram parar na lanterna da Bundesliga, mas iniciaram sua guinada em dezembro, para deixar o Z-3 antes do final do primeiro turno. A partir de então, foram oito vitórias em 11 partidas, que jogaram os alvirrubros para o meio da tabela. Mas a paralisação em março causou um impacto tremendo no time, que não venceu nas nove rodadas da retomada.

O maior sinal de alerta ao Colônia veio na última partida, quando a equipe acabou goleada por 6 a 1 pelo Werder Bremen. Tudo bem, os adversários estavam com a corda no pescoço e dependiam urgentemente do resultado, mas não dá para admitir uma derrota tão pesada contra um oponente naquela situação. A pontuação acumulada naquela arrancada evitou os problemas aos Bodes e, apesar dos pesares, Markus Gisdol foi mantido no cargo. Mas, em um clube com bastidores bastante problemáticos, a inatividade até faz parecer que tudo terminou bem em 2019/20. E a goleada na primeira fase da Copa da Alemanha, com os 6 a 0 sobre um adversário da quarta divisão, não é indicativo de nada.

O Colônia precisará montar um novo ataque para esta Bundesliga. Jhon Córdoba foi o principal responsável pelos gols nas duas últimas temporadas, mas aceitou uma proposta do Hertha Berlim. Os Bodes também não asseguraram a permanência de Mark Uth, que estava emprestado pelo Schalke e recuperou o prestígio. Já Simon Terodde, que havia arrebentado na segundona, mostrou que não é mesmo jogador à elite e se mudou ao Hamburgo. Ficou Anthony Modeste, antigo ídolo que não repete o desempenho devastador de anos atrás, até pela queda física com a idade. A venda de Córdoba, ao menos, permitiu que a diretoria buscasse Sebastian Andersson, um dos melhores jogadores do Union Berlim.

Com Andersson na frente, o Colônia deverá reforçar sua característica como um time reativo, que lança a bola e espera que o centroavante faça o trabalho duro. O sueco é bom no jogo aéreo e protege bastante a pelota, mas repete a fórmula em um clube no qual o poder ofensivo depende demais de um ou dois nomes. É preciso mais na criação. Para tanto, Ondrej Duda veio do próprio Hertha Berlim, mas não que saia de uma boa temporada após empréstimo ao Norwich.

Se dá para confiar um pouco mais na permanência do Colônia, é pela espinha dorsal bem formada do meio para trás. Timo Horn é um ótimo goleiro, apesar das variações, e o empréstimo de Ron-Robert Zieler deixa o ídolo com uma sombra e tanto para render. A zaga encontrou um esteio em Sebastiaan Bornauw, belga de 20 anos que já foi um dos melhores do time na temporada passada, contribuindo também com sua saída de jogo e com as aparições no ataque.

Já o centro de gravidade do Colônia está na dupla de volantes. Ellyes Skhiri é um jogador muito regular e provou isso em sua temporada de estreia. Tem a companhia de Jonas Hector, agora mais adiantado em campo, mas que segue como uma liderança e teve seus momentos de brilho. Na ligação, Dominick Drexler e Florian Kainz estiveram entre os principais nomes do time, mas não que tenham se sobressaído tanto. E, afinal, dependem de quem estará no comando do ataque para aparecer mais.

O Colônia, além do mais, se prende à juventude para tentar crescer. Bornauw é o principal deles, mas vários garotos com seus 20 anos ganharam minutos em 2019/20 – a exemplo do lateral Noah Katterbach, dos meias Elvis Rexhbecaj e Salih Özcan ou dos pontas Ismail Jakobs e Jan Thielmann. Pode ser que os Bodes achem joias neste grupo e ganhem novos protagonistas forjados na base, algo comum no clube. Não é, todavia, o caminho mais seguro a um time que vinha em declínio ao final da temporada passada e sofrerá sua dose de pressão para se afastar dos riscos de rebaixamento o quanto antes. E isso precisando recomeçar praticamente do zero para repensar sua construção ofensiva.

O técnico

Aos 51 anos, Markus GIsdol está em sua terceira experiência como treinador principal na Bundesliga. Trabalhou durante muito tempo nas divisões de acesso e como assistente, até dirigir Hoffenheim e Hamburgo. É um técnico a times com pretensões modestas e, no Colônia, precisaria desempenhar o papel de bombeiro – o que já tinha feito antes na carreira. Até serviu num primeiro momento, mas seu prazo de validade costuma ser curto e ele precisará se reinventar para mostrar que é o cara certo no Estádio Rhein-Energie. O trabalho recomeça árduo.

A referência

Jonas Hector está na equipe principal do Colônia há oito anos, depois de ser trazido do pequeno Auersmacher. Virou um dos principais laterais da Alemanha, disputou grandes competições com a seleção, contribuiu a momentos históricos do clube. E, aos 30 anos, é um líder em quem os Bodes podem confiar. Não quis deixar o clube após o rebaixamento e, deslocado ao meio-campo, tornou-se ainda mais participativo no jogo dos alvirrubros. Não é o jogador que vai resolver sozinho ou evitar as penúrias, mas pode ajudar a agremiação a se reerguer. E, diante da juventude ao seu lado, é um importante exemplo nos vestiários.

O reforço

Sebastian Andersson tinha uma carreira bastante rodada pela Suécia, incluindo passagens por vários clubes tradicionais, quando aceitou o desafio de jogar a segunda divisão do Campeonato Alemão. Foi bem em sua temporada de estreia com o Kaiserslautern e virou um sonho de consumo do Union Berlim. Seu encaixe ao jogo vertical dos Eisernen foi perfeito e, além de contribuir bastante ao acesso, também permitiu a efetivação dos berlinenses na elite. Não é um jogador com as características de Jhon Córdoba, de mais mobilidade e explosão. Em compensação, vem para tomar conta da grande área.