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Inglaterra enxuga as lágrimas e mira alto: “O objetivo é se tornar o melhor, como os EUA”

A Inglaterra chegou à França para a Copa do Mundo com uma grande expectativa. Semifinalistas em 2015, na Copa do Canadá, e em 2017, na Eurocopa, as inglesas viram seu time se tornar um dos mais fortes do mundo e fazer jogos de igual para igual com grandes potências. Nesta terça-feira, teve o seu maior desafio até então: os Estados Unidos, melhor time do mundo, líder do ranking mundial e atual campeã do mundo. A derrota por 2 a 1 foi doída não só pelo resultado em si, mas pela seleção que o time ficou de que poderia ter ido além com um pouco mais.

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A Inglaterra perdeu um pênalti já no segundo tempo que empataria o jogo. As inglesas parecem perto de chegar ao empate – tiveram ainda um gol anulado pelo VAR por um impedimento muito ajustado. O time ficou perto de conseguir o empate, encarou as americanas de igual para igual e deixaram o campo sabendo que o melhor time estava do outro lado, mas que elas não estão tão longe assim. Entre as lamentações pelo resultado, também houve espaço para pensar no futuro e nos próximos passos.

“O futebol pode ser cruel”

O técnico Phil Neville elogiou muito o seu time após o jogo. Mostrou também confiança no que as inglesas podem fazer – e orgulho pelo que elas já fizeram. “O futebol pode ser cruel. Nós tivemos uma jornada fantástica. Quando nós tivemos o pênalti, eu virei para o banco e disse ‘nós iremos vencer’, mas não era para ser. Eu não posso pedir mais nada das minhas jogadoras, elas deixaram tudo no campo. Nós sabíamos que seria um jogo aberto e eu senti que elas estavam começando a ficar sem fôlego no segundo tempo”, analisou Phill Neville.

“Isso é futebol e Steph Houghton teve provavelmente a melhor temporada da sua carreira. Ela teve coragem de bater o pênalti e então jogar futebol depois. Ela é uma pessoa incrível e um jogador de classe mundial”, declarou o treinador.

“Eu disse a elas, sem lagrimas hoje”, afirmou Neville. “Eu estou orgulhoso. Elas tocaram os corações da nação”, afirmou o técnico. “Eu não poderia pedir mais. Nós tivemos o momento das nossas vidas”

“Nós temos que dar 24 a 48 horas para absorve e para superaram essa decepção”, afirmou Neville. “Nada que eu possa dizer irá fazer com que elas se sintam melhores. O esporte de elite e estar no topo do mundo significa que no sábado em Nice nós temos que apresentar um desempenho. Isso irá me dizer muito sobre meus jogadores. Eu já segui em frente disso e agora estou ansioso pelo jogo do sábado”, declarou o treinador.

A dor da derrota na semifinal é grande, mas a Inglaterra tem planos futuros, segundo Phill Neville. “No minuto que o jogo terminou, meu primeiro pensamento foi: ‘como podemos ganhar no sábado?’ e meu segundo pensamento foi ‘como podemos ganhar o ouro Olímpico?’, afirmou o treinador.

Você deve estar pensando: peraí, a Inglaterra não joga a Olímpiada. Ao menos não como Inglaterra. Só que as inglesas garantiram vaga na Olimpíada de 2020 com a chegada à semifinal da Copa do Mundo e, portanto, estarão em Londres. Provavelmente em um time formado apenas por inglesas e com as cores do Reino Unido, como foi em 2012. Phil Neville será o técnico, definido pela Football Association inglesa.

“Eu estava olhando para elas e essa foi a minha motivação. E então eu olhei para elas e pensei: ‘como vencemos a Eurocopa em 2021?’ eu não irei permitir lamentar ou ir para o meu quarto e sentir pena de mim mesmo”, disse Neville, já pensando no futuro.

“Agora é nos fazer melhor e chegar aos próximos dois ou três porcento que irão nos tornar o melhor time do mundo. O objetivo é se tornar o melhor, como os Estados Unidos. Nós ainda temos um caminho a percorrer. Eu não irei parar até chegar lá”, continuou o treinador inglês. “Eu já comecei. Eu estava na minha sala à tarde planejando os próximos dois anos. É o modo como eu trabalho. É rápido”, afirmou o técnico.

“Eu as decepcionei”

A zagueira Stephanie Houghton acabou perdendo o pênalti no segundo tempo. O técnico Phil Neville a defendeu, mas a jogadora estava decepcionada. “Me disseram hoje que eu seria responsável pelos pênaltis e eu estava confiante porque eu estava marcando gols a semana toda, mas eu não conectei apropriadamente e a goleira adivinhou o canto certo”, disse a jogadora do Manchester City.

“Eu decepcionei o time, mas nós temos que tentar conquistar uma medalha de bronze agora. Eu mantenho em ótimos padrões. Estou decepcionada e de coração partido. Não é apenas eu, mas nesse tipo de ação é. Nós estávamos tão perto, mas eu estou orgulhoso de todo mundo porque nós demos tudo”, continuou a defensora. “Eu pensei que nós fomos o melhor time em termos de como nós jogamos futebol, mas em última análise, os lapsos de concentração nos custaram”.

A jogadora foi defendida também por companheiras. “A pessoa que se apresenta carrega muita coragem e nós nunca iremos colocar nada na Steph, ela é a nossa líder”, disse Ellen White, artilheira inglesa. “Eu tenho que dar o meu coração a Steph. Foi provavelmente o maior momento da carreira dela e infelizmente ela perdeu. Mas se apresentar foi inspirador para mim”, afirmou a goleira Carly Telford.

“Eu acho que vou chorar”

Ellen White, da Inglaterra (Getty Images)

Um dos grandes destaques da Inglaterra na Copa foi Ellen White, que marcou o seu sexto gol na competição – número que foi igualado por Alex Morgan, dos Estados Unidos, minutos depois. Aos 30 anos, a atacante do Birmingham City fez 23 gols em 26 jogos na temporada e acabou ganhando a posição no time titular inglês.

“Eu vou chorar. Eu estou devastada em não chegar à final. Tudo que eu sinto é orgulho das minhas companheiras. Os Estados Unidos fizeram uma partida incrível e nós não conseguimos igualar. Eu estou orgulhosa de ser inglesa e eu desejo a elas o melhor na final”, afirmou a atacante, que é a artilheira da Copa ao lado de Alex Morgan com seis gols.

“Nós demos tudo. No primeiro tempo nós fomos desleixadas. Nós nos colocamos no jogo novamente com o gol e é amargamente decepcionante. Nós temos um elenco inacreditável e acreditávamos tanto que poderíamos ir para a final, mas não pudemos fazer isso no dia”, continuou a centroavante inglesa.

“Espero que muitas garotas e garotos peguem a camisa da Inglaterra”

A goleira Carly Telford foi outra a lamentar a eliminação de modo tão dolorido. Ela substituiu a lesionada Karen Bardsley. “Foi devastador, de partir o coração. Não é como nós pensamos que a jornada terminaria”, disse Telford.

“Eu soube ontem [segunda] à tarde que eu iria jogar. Eu tive 24 horas para me preparar, mas eu senti que eu estava me preparando a minha vida inteira. Eu preferiria estar no lado vencedor”, continuou a goleira. “Eu espero que muitas jovens garotas e garotos peguem a camisa da Inglaterra. Esta é uma mensagem importante para nós”.

“Inglaterra precisa ser honesta com si mesma”

Para chegar a resultados ainda melhores em uma seleção que tem crescido muito, a Inglaterra precisa tomar a derrota na semifinal como uma lição. Foi o que disse a ex-jogadora do Arsenal e da seleção inglesa, Alex Scott, à BBC. “A Inglaterra foi vencida por um time melhor. Quando você olha para o time dos Estados Unidos, eles estavam melhores fisicamente, implacáveis e precisos quando precisaram ser. Essas são lições que a Inglaterra precisará tomar”, disse a ex-jogadora.

“Como nós chegamos ao próximo nível? Elas precisam ser honestas com elas mesmas, precisam olhar e avaliar. Elas precisam aprender uma lição dura e precisam aprender a ser verdadeiras umas com as outras para dar o próximo passo”, continuou Scott.  “Todas as jogadoras precisam olhar para si mesmas e perguntar: ‘O que precisa ser feito para ser melhor e o melhor do mundo?’. Esse é o nível”.

Avaliando o desempenho do time, Scott ainda acredita que é preciso que o time melhore em vários aspectos. “Desleixadas é a palavra certa para a Inglaterra ao longo do torneio no segundo tempo, quando o time ficou cansado. Se Phil vem com uma filosofia de querer um time que fique com a bola e saia jogando de trás, nós precisamos ser melhores com a bola. Por vezes nós fomos os arquitetos da nossa própria queda, dando a bola para os Estados Unidos”, explicou a ex-jogadora.

Inglaterra enfrenta a seleção perdedora entre Suécia e Holanda no próximo sábado, às 12h (horário de Brasília), no estádio de Nice. As inglesas tentarão repetir o melhor resultado da seleção na Copa – justamente o terceiro lugar na Copa do Mundo anterior, em 2015.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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