França

Vous n'irez jamais seul

Quando se anuncia uma partida entre Liverpool e Lyon em Anfield, logo se imagina que todo o favoritismo recaia sobre os Reds. Resta supor que o OL, quando muito, voltaria para casa com um empate, algo a ser muito comemorado. O que dizer então de uma vitória por 2 a 1, de virada, com direito a um gol nos acréscimos? Era o resultado que faltava para convencer que os lioneses realmente estão dispostos a apagar os fiascos dos últimos anos na Liga dos Campeões.

O mais importante deste jogo foi ver que o Lyon enfrentou o Liverpool sem qualquer complexo de inferioridade. Esta ideia afetou a equipe sempre quando se defrontava com algum peso-pesado do continente, mesmo quando as chances de obter um bom resultado eram razoáveis. O começo da partida, quando o OL pressionou os donos da casa, deixou bem clara esta mudança de postura.

Os primeiros 45 minutos foram pautados por duas lesões que fizeram o Liverpool se recuperar do domínio dos visitantes. A primeira foi a de Gerrard, que não estava em seus melhores dias e deixou o campo com um problema muscular na coxa. Em seguida, a zaga do Lyon se viu sem Cris, também machucado. Sem um de seus principais elementos defensivos, o OL se desorganizou e permitiu que Benayoun abrisse o placar.

A segunda etapa serviu como cenário para Gonalons brilhar. O meio-campista de origem entrou em campo no lugar de Cris, com a necessidade de escapar da fogueira para não se tornar mais um talento jogado aos leões em um duelo decisivo. E o jovem se saiu muito bem em sua missão. Após alguns momentos de hesitação, ele logo entrou no clima da partida e se tornou um dos principais destaques.

O toque de Midas, porém, fica com Claude Puel. O treinador teve seu dia bestial ao promover três alterações que deram o tom da vitória lionesa. A primeira, como comentado, foi a entrada de Gonalons, autor do gol de empate – foi a primeira vez que o jovem balançou as redes como profissional. Em seguida, ele colocou Gomis em campo para aumentar a força de seu ataque. Por último, o golpe final: Delgado, que definiu a vitória nos acréscimos.

Com 100% de aproveitamento em seu grupo, o Lyon vê as portas das oitavas de final da LC se abrirem à sua frente. Com um futebol sólido, o OL demonstra ao menos estar com mais brio do que em um passado recente na competição. Esta vontade e equilíbrio em campo fazem a torcida esperar enfim por um desempenho digno nos mata-matas do torneio. Resta saber se esta garra não se trata apenas de algo momentâneo e se vestirá de amarelo em um momento decisivo.

Uma Irlanda no meio do caminho

Definido o adversário da repescagem para a Copa do Mundo-2010, a França agora se prepara para os duelos de novembro contra os irlandeses. Se quiser ir à África do Sul, a seleção de Raymond Domenech ao menos terá a chance de decidir a parada no Stade de France, após um primeiro duelo no Croke Park, em Dublin. Poderia ser pior para os Bleus, mas os irlandeses são daqueles adversários bem chatos.

Para começar, a Irlanda é uma das poucas equipes invictas nas Eliminatórias Europeias. Em dez partidas, foram quatro vitórias e seis empates – dois deles contra a campeã mundial Itália, que só arrancou um 2 a 2 em Dublin com um gol nos instantes finais. Na defesa, os irlandeses também se mostraram difíceis de ser batidos. A equipe sofreu apenas oito gols, reforçando sua fama de zaga quase inviolável.

Por outro lado, o ataque não partilha da mesma eficiência. A Irlanda marcou somente 12 gols nas Eliminatórias-2010, a pior marca entre os oito classificados para a repescagem. Robbie Keane foi o responsável por quase metade deles: cinco. Ou seja, além de ir poucas vezes às redes, a Irlanda concentra seus gols em um único jogador. Isto pode simplificar a tarefa dos Bleus.

Os franceses também contam com outro dado a seu favor. Desde 1981, os irlandeses não sabem o que é derrotar a França. A Irlanda também não faz gols nos Bleus há três partidas. Nas Eliminatórias da Copa-2006, os franceses conseguiram superar os rivais em Dublin, graças a um gol arrancado a fórceps por Thierry Henry e suficiente para garantir o triunfo por 1 a 0.

Os franceses não devem esperar vida fácil diante da Irlanda. Os confrontos prometem ser bastante amarrados, pouco agradáveis para quem assiste e com grandes chances de terminar com poucos gols. No entanto, seria pior ter pela frente a Bósnia e seu terrível tridente ofensivo. O fato de decidir em casa pode ser o fator crucial para os Bleus decidirem sua sorte, mas jogar em seu território nem sempre traz boas lembranças – o exemplo da Bulgária está aí.
 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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