Volta ao título em 60 anos
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Quase 60 anos depois, o Lille voltou a sentir o gosto de conquistar o título francês. Em uma semana mágica, o LOSC celebrou a dobradinha e, ironicamente, viu o Paris Saint-Germain ser o ilustre coadjuvante das duas festas. Se o PSG viu os Dogues levantarem a taça da Copa da França, agora foi a vez do time da capital ver o adversário fazer a festa em pleno Parc des Princes pela Ligue 1.
O empate por 2 a 2 coroou a excelente temporada do Lille, dono do futebol mais bem jogado do país graças ao seu estilo ofensivo aliado com a eficiência. Se na temporada passada faltou maior consistência e regularidade à equipe, nesta o LOSC aliou seu estilo de jogo ofensivo com um sistema de criação inspirado. Méritos para o treinador Rudi Garcia, que conseguiu encontrar o equilíbrio necessário na defesa para tornar o time menos vulnerável.
Grande parte desta melhoria se deve ao trabalho do meio-campo. O capitão Rio Mavuba teve importância decisiva ao longo da temporada, com um senso de posicionamento em campo que lhe valeu a supremacia na hora de desarmar os adversários. Florent Balmont não mereceu tanta atenção, mas seu papel foi de importância semelhante. Sua parceria com Mavuba formou um sistema de proteção à zaga quase inviolável. Sua ausência nas rodadas finais devido a uma lesão reflete bem a falta que faz ao LOSC, que quase se complicou na luta pelo título ao oscilar demais em suas apresentações.
Yohan Cabaye, por sua vez, pode não ter tido o mesmo brilho exibido na temporada passada. Ele marcou apenas dois gols, contra 13 bolas na rede em 2009/10. No entanto, a escassez de gols foi compensada completamente por sua visão de jogo e qualidade no passe. No total, foram sete assistências para seus companheiros, em claro sinal de que ele soube se adaptar muito bem ao seu novo papel na equipe.
Em 37 rodadas, nada menos do que 65 gols marcados. Moussa Sow fez quase um terço deste total (22). Deixado de lado no Rennes, o senegalês encontrou seu espaço no Lille e brilhou intensamente. Muito de seu sucesso se deve à parceria com Gervinho e Eden Hazard que, juntos, deram 18 assistências. Isso sem contar os 15 gols do marfinense e os sete tentos do jovem, principal revelação da temporada.
Com justiça, todos os holofotes vão para o ataque do Lille. No entanto, a defesa também deve ser lembrada como essencial na conquista do título. Antes da última rodada, os Dogues sofreram apenas 34 gols, a segunda defesa menos vazada da Ligue 1. As críticas à instabilidade do setor deram lugar à solidez trazida pela dupla Adil Rami e Aurélien Chedjou, de estilos complementares e que se tornou, sem dúvida, a principal muralha do país.
Nas laterais, Mathieu Debuchy chamou a atenção por sua regularidade, enquanto Franck Béria revelou seu lado polivalente. Para completar, a experiência do goleiro Mickaël Landreau foi fundamental para acalmar os nervos do elenco quando o Lille parecia deixar o título de mão beijada para o Olympique de Marselha. Isso, claro, sem esquecer de seu desempenho muito bom em campo.
Como se não fosse suficiente, Rudi Garcia teve à disposição reservas que corresponderam quando a equipe mais precisou. Ludovic Obraniak, por exemplo, fez gols apenas nos dois jogos decisivos contra o PSG. Túlio de Melo mostrou ser uma boa opção para um ataque poderoso. Pierre-Alain Frau, com cinco gols, também trouxe tranquilidade com sua experiência.
Com um grupo formado quase que por anônimos, Garcia teve a chance de comandar um Lille que encantou e fez jus ao apelido de “Barcelona francês”. Quando o LOSC teve a chance de voltar à política que fez sucesso em temporadas não tão distantes assim, ao preferir um exército de operários a apostas em nomes conhecidos, voltou a exibir um grande futebol. Foi assim com Claude Puel, e agora se repete. O título e o retorno à Liga dos Campeões são um prêmio aos Dogues por sua eficiência.
Ameaças
Empatar com um time que está desesperado para fugir do rebaixamento nunca é bom, ainda mais quando você está na briga por uma vaga na Liga dos Campeões. O Lyon teria motivos de sobra para se lamentar pelo 0 a 0 com o Caen em pleno Gerland, mas contou com a ajuda do Lille. O 2 a 2 do LOSC com o Paris Saint-Germain no Parc des Princes permitiu ao OL manter a vantagem de dois pontos sobre o time da capital e ficar a um passo de assegurar o terceiro lugar na Ligue 1. Ironicamente, o time espera contar com a ajuda do Saint-Etienne, seu rival regional, que enfrenta o PSG na última rodada.
A torcida, obviamente, não perdoou Claude Puel. O treinador, que não conta com a simpatia dos fãs do OL há tempos, sentiu como o clima anda pesado para seu lado. As já comuns faixas pedindo sua demissão continuam espalhadas pelas arquibancadas de Gerland, bem como os coros ofensivos. No entanto, o técnico viu a situação partir para algo acima do tolerável.
A família de Puel recebeu ameaças de todos os tipos e pediu para o treinador ir até a polícia e registrar queixa. O futuro do treinador está mais em dúvida do que nunca. Cerca de 500 torcedores do Lyon também fizeram protestos mais veementes exigindo a demissão. Mesmo com tamanha pressão, Jean-Michel Aulas, presidente do OL, mantém firme a sua opinião e a fé quase cega no comandante.
A amizade e confiança de Aulas em Puel já ultrapassaram os limites da razão e bom senso. A virtual classificação do Lyon para a Liga dos Campeões em nada melhorará o clima para o treinador, que tem contrato até 2012 com o clube. Em mais uma temporada frustrante, o técnico já deu claros sinais de que não tem o elenco nas mãos e está à deriva. Seria muito melhor para todos que ele deixasse o cargo ao fim desta temporada.
Corda no pescoço
A última rodada da Ligue 1 reserva uma intensa briga para escapar da guilhotina. Quem fará companhia a Arles-Avignon e Lens no elevador rumo à Ligue 2? Nada menos do que sete equipes farão de seus últimos jogos verdadeiras batalhas para continuar na elite. Apenas dois pontos separam Monaco (que hoje seria o último rebaixado), Auxerre, Brest, Nice, Valenciennes, Caen e Nancy.
De cara, o Monaco (18º, 44 pontos) tem a missão mais complicada. O time do principado tem a vantagem de atuar em casa, mas as boas notícias param por aí. O ASM pega nada menos do que o Lyon, uma das poucas equipes da parte de cima da tabela que ainda brigam por algo valioso. O OL almeja um bom resultado no Louis II para não depender do Paris Saint-Germain na disputa por uma vaga na Liga dos Campeões.
O Nancy (17º, 45) também joga diante de sua torcida e se deu bem: o ASNL pega o já rebaixado Lens, cuja motivação é apenas se despedir da Ligue 1 de forma digna. O Caen (16º, 45) recebe o Olympique de Marselha. Poderia ser um duelo bem mais complicado, mas cabe lembrar que o OM já tem o segundo lugar assegurado e, portanto, entra em campo sem qualquer pretensão.
Em situação um pouco mais confortável, o Brest (13º, 46), joga em casa contra outra equipe que apenas cumpre tabela: o Toulouse. O Auxerre (12º, 46) visita o Lorient, mais um sem grandes aspirações. Valenciennes (15º, 45) e Nice (14º, 46) fazem o jogo com maior potencial de variadas emoções. Pode ser um duelo de compadres ou uma briga de foice dependendo do andamento dos demais jogos da rodada.