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Vitória do Brasil é importante pelo peso, mas não pela forma

A seleção brasileira finalmente teve a vitória de peso que precisava na preparação à Copa das Confederações e à Copa do Mundo de 2014. A equipe de Luiz Felipe Scolari derrotou a França por 3 a 0 em Porto Alegre e conquistou a primeira vitória sobre uma seleção campeã do mundo desde dezembro de 2009. O resultado elástico, todavia, ajuda a esconder uma atuação do Brasil com várias ressalvas.

Felipão apostou na continuidade e escalou uma equipe bastante parecida com a que enfrentou a Inglaterra, com troca apenas na lateral esquerda, onde Marcelo substituiu Filipe Luís. Porém, a postura do Brasil no primeiro tempo foi bastante diferente da vista contra os ingleses. Os franceses se mantiveram igualmente retraídos, mas faltava a calma necessária à seleção brasileira para concluir as jogadas.

Ao invés da troca de passes e da cadência de jogo, a Seleção rifava muitas bolas ao ataque. Não tinha movimentação e, consequentemente, não criou boas chances diante da fechada defesa dos Bleus. Neymar, que foi vaiado na saída de campo, até tentou, mas foi pouco eficiente, enquanto Fred mal aparecia. A única oportunidade veio em uma trapalhada de Hugo Lloris na saída de bola. E os seis jogadores que mais participaram do jogo foram justamente os quatro defensores e os dois volantes.

O panorama melhorou um pouco na volta do intervalo. Os franceses vinham menos recuados e permitiram que o Brasil atacasse com mais velocidade. Foi a deixa para que Oscar e Hulk aparecessem mais e o time utilizasse melhor as laterais, com as subidas de Marcelo e Daniel Alves. E, aos nove minutos, em uma roubada de bola de Luiz Gustavo no meio de campo, na qual Fred deixou de ser o centroavante acomodado dentro da área, nasceu o primeiro gol brasileiro.

Por conta do cansaço de Oscar, sobrecarregado na temporada, Felipão não demorou a mandar a campo Lucas e Fernando, deixando a seleção brasileira um pouco mais fechada. O que não significou grandes lances da França, que não conseguia dar sequência a suas jogadas ofensivas e só levou perigo à meta de Júlio César quando a defesa falhou. Didier Deschamps ainda procura um prumo após o fracasso na Euro, mas tem dificuldades para reformular os Bleus.

Em ritmo lento a partir dos 20 minutos, o Brasil só voltou a finalizar aos 40. Em um contra-ataque, Hernanes balançou as redes pela segunda vez. Motivo suficiente para que a França abaixasse a guarda e desse brechas para o terceiro tento, nos acréscimos, de Lucas, em um pênalti que teve todos os méritos para Marcelo.

O resultado é importante para motivar a seleção no processo urgente de montagem do time que se instalou às vésperas da Copa. Entretanto, é importante que ele não maquie as deficiências que se evidenciaram na Arena do Grêmio. Faltou constância ao Brasil, bem como tranquilidade com a posse de bola. Os treinos até a Copa das Confederações serão úteis para sanar os problemas. Sobretudo, para que a impressão superficial do resultado não impere.

Destaque do jogo

As jogadas em velocidade do Brasil. Quando a seleção conseguiu aproveitar os espaços do campo e explorar principalmente a laterais, os gols nasceram. Foi assim com Fred se deslocando pela esquerda no primeiro, com Lucas e Neymar abrindo o jogo no segundo e, por fim, com Marcelo arrancando no terceiro.

Momento-chave

A participação de Luiz Gustavo na jogada do gol. Para alguns, o volante brasileiro cometeu falta no meio-campo, antes de passar a bola para Fred. O árbitro entendeu o lance como normal e mandou o jogo seguir. A interpretação fez toda a diferença à favor da seleção brasileira.

Os gols

9’/2T – GOL DO BRASIL! Luiz Gustavo rouba a bola no meio de campo e passa para Fred. O atacante arranca pela esquerda, invade a área e rola para Oscar. Bem posicionado dentro da área, o meia finaliza sem dificuldades.

39’/2T – GOL DO BRASIL! Contra-ataque puxado por Paulinho. Lucas recebe na direita e inverte o jogo para Neymar. O atacante ajeita para Hernanes arriscar da entrada da área. Hugo Lloris toca na bola, mas não evita o gol.

47’/2T – GOL DO BRASIL! Marcelo faz ótima jogada individual e é derrubado por Mathieu Debuchy dentro da área. Pênalti para o Brasil, que Lucas converte deslocando Lloris.

Curiosidade

Didier Deschamps sofreu a quinta derrota com a seleção francesa, o máximo já alcançado por um treinador do país com 11 partidas no cargo.

Ficha técnica

BRASIL 3×0 FRANÇA

Brasil escudo Brasil
Júlio César, Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz e Marcelo; Luiz Gustavo (Hernanes, 36’/2T) e Paulinho (Dante, 42’/2T); Hulk (Lucas, 20’/2T), Oscar (Fernando, 20’/2T) e Neymar (Bernard, 44’/2T); Fred (Jô, 26’/2T). Técnico: Luiz Felipe Scolari

França

França
Hugo Lloris, Mathieu Debuchy, Mamadou Sakho, Adil Rami e Jérémy Mathieu; Josua Guilavogui, Blaise Matuidi (Charles Grenier, 25’/2T) e Yohan Cabaye (Bafetimbi Gomis, 37’/2T); Dimitri Payet, Karim Benzema (Olivier Giroud, 25’/2T) e Mathieu Valbuena (Alexandre Lacazette, 25’/2T). Técnico: Didier Deschamps
Local: Arena do Grêmio (Porto Alegre-BRA)
Árbitro: Victor Carrillo (PER)
Gols: Oscar, 9’/2T; Hernanes, 40’/2T; Lucas, 47’/2T
Cartões amarelos: David Luiz
Cartões vermelhos: Nenhum

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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