Vergonha em dose tripla na LC

Olympique de Marseille, Lyon e Lille merecem colocar um saco de mercado na cabeça. Os três passaram vergonha em seus compromissos pela Liga dos Campeões nesta semana e se complicaram na briga pela classificação às oitavas de final. OM e LOSC amargaram derrotas em casa; já o OL levou uma surra do Real Madrid da qual não se esquecerá por muito tempo. Os fracassos deixam dúvidas se os três têm realmente condições de passar de fase, ou se devem mesmo se contentar com o papel de meros figurantes.
No Santiago Bernabéu, o Lyon tomou um baile do Real Madrid, daqueles que demoram para ser esquecidos e servem como lição por muito tempo. A sova tomada pelo OL colocou a equipe em seu devido lugar dentro da competição: nada mais do que um bom coadjuvante. Não dava para se esperar grande coisa dois lioneses na casa dos rivais, mas a atuação sem qualquer brilho chama a atenção.
O técnico Remi Garde surpreendeu ao escalar o Lyon em um 4-2-3-1 e com Yoann Gourcuff como titular. Desde o início da partida, o OL apenas correu atrás da bola, observando os toques rápidos e envolventes do Real Madrid. Gourcuff, que em teoria seria o responsável por criar alguma coisa, mais uma vez decepcionou. O meia, é verdade, não está em suas melhores condições físicas; porém, Garde apostou nele mesmo assim e viu seu time praticamente nem incomodar Casillas.
Com os Merengues superiores em todos os planos, o OL entregou os pontos no segundo tempo e levou um duro golpe, que talvez terá reflexos na briga pela segunda vaga do grupo D. Na disputa com o Ajax, o Lyon precisa mostrar sua cara, e não escondê-la como fez diante do Real Madrid. Aliás, daqui a duas semanas, os lioneses têm a obrigação de exibir um futebol bem melhor diante do rival espanhol em Gerland.
O Lille dependia de um bom resultado em casa diante da Internazionale para ganhar algum fôlego para os dificílimos compromissos como visitante em Milão e Moscou. O LOSC colocou tudo a perder. Com o 1 a 0 sofrido em casa, os Dogues ocupam a lanterna do grupo B e se complicaram demais na briga por uma vaga nas oitavas de final. Resta agora esperar por um milagre.
Em busca de sua primeira vitória na chave, o Lille concentrava seus ataques ao explorar as costas de Nagatomo. No entanto, os cruzamentos de Balmont e Debuchy não tinham a precisão necessária para levar perigo à meta defendida por Julio Cesar. Já a Internazionale se deu melhor ao se concentrar nos contra-ataques, usando a velocidade de Pazzini e Zarate. Foi em um deles que o time milanês definiu o resultado ainda no primeiro tempo.
Na segunda etapa, a Internazionale conteve o LOSC ao preencher melhor os espaços em campo, sem dar oportunidades para os atuais campeões franceses articularem qualquer jogada ofensiva. O máximo que conseguiu foi uma sequência infrutífera de escanteios no fim da partida. Se quiser se dar o direito de sonhar com alguma coisa na LC, o Lille não tem mais direito de errar.
O Olympique de Marseille tem menos motivos para chorar suas feridas, mas mesmo assim caiu diante do Arsenal em pleno Vélodrome e com um gol marcado nos últimos instantes do jogo. Mesmo com o 1 a 0 sofrido diante dos Gunners, o OM ainda permanece com boas chances de classificação, embora o resultado sirva de alerta parra os comandados de Didier Deschamps.
Em casa, o OM apresentou uma defesa sólida e que suportou bem às investidas do Arsenal, que teve maior posse de bola. Bem organizados, os marselheses também mostraram qualidades para atuar no contra-ataque. Neste ponto, a atuação de André Ayew foi decisiva, mas de forma negativa. Ele encontrou dificuldades para superar a marcação do jovem Jenkinson e depois a de Djourou, comprometendo boa parte da força ofensiva do Olympique.
O OM só deu sinais de fragilidade na parte fim do duelo, quando o Arsenal pressionou com mais veemência e encurralou os donos da casa. Pode parecer pouco, mas os marselheses precisam confiar mais em suas forças. No Emirates, os marselheses precisarão mais do que nunca da mesma solidez defensiva exibida no Vélodrome, mas com melhores soluções no ataque.
Decepção e exuberância
Passadas dez rodadas da Ligue 1, o Bordeaux aparece entre os três últimos colocados. Para desespero da torcida dos girondinos, a equipe já faz por merecer esta condição há tempos por seu futebol medíocre. Há duas temporadas, os Marine et Blanc fazem exibições abaixo da crítica, mas ainda conseguiam um ou outro lampejo. Desta vez, porém, não há nem brilharecos em suas partidas mais recentes, o que já acende o sinal de alerta no clube.
O Bordeaux não tem ido além de exibições para lá de questionáveis. O time não consegue vencer em casa e, como visitante, mostra-se presa fácil para os adversários. Um bom exemplo foi a derrota por 3 a 0 para o Nice, que está bem longe de ser uma das potências da Ligue 1. Antes, a equipe já havia amargado um empate por 2 a 2 com o Montpellier, em resultado bastante lamentado – os girondinos venciam por 2 a 0 e permitiram a reação dos visitantes. Outra derrota categórica veio diante do Lyon, com um 3 a 1 incontestável em Gerland.
O treinador Francis Gillot bem que tentou mexer com o grupo, mas de nada adiantou. Contra o Nice, a defesa do Bordeaux convidou os Aiglons para fazer o que bem entendessem no início da partida. Além da passividade da defesa, os Marine et Blanc não demonstravam qualquer sinal de reação. Algo sintomático, já que o Nice nem precisou de muitos esforços para aproveitar o posicionamento confuso de Michaël Ciani e Vujadin Savic no miolo da zaga.
Os girondinos até podem alegar que sua defesa ficou mais exposta com a ausência de Landry N’Guemo. Só que todos os setores do time naufragaram diante de um rival que tocou a bola com alguma qualidade. Vejam bem: o Nice não incorporou o toque-toque do Barcelona, mas teve ao menos alguma inteligência de fazer a bolar rolar de forma mais qualificada. Foi o suficiente para deixar o Bordeaux tonto.
Com apenas uma vitória em dez partidas, o Bordeaux está bem longe de atingir a meta traçada por seu treinador, que desejava algo entre 20 e 25 pontos antes da pausa de inverno. O time precisa mesmo se cuidar para não repetir o destino de Nantes, Lens e Monaco, que até outro dia lutavam pelo título francês e agora vivem no purgatório da segunda divisão. Há tempo para a reação.
Do outro lado da tabela, o Paris Saint-Germain se impõe com força crescente. O Ajaccio sentiu a força do líder e, mais especificamente, de Kevin Gameiro. O atacante foi o autor de um hat trick nos 3 a 1 do time da capital na Córsega, em dia “à la Inzaghi”, como o próprio jogador disse após a partida. Os parisienses navegam em águas tranquilas, com uma pequena gordura de três pontos para Montpellier e Lyon.
A excelente fase de Gameiro, artilheiro da Ligue 1 com oito gols, traduz o momento iluminado do PSG. Esta foi a sétima vitória da equipe da capital em oito partidas, o que espanta as dúvidas iniciais sobre se conseguiria corresponder aos elevados investimentos feitos pelos qatarianos. Curiosamente, os parisienses nunca haviam vencido o ACA na Córsega.
A construção da vitória do PSG, porém, teve seus momentos de hesitação. A equipe abriu o placar logo aos 2min, mas sua defesa começou a falhar demais e permitiu o empate dos donos da casa. Em outras épocas, seria o suficiente para os parisienses darem ainda mais espaço aos adversários, mas os tempos são outros. A frieza demonstrada pela equipe foi a maior responsável pela vitória, como se viu com o domínio da posse de bola favorável ao time da capital. Com Pastore cada vez mais à vontade, será difícil pegar o líder.



