Vai ou fica?
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Uma hora, ele diz que nem pensa em deixar o Lille. Em outra, assume com todas as letras seu desejo de se transferir para o Lyon. Michel Bastos havia garantido na última rodada da recém-encerrada edição da Ligue 1 que permaneceria no LOSC, classificado para a disputa da Liga Europa. No entanto, bastaram alguns dias para que o lateral/meio-campista mudasse radicalmente de opinião. O interesse do OL o fez repensar sua decisão, para desespero da torcida dos Dogues.
No plano de reformulação do elenco lionês, Michel Bastos se encaixaria com perfeição na equipe. Com a saída de Juninho Pernambucano, o Lyon perdeu seu ícone dos tempos de glória e sua principal referência no meio-campo. O jogador do Lille preenche exatamente o perfil do antigo ídolo, com sua alta capacidade técnica e até mesmo na qualidade na cobrança de faltas. Em sua terceira temporada no LOSC, o brasileiro viveu seu melhor momento.
Com 14 gols marcados e nove assistências na temporada, ele foi considerado como um dos melhores jogadores da Ligue 1. No Lyon, além da oportunidade de substituir alguém de tamanha importância como Juninho, Michel Bastos teria outras motivações para querer se mudar para Gerland. A primeira delas está na chance de vestir outra camisa. Não é de agora que o meia está na mira de Dunga para uma possível convocação para a Seleção. Jogando no Lille, a missão de vestir a camisa amarela ficaria mais complicada, mesmo que ele comesse a bola. No OL, por sua vez, naturalmente a exposição seria bem maior e uma lembrança por parte do técnico não causaria tanta estranheza.
A segunda se encontra no banco de reservas e no elenco. Claro que não se trata de uma tarefa das mais simples assumir o lugar de um ídolo. O peso da responsabilidade sob os ombros, a necessidade de confirmar sua capacidade e a adaptação a um ambiente completamente novo poderiam levá-lo a sentir muitos problemas e talvez não rendesse em campo da mesma forma. Pelo menos, Michel Bastos não seria um completo estranho no OL. Para começar, ele estaria sob o comando de Claude Puel, o treinador que o lançou na Ligue 1. Além do treinador, vários de seus ex-companheiros de Lille compõem o elenco lionês.
Se o jogador se manifestou disposto a trocar de ares e o Lille não faz muitas objeções para a saída dele, a negociação com o Lyon já estaria bem encaminhada, certo? Nem tanto. O LOSC exige uma bela compensação financeira para permitir que seu principal destaque deixe o clube. Os Dogues pedem algo em torno dos € 18 milhões. Um valor justo pelo que Michel Bastos apresentou nas últimas temporadas, mas que assustou a diretoria lionesa – ressabiada pelos altos investimentos feitos num passado recente e que se revelaram verdadeiros fracassos (como nos casos de Jean II Makoun e Kader Keita, coincidentemente vindos da equipe do norte).
A ida de Karim Benzema para o Real Madrid encheu os cofres lioneses, mas isso não quer dizer que a diretoria esteja disposta a torrar todo o dinheiro de uma vez só. Além da vinda de Lisandro López, o OL planejava usar a quantia para trazer pelo menos mais dois jogadores (um meia e um atacante). A se julgar pela capacidade de fazer negócios furados apresentada nos últimos tempos, o Lyon agora corre o risco de querer pechinchar demais e perder a oportunidade de fazer uma ótima negociação.
Caso Michel Bastos não venha, o Lyon teria em sua mira Patrick Vieira. O nome do francês ganhou força principalmente depois que o Paris Saint-Germain desistiu de querer contratá-lo. Caso o brasileiro permaneça no Lille e Vieira não passe de um sonho, o OL se arrisca a comprometer a qualidade de seu meio-campo, pois nem Éderson nem Källström provaram ter os meios suficientes para dar criatividade ao setor. Deste jeito, nem Lisandro López ou o melhor atacante do mundo resolveriam os problemas ofensivos da equipe.
Novos em folha
A França sonha em receber a Eurocopa-2016. O projeto do país em sediar a segunda mais importante competição entre seleções do mundo já tem até seu logotipo, mas há ainda muito a ser feito em um ponto primordial: os locais das partidas. Exatamente por isto, diversos clubes, em associação com as prefeituras, pretendem reformar seus estádios para que tudo fique conforme manda o figurino. E em termos de arenas, os franceses ficam atrás de seus vizinhos.
Boa parte dos estádios franceses carrega uma enorme história por trás. Só que também trazem consigo antigos problemas de infraestrutura, incompatíveis com os tempos atuais. Nem mesmo as adaptações feitas para que a França organizasse a Copa do Mundo em 1998 parecem suficientes para agradar a Uefa. No entanto, em época de crise econômica mundial, todo e qualquer investimento em construção ou reforma de praças esportivas esbarra nos cintos apertados de possíveis parceiros para as obras.
Os dirigentes aguardam com bastante interesse o desenrolar no Senado da adoção de uma disposição na qual as praças esportivas, sejam elas públicas ou privadas, tornem-se de interesse público. Caso seja aprovada, esta medida permitirá ao governo financiar os acessos aos estádios, mesmo que eles sejam privados – algo que a lei proíbe hoje. Apenas isso já serviria como uma bela injeção de recursos para melhorar as condições de quem pretende acompanhar os jogos in loco.
Jean-Michel Aulas está na torcida para que tal proposta seja aceita. O presidente do Lyon não esconde sonha em erguer uma nova arena para a equipe, com capacidade estimada em 60 mil lugares. Os planos do dirigente vão além. Ele planeja levantar um complexo em torno da arena, com instalações esportivas, parque de lazer e uma área comercial, dotada de hotéis e escritórios. Tudo também depende, claro, da aprovação da comunidade, que pode exigir mudanças no projeto. De qualquer forma, o novo estádio lionês tem previsão para funcionar a partir de 2013.
Outra questão na qual as obras nos estádios franceses esbarram está na própria população. Algumas associações de moradores já se manifestaram contra a ideia de ter arenas maiores ou novas em suas vizinhanças, o que atrapalharia suas vidas e pioraria as condições de trânsito, traria impacto ao meio ambiente e outros problemas. Junte-se a isso projetos que estão empoeirados de tanto esperar por uma discussão mais profunda e teremos um panorama nada positivo.
Em Strasbourg, o grupo britânico Hammerson foi encarregado de construir uma nova arena para substituir La Meinau. Pediu uma ajuda de € 100 milhões à prefeitura local, o que foi negado. O projeto inicial, orçado em € 150 milhões, saltou para inimagináveis € 400 milhões. O jeito foi pensar em uma maneira de reformar La Meinau, com um gasto estimado em € 100 milhões.
Em Nancy, o projeto de aumentar a capacidade do estádio esbarra na lentidão burocrática. Um comitê de análise foi constituído para analisar a viabilidade do projeto, conforme indica o clube. Em outras palavras, lá se vão mais semanas perdidas em torno de discussões que não chegam a lugar algum. Em Valenciennes, a ideia de se erguer o Nungesser II foi interrompida pouco depois de nascer. Tudo por conta de uma ação dos moradores da região, preocupados com o impacto das obras, “que não trariam qualquer benefício à vizinhança”. Então tá.
O Saint-Etienne também queria uma casa nova, mas terá que se contentar com um caldeirão de Geoffroy-Guichard mais ‘azeitado’. O Nice pelo menos recebeu uma boa notícia: o grupo PriceWaterHouseCooper preparará até o fim do ano um projeto de um estádio 100% ecológico. No Vélodrome, o conselho municipal de Marselha ao menos ajudou o Olympique: por unanimidade, aprovou a renovação do estádio. Nos planos, constam o aumento da capacidade (de 57 mil para 70 mil espectadores) e a colocação de uma cobertura, em um custo estimado de € 150 milhões bancados por fundos públicos e privados.
O Lille festeja finalmente ter entrado em acordo para a construção do Grand Stade Lille Metrópole, cujas obras devem começar em breve. De concreto mesmo, somente o Le Mans tem motivos para se orgulhar: o MMArena deve abrir suas portas para receber partidas do clube a partir da temporada 2010/11. O local terá capacidade para 25 mil pessoas. Contudo, a França precisa acelerar se quiser ter nas mãos um belo trunfo para ganhar a disputa para receber a Euro-2016.