Tudo azul
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Em um grupo equilibrado na Liga dos Campeões, o Lyon não poderia ter estreia mais animadora do que a vista contra o Schalke 04. Enquanto o time patina na Ligue 1, o OL fez valer a força de atuar em Gerland e derrotou os Azuis Reais por 1 a 0. Claro que os lioneses ainda precisam evoluir e o triunfo não os transforma em heróis imbatíveis, mas as circunstâncias fizeram a equipe deixar uma impressão positiva para seus torcedores – apesar do horrível uniforme escolhido para os jogos da LC.
No início do jogo, o Lyon exibiu seus velhos problemas apresentados neste início de temporada. Com um posicionamento defensivo problemático e um meio-campo pouco criativo, o OL sucumbiu à boa marcação feita pelo Schalke 04. A equipe alemã, porém, assemelhou-se aos donos da casa no quesito dificuldades na defesa. E foi assim que os lioneses abriram o placar com Michel Bastos, na primeira finalização da equipe na partida.
Era o cenário perfeito para um time que fazia uma apresentação correta, sem grandes brilhos, mas também sem deslizes catastróficos. Para o Lyon, a situação ficou ainda melhor com a expulsão de Höwedes, após falta violenta em Briand, ainda na primeira etapa. Ora, se era exatamente a marcação o ponto forte dos Azuis Reais, o OL teria um pouco mais de liberdade para trocar passes e ameaçar o rival no segundo tempo.
E assim se fez após o intervalo. O Lyon adiantou sua marcação e multiplicou suas chances ofensivas. Como Toulalan, que atuou em sua posição preferida, esteve em noite inspirada na marcação, o Schalke 04 pouco fez para buscar o empate. Huntelaar, por exemplo, foi completamente anulado por Diakhaté. Raúl, por sua vez, não teve a ajuda necessária de seus companheiros e, sozinho, pouco conseguiu.
Apesar da vitória, o técnico Claude Puel precisa ficar atento a algumas coisas. Ele escalou um 4-3-3 interessante no papel, com um meio-campo que sugeriria uma boa pressão ofensiva com Pjanic e Gourcuff. No entanto, o time só pressionou o Schalke 04 de verdade quando ficou com um jogador a mais. Só aí o OL apresentou a fluidez necessária para controlar a partida. O Lyon precisa se destravar um pouco mais para deslanchar na temporada.
Girondinos na forca
Ao olhar para a tabela da Ligue 1 após cinco rodadas, leva-se um susto ao ver o Bordeaux na zona de rebaixamento. Para um time que pensava recuperar seu status de força no campeonato e seguiu um discurso firme de retorno à disputa da Liga dos Campeões, os girondinos exibiram um futebol pífio até agora, como bem resumiu a derrota por 2 a 1 sofrida para o Nice. Foi o suficiente para provocar a ira do presidente Jean-Louis Triaud, mas a verdade é que o time ainda não engrenou.
A vitória por 2 a 1 sobre o Paris Saint-Germain em pleno Parc des Princes e o empate por 1 a 1 com o Olympique de Marselha deram uma falsa impressão de que os Marine et Blanc estavam de novo em seus melhores dias. Afinal, desde o final da temporada passada o time fazia apresentações marcadas pelo marasmo. Além disso, a novela em torno da saída do técnico Laurent Blanc e as transferências de Yoann Gourcuff e Marouane Chamakh pareciam superadas, como mostravam estes resultados iniciais.
Tudo não passou de uma euforia de momento. Para comprovar a péssima fase do Bordeaux, basta analisar os números referentes a 2010. Os girondinos sofreram sua terceira derrota em cinco jogos na atual edição da Ligue 1. Os Marine et Blanc ficam em posição ainda mais vergonhosa em outro aspecto: com a queda diante do Nice, o time está na liderança dos que mais perderam neste ano – foram 13 reveses contra 11 do Sochaux.
Triaud não suportou mais um vexame e botou a boca no trombone. O presidente disse que viu uma equipe do CFA (quarta divisão, formada por times amadores) contra o Nice e que isso não poderia durar mais. Tudo muito bonito, mas o que fazer na prática? O treinador Jean Tigana não tem em mãos as peças necessárias para suprir as ausências de Gourcuff e Chamakh. Sem seu principal articulador e na falta de um bom atacante, o poder ofensivo dos girondinos caiu drasticamente.
Contra o Nice, o Bordeaux esteve irreconhecível se comparado ao time campeão da temporada retrasada. Sem um meio-campo capaz de organizar minimamente as jogadas ofensivas, os girondinos já seriam vítimas fáceis para os Aiglons. Como o OGC ainda exerceu uma marcação implacável no setor, a tarefa ficou completamente facilitada. Previsíveis, os Marine et Blanc pouco puderam fazer.
Tigana tem enfrentado uma grande dificuldade em seu trabalho. Como se não fosse suficiente ter que encontrar meios para superar as perdas de jogadores importantes, o treinador tenta impor seu estilo a um elenco desorganizado. Com a sequência de resultados ruins, a falta de confiança dos jogadores torna qualquer mudança mais complicada.
O técnico tenta adotar um estilo diferente do utilizado por Blanc. Tigana quer ver o Bordeaux com uma forma de jogar mais direta e, por isso, com maior participação dos atacantes. O treinador, porém, bate cabeça para definir o esquema tático mais adequado para o time. Ele começou com um 4-4-2 em losango; como não deu certo, partiu para um 4-2-3-1, de resultados semelhantes e com quase nenhuma evolução.
Seria exagero dizer que o Bordeaux deve se preocupar para não cair, pois ainda estamos nas rodadas inicias da Ligue 1. No entanto, dá para se afirmar com todas as letras que os girondinos pagarão caro por esta péssima largada. O plano de classificação para a Liga dos Campeões passa pela construção de um time sólido, e o que se viu até agora em campo foi uma equipe sem coesão alguma. Tigana precisa mostrar serviço logo.