França

Thuram sobre a escassez de técnicos negros e racismo: “Duvidam da nossa inteligência”

Liliam Thuram foi um excelente e inteligente zagueiro, campeão mundial pela França, destaque de Monaco, Parma, Juventus e Barcelona. Aposentado, acha que seria um “péssimo treinador” porque não consegue perdoar com facilidade. Mas não por causa da cor da sua pele, como pensa a sociedade, segundo ele. Em entrevista ao L’Equipe, o ex-jogador falou muito bem sobre racismo e escassez de técnicos negros no futebol.

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Para o ex-jogador, os negros são valorizados porque a cultura do futebol os vê como grandes atletas, “fortes”, mas na hora de formular uma estratégia tática ou de ter concentração, não são confiáveis, e que isso não muda porque muitas pessoas têm medo de perder oportunidades de emprego. “Isso é racismo”, diz ele.

Há pessoas que podem ser os melhores atletas, têm a capacidade física, mas para ser treinador, você precisa de uma inteligência tática, um pouco de disciplina, e não pode colocar qualquer um. A sociedade acha isso. Desde que eu era criança, ouço essas palavras. “Mas, ei, quando você é um treinador, tem que desenvolver uma estratégia”. Há pessoas que duvidam que os negros podem fazer isso. Para jogar, tudo bem, mas para o resto… A sociedade é preconceituosa. Duvida da inteligência de algumas pessoas.

Um jogador negro ou do norte da África, ou outro tipo, não é estúpido. Mas se em algum momento você vê que, de fato, não há muitos treinadores como você, você não segue esse caminho. Vê que terá mais dificuldades para chegar lá. Desde o início, você está desanimado. Leva referências de que não é possível.

Quando eu era mais jovem, dizia-se que os jogadores negros não podiam jogar na defesa porque eram fortes, mas ainda cometiam erros; ou o goleiro: fortes, ágeis, mas ainda cometem erros porque não conseguem se concentrar. Antes que eles jogassem.

Há vários jogadores que não são brancos, e como explicar que nos bancos de reserva este não é o caso? Portanto, temos que pensar sobre o que fazer para mudar as coisas, mas com cuidado. Porque alguns não querem necessariamente que as coisas mudem porque eles têm menos probabilidade de emprego. Isso é racismo.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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