Só deu OL…ic

No primeiro jogo da semifinal da Liga dos Campeões, todos os jogadores do Lyon reconheceram que o time poderia ter sido mais incisivo no Allianz Arena. Afinal, a expulsão de Ribéry deixava a situação excelente para os visitantes, mas de nada adiantou – até porque Toulalan também levou o vermelho. A promessa de uma pressão maior e de um futebol com melhor qualidade em Gerland ficou apenas no discurso. No duelo de volta, o mesmo OL sem sal viu o time alemão passear sem grandes dificuldades.
Desde o início, ficou claro para o torcedor que o dono da casa era o Bayern, com a incrível chance perdida logo no princípio das ações. A entrada de Michel Bastos como titular se mostrou pouco eficiente. O meia, que Dunga insiste em achar que ainda joga como lateral-esquerdo, esforçou-se para melhorar a qualidade no passe e na organização ofensiva da equipe. No entanto, a excelente marcação defensiva do Bayern o engoliu.
Exatamente como uma semana antes no Allianz Arena, o OL não conseguiu adiantar sua marcação. De forma desordenada, partiu para o ataque na base de um abafa de pouca objetividade, dando o contra-ataque ao Bayern. O time alemão aproveitou-se do presente para ver sua tarefa ficar ainda mais simples. Era só esperar a hora certa que o gol sairia naturalmente, e ele veio com Olic.
Com o gol marcado pelo croata, as esperanças de classificação do Lyon caíram por terra. Se até então o OL pouco havia incomodado o goleiro Butt, o nervosismo e, em seguida, o abatimento pela necessidade de fazer três gols logo se instalaram nos jogadores. Os lioneses continuavam com os mesmos erros vistos na primeira partida: o meio-campo não conseguia abastecer Lisandro López de forma decente, e o atacante argentino se viu isolado na frente, como uma figura decorativa.
Nem mesmo a entrada de Gomis no segundo tempo serviu para aumentar o poder de fogo do Lyon. Foi quando Cris resolveu jogar tudo para o alto e afundar completamente o time ao ser expulso de forma infantil (para não dizer grotesca) ao aplaudir de forma irônica uma decisão do juiz. Se o capitão da equipe mostra descontrole emocional quando a equipe mais precisava ter sangue frio, isso já mostra como não tinha mesmo como dar certo.
Olic fez seu nome no jogo com três gols, em uma defesa que esteve perdida praticamente durante todos os 90 minutos. E Ribéry nem estava em campo; bastou apenas a presença de Robben para liquidar com as esperanças do OL de disputar pela primeira vez a decisão da LC. O sonho de Jean-Michel Aulas de ver o clube entre os grandes da Europa foi adiado mais uma vez.
Não dá para falar em amarelada, como até se podia julgar em outros anos. No entanto, faltou sim um pouco mais de boa vontade para se resolver os defeitos da equipe, tão evidentes no jogo de ida. De nada adiantou Puel fazer suas mudanças se o espírito continuou igual. Agora, o OL deve concentrar suas forças para ao menos se classificar para a próxima LC, o que não está fácil. E, para a próxima temporada, o clube precisa parar com seu complexo de superioridade e achar que faz excelente negócio ao torrar milhões de euros para contratar reforços que não valem uma pataca.
Para o alto; para baixo
Enquanto a febre amarela toma conta de algumas equipes nesta reta final da Ligue 1, outras aproveitam os deslizes dos concorrentes para subir na tabela. Este é o caso do Lille, cada vez mais perto de conquistar a tão sonhada vaga para a Liga dos Campeões. Mesmo sem fazer seu jogo mais brilhante, o LOSC derrubou o Le Mans por 2 a 1 fora de casa e subiu para o terceiro lugar – tudo bem que o Lyon ainda pode ultrapassá-lo, mas apenas o fato de estar no pódio já tem grande significado para os nortistas.
Dono do melhor ataque do campeonato, o Lille seguiu os mesmos passos do Olympique de Marselha. Se o líder se esforça para ganhar suas últimas partidas por uma margem mínima de diferença, repetir os mesmos passos parece ser uma boa. Desde janeiro, os Dogues não ocupavam uma das três primeiras posições na tabela da Ligue 1. E a rodada foi excelente para o LOSC se aproximar do Olimpo.
Ao lado do Auxerre, o Lille foi a única equipe do bloco dos primeiros colocados a ganhar fora de casa. Para variar um pouco, Bordeaux e Montpellier, que até pouco tempo atrás pareciam certos na LC e estavam na disputa pela taça, aumentaram sua coleção de tropeços e perdem terreno. Melhor para o LOSC de Túlio de Melo, autor de um dos gols da vitória sobre o Le Mans e que preferiu não comemorar em respeito ao seu antigo clube.
Se o Lille navega em águas calmas, o Bordeaux enfrenta tormentas terríveis e perdeu completamente o rumo neste fim de temporada. Derrotado na final da Copa da Liga da França, eliminado pelo Lyon da Liga dos Campeões e com uma sequência de péssimos jogos, os Marine et Blanc deixaram a condição de postulantes a comemorar um dos melhores anos de sua história. Agora, o elenco girondino se prepara como pode para ocupar os botes salva-vidas no meio da tragédia.
O time nem tem mais forças para reagir diante de uma equipe como o Lorient, vencedora por 1 a 0. Apesar do placar magro, os Merlus tiveram total domínio das ações, evidenciando como a nau do Bordeaux está completamente sem rumo. Laurent Blanc bem que tentou mudar os rumos do Titanic girondino, colocando novos jogadores em campo. Tal qual o navio construído para ser “inafundável”, o time não resistiu ao encontrar o primeiro iceberg pelo caminho – e felizmente sem a Celine Dion.
A queda vertiginosa se verifica pelos números: apenas um ponto ganho em 15 possíveis na Ligue 1, seis derrotas em oito partidas (levando-se em consideração todas as competições disputadas), uma distância de onze pontos atrás do líder Olympique (isso antes do jogo contra o Valenciennes)… Tudo parece dar errado para o Bordeaux, exatamente quando mais ele precisava de paz para conseguir seus objetivos.
Para piorar, eis que Yoann Gourcuff também resolver passar um tempo na enfermaria. É bem verdade que o meia estava há tempos vagando em campo como um fantasma, mas antes ele atuando mal do que não jogando. Além dele, Planus, Fernando, Sertic e Cavenaghi estão de molho. Some-se a isso as suspensões nesse meio tempo e teremos um belo conjunto de problemas para acabar com o lado psicológico de qualquer time. Os Marine et Blanc, que sonhavam com a temporada perfeita, correm sério risco de ficar com o mico na mão.



