Quem não tem Capello, caça com Blanc
O Paris Saint-Germain enfim resolveu a questão sobre quem será seu próximo treinador. O clube teve que lidar com diversas recusas, tentativas infrutíferas e sonhos malucos para fechar com sua milionésima opção (e para quebrar as pernas do colunista que acreditava no acordo com Fabio Capello). Laurent Blanc assume o comando da equipe longe de ser uma unanimidade nos corredores do Parc des Princes, e por isso já começa seu trabalho sob pressão.
O nome de Blanc foi sugerido desde o início dos boatos sobre a saída de Ancelotti, mas nunca esteve no topo da lista. A recusa de Capello mudou a forma de pensar da diretoria do PSG, mais por uma necessidade do que convicção que o ex-treinador da seleção francesa era mesmo indispensável. Fora dos holofotes, o treinador viu na oferta parisiense a chance de retornar à vitrine em um clube em ascensão.
Blanc teve um bom início em sua carreira como treinador, quando levou o Bordeaux à conquista do título da Ligue 1 e da Copa da Liga Francesa em 2009. Contudo, sua capacidade foi colocada em xeque quando ele passou ao comando da seleção francesa. Visto como a esperança de retomada do orgulho na seleção francesa após a conturbada passagem de Raymond Domenech, ele não teve pulso para controlar o grupo. Discutiu com Hatem Ben Arfa, viu Samir Nasri discutir com um jornalista e passou a imagem de um técnico sem voz de comando. O que era para ser um sopro de renovação acabou como uma confirmação da mesmice.
Este traço da personalidade de Blanc pode complicar seu trabalho no PSG. O treinador prefere conversar com os jogadores e agir com base no papo franco com o grupo. Pode ser uma estratégia pouco recomendada em um elenco formado por egos inflados, reforços milionários e gente graúda que não vai jogar sempre. Blanc assinou um contrato por duas temporadas, mas qualquer um sabe que ele terá apenas um ano para provar que pode, sim, ser um técnico de respeito.
Blanc vai apenas esquentar o banco enquanto a diretoria do PSG espera o fim de contrato de Arsène Wenger com o Arsenal no meio de 2014. Caba a ele definir se exercerá mesmo esse papel de transição, quase como um interino de luxo, ou se deseja evoluir em sua carreira. Ele tem totais condições de manter o clube no topo da Ligue 1 e de fazê-lo evoluir na Liga dos Campeões. Basta não se contentar com a pecha de fracasso que se instituiu por conta do fiasco francês na última Euro.
O sucesso de Blanc à frente do PSG depende demais do trabalho de dois homens. Jean-Louis Gasset, seu eterno auxiliar, e Claude Makélélé servirão como para-raios para o treinador, que paga pela imagem negativa de ‘frouxo’. Por outro lado, a torcida pode esperar um time voltado para o ataque e calcado na posse de bola, características marcantes do estilo do treinador.
Com a confirmação do treinador, apesar de Blanc não ser a menina dos olhos dos qatarianos que mandam no clube, o PSG pode, finalmente, começar a preparar seu planejamento para a contratação de reforços. A equipe precisa recuperar o tempo perdido nas últimas semanas com muita conversa fiada e o desgaste provocado pelas seguidas negativas de treinadores (olha o Capello aí de novo…).
As incertezas fizeram o PSG largar muito atrás de seus principais concorrentes, como se pode ver pela tática ostensiva adotada pelo Monaco. Blanc, porém, terá peso praticamente nulo nas decisões sobre quem chega ao clube. Esta missão cabe ao diretor de futebol Leonardo, algo ao qual Carlo Ancelotti nunca se acostumou e engolia a seco.
O primeiro alvo do PSG deve ser Lucas Digne. O lateral esquerdo está na Turquia para a disputa do Mundial sub-20 e pode deixar o Lille por € 15 milhões. O clube da capital tem a concorrência… do Monaco. Outros nomes ventilados no Parc des Princes são os de David Luiz, Axel Witsel, Hernanes e Edinson Cavani. As cartas foram embaralhadas e distribuídas, mas o técnico apenas observa o desenrolar das jogadas.



