França

Quem mandaaqui sou eu

Ameaçado de perder a única esperança de salvação da temporada, o Lyon resolveu colocar em campo suas melhores armas para encarar o Bordeaux. No confronto entre os dois primeiros colocados da Ligue 1, prevaleceu a soberania do hexacampeão, ferido pela eliminação da Liga dos Campeões diante do Manchester United e pelas críticas por seu futebol de pouco brilho até aqui. Aos girondinos, mais do que o amargor da derrota foi perder Wendel, vítima de uma entrada criminosa de Réveillère, que recebeu apenas um cartão amarelo. Sem o atacante, um de seus principais destaques, os girondinos perdem força ofensiva em um momento crucial.

O confronto em Gerland teve ares de grande decisão. O OL vinha de uma derrota em Old Trafford, símbolo de como a temporada tem sido cruel para um time sem encanto. A exuberância de anos anteriores ficou para trás, com um elenco mais fraco, reforços que não engrenaram e uma irregularidade fora dos padrões normais para um clube tão exigente. Uma nova derrota permitiria não só ao Bordeaux alcançá-lo na ponta da tabela, mas também seria uma rasteira de deixar a cara suja de terra bem quando tentava se reerguer de um tombo feio.

Ao Bordeaux, motivado pela boa campanha e com a possibilidade real de dar o golpe no dono do poder, era a chance de acabar com o pouco moral dos lioneses em uma semana bastante dura. Um triunfo daria aos Marine et Blanc a chance de se igualar ao OL, mas ter a vantagem de seguir nas rodadas finais do campeonato com a cabeça erguida, enquanto o adversário mal poderia se equilibrar em suas próprias pernas. Os girondinos só não contavam com um Lyon em seus melhores dias.

A tensão estava no ar e se comprovou logo nos primeiros instantes. Em sete minutos, foram distribuídos três cartões amarelos. O Bordeaux errou logo de cara ao se deixar contagiar pelo nervosismo diante do rival. O Lyon, como se tornou característico, aproveitou-se do início tenso dos visitantes para fazer o que melhor sabe. Com uma pressão constante, logo abriu o placar. O gol de Bodmer aos 12 minutos esfriou qualquer intenção dos Marine et Blanc no começo do confronto. Mais uma vez, a tática do ‘abafa’ deu certo para os lioneses, mais donos da situação ainda.

O golaço de Bodmer aos 23 serviu como um cala-boca para quem duvidava do potencial da equipe em realmente incomodar um rival de peso. Embora o Bordeaux não seja propriamente igual ao Manchester United, o OL se deixou levar pelo excesso de tranqüilidade – e quase pagou caro por isso. Se por um lado os lioneses estavam afiados no ataque, o relaxamento não foi bem digerido pela defesa. Wendel diminuiu para o Bordeaux e o 2 a 1 no intervalo indicava mais trabalho pela frente para os anfitriões.

Sem dar chances aos inimigos, o Lyon repetiu a dose no começo da segunda etapa e foi recompensado pelo gol de Benzema. A diferença foi a postura adotada pelo Bordeaux. Se os visitantes se abateram com o 2 a 0 inicial e demoraram para reagir, desta vez o time soube controlar os nervos e encarar o líder sem medo – algo que assusta o Lyon, ainda desacostumado a se ver desafiado. O gol de pênalti marcado por Cavenaghi contribuiu para um clima emocionante para o final, com o Bordeaux próximo do empate.

Daí veio o lance fundamental para o desenrolar dos minutos finais. Réveillère acertou sem dó o tornozelo de Wendel, que deixou o gramado e foi substituído por Chamakh. A saída do brasileiro deixou o Bordeaux órfão na frente, pois Cavenaghi não estava em um de seus dias de melhor inspiração. Como o Lyon também preferiu se manter na defesa, os visitantes diminuíram drasticamente o nível de suas ações. Keita fechou o placar nos acréscimos, em uma prova de quem realmente dá as cartas na França.

O Lyon abriu uma confortável vantagem de seis pontos sobre o rival, tirou um grande peso das costas após a derrota para os Red Devils e ganham ânimo para seus próximos compromissos. O saldo para o Bordeaux foi péssimo, e nem tanto pelo resultado negativo fora de casa. A perda de Wendel, que deve ficar pelo menos duas semanas afastado dos gramados, certamente terá seus efeitos no sistema ofensivo da equipe. Chamakh, apesar de esforçado, não tem a mesma qualidade de jogo do brasileiro, cujo entendimento com Cavenaghi se mostrava eficiente. Nada poderia ser pior para os girondinos do que perder um de seus atletas imprescindíveis. Ao OL, o caminho para o hepta se abre novamente.

Briga de foice

Se o título volta a cair nas mãos do Lyon pela sétima vez consecutiva, a disputa para escapar da zona de rebaixamento segue emocionante. O Paris Saint-Germain, que havia dado sinais de recuperação, mais uma vez deixou sua torcida desesperada ao perder por 2 a 0 para o Rennes. Para piorar, o Sochaux ganhou do Toulouse fora de casa por 2 a 1, alcançou o time da capital na tabela e colocou ainda mais pressão sobre a equipe comandada por Paul Le Guen.

Como os bretões também não se encontravam em situação das mais confortáveis, a partida começou bastante tímida. Tanto Rennes como PSG estavam mais preocupados em se fechar do que ir para a frente e tentar criar alguma coisa. Os donos da casa ensaiaram algumas jogadas com Thomert, mas foram os visitantes os primeiros a tomar a iniciativa. As retomadas de bola no meio-campo possibilitaram alguns lances interessantes aos parisienses, mas nada de muito ameaçador.

Em um duelo de dois times armados em um 4-4-2, levou a melhor quem se mostrou mais articulado na armação. Pelo Rennes, M’Bia foi muito bem no combate; se os responsáveis para pensar as jogadas do PSG estiveram em um dia infeliz, o camaronês em muito contribuiu para isto com sua boa forma física. Hansson, embora lento, também se virou muito bem contra os adversários. Leroy, por sua vez, demonstrou grande vontade de mostrar seu valor diante da equipe na qual foi revelado.

O time da capital mostrou-se acéfalo durante os 90 minutos. Apesar dos esforços demonstrados por Pauleta e Diané, muitas vezes forçados a recuar para buscar o jogo e diminuir seu isolamento, o ataque do PSG pouco incomodou. Esta falta de punch se deve muito às atuações apagadas de Armand e Souza. O primeiro, um lateral-esquerdo deslocado para o setor criativo, ficou indeciso com relação à função na qual deveria se concentrar. Já o brasileiro nada acrescentou com suas jogadas inócuas pela direita.

Junte a essa mistura um pouco de falhas defensivas e opções equivocadas do treinador para se obter a resposta para mais um fracasso do PSG. Um gol contra de Sakho e uma lambança de Ceará (de novo) e Clement originaram os gols da vitória do Rennes. Le Guen ainda fez questão de dar seu toque pessoal ao substituir um meia ofensivo (Souza) por um defensor (Mendy). Mesmo com o ex-são-paulino sem jogar bem, não dá para fazer este tipo de alteração com a necessidade urgente do time buscar o empate e melhorar a qualidade do passe, ter mais criatividade e força ofensiva.

Dos últimos 18 pontos disputados, o PSG conquistou apenas três. A vitória mais recente do clube ocorreu em 23 de janeiro contra o Metz, lanterna da Ligue 1, no Parc des Princes. Esta nova queda de produção e de confiança chega em uma péssima hora, pois o Sochaux vem em bom ritmo – ainda mais com o triunfo sobre o TFC em um confronto direto entre o penúltimo e o antepenúltimo colocados.

Os Leões mataram o jogo em 21 minutos, com a exploração do desespero dos Violetas após o gol de Erding logo aos seis. Nos contra-ataques, o Sochaux bloqueou as chances do Toulouse, forçados a alterar seu esquema de jogo. Embora Sirieix tenha sido um pouco mais incisivo do que Paulo César, nada muito espetacular por parte dos donos da casa. No início da temporada, o TFC sonhava em encarar a disputa da Liga dos Campeões. Hoje, vê-se às voltas com sua verdadeira realidade. Enquanto o Sochaux ganha motivação extra para escapar, PSG e Toulouse se afundam.
 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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