FrançaLigue 1

Quem convence ganha mais

Desfalcado de três jogadores (Clément Grenier, Yoann Gourcuff e Lisandro López), o Lyon tinha pela frente um desafio complicado para se manter no topo da Ligue 1. O OL visitou o Valenciennes, time bastante complicado de ser derrotado diante de sua torcida. Era a chance que o Paris Saint-Germain tinha para se ver sozinho na ponta do torneio. No entanto, os lioneses frustraram qualquer esperança do time da capital com uma consistente vitória por 2 a 0.

Se o PSG tem jogado sem convencer desde o início desta temporada, o Lyon padece do mesmo mal em 2013. Foi só virar o calendário para o time engatar jogos de pouco brilho. O duelo contra o Valenciennes deu novo fôlego ao OL, que recuperou seu bom ritmo dentro de campo. O segredo para o sucesso completo diante do VA foi a atuação dos Gones nos primeiros 45 minutos, quando cravaram suas garras na jugular do adversário.

Rémi Garde escalou a equipe em um 4-3-3, com Bafétimbi Gomis no comando do ataque lionês. O treinador colheu os frutos por uma formação equilibrada, mas também contou com dois fatos aleatórios que tiveram contribuição decisiva para o desenrolar da partida. O primeiro foi a excelente atuação de Gueïda Fofana, autor do primeiro gol. Até então, o meio-campista havia cumprido jogos apenas regulares com a camisa lionesa.

Desta vez, porém, Fofana se entendeu perfeitamente com Maxime Gonalons tanto no combate como nas subidas ao ataque. Foi em uma destas investidas que o Lyon abriu o placar logo aos oito minutos. Como a defesa do Valenciennes batia cabeça, os lioneses multiplicavam suas ocasiões para ampliar. Gomis teve três chances claras antes dos 15 minutos e só conseguiu vencer o goleiro Penneteau aos 28 minutos.

O segundo ponto-chave para vitória do OL foi a fragilidade da defesa do Valenciennes no começo da partida. Este problema tem um nome bem fácil de se identificar: Lindsay Rose. Contratado para substituir Gil no miolo da zaga do VA, o zagueiro foi escalado pela primeira vez como titular em um jogo da Ligue 1. Visivelmente desentrosado e fora de sua melhor forma física, ele foi engolido pelo ataque lionês.

Com a vantagem adquirida nos 45 minutos inicias e diante de um rival praticamente nulo no campo ofensivo, o OL só teve o trabalho de levar o confronto em banho-maria. A tranquilidade com a vitória e a manutenção da liderança deixam o time mais à vontade para cuidar do movimentado fim da janela de transferências. Como se sabe, o presidente Jean-Michel Aulas deseja reduzir gastos e enxugar a folha salarial, o que significa a possibilidade de se desfazer de alguns nomes graúdos.

Michel Bastos já se despediu do OL ao acertar seu empréstimo ao Schalke 04 até o final da temporada 2013/14. O Lyon também pode dar adeus a Lisandro López, que acompanhou o duelo contra o Valenciennes nas tribunas, ou mesmo a Bafétimbi Gomis. Yoann Gourcuff, apesar de sua irregularidade, também tem mercado e pode ajudar a diminuir a folha salarial da equipe. Em meio a tantas incertezas, o Lyon mantém o equilíbrio necessário para não se deixar influenciar pelas especulações do mercado.

Capenga

O Lyon tem jogado bem, mas precisa tomar cuidado com algo ameaçador: a tal sorte de campeão que parece acompanhar o Paris Saint-Germain. Mais uma vez, o time da capital fez apenas o mínimo para derrotar o Lille por 1 a 0 em casa. Embora tenham sido dominados pelo rival, os parisienses contaram com aquela ajuda do Sobrenatural de Almeida para sair do Parc des Princes com a vitória.

Tudo seria diferente se o árbitro não cometesse um erro clamoroso aos 34 minutos do primeiro tempo. Rodelin abriu o placar para o Lille, mas o gol foi anulado de forma equivocada. A jogada serviu para acordar o PSG, que até então tocava a bola de forma incipiente em seu meio de campo. O despertar dos donos da casa, porém, foi em ritmo lento. Apenas Zlatan Ibrahimovic aparentava estar a fim de jogo. Seus companheiros pouco se arriscavam e preferiam os passes burocráticos e sem um pingo de criatividade ou ousadia.

O segundo tempo veio e com ele o Lille para cima da defesa do PSG. Só que a fase do LOSC não anda nada bem e os últimos resultados do time contribuíram para uma queda acentuada da confiança do elenco. Um exemplo de como o lado psicológico tem afetado os jogadores de forma negativa foi a chance clara que Balmont teve para vencer Sirigu e deixar os Dogues em vantagem. Bem posicionado diante do goleiro parisiense, ele fraquejou.

O alívio para a torcida presente ao Parc des Princes veio não por uma jogada de sua equipe, mas por um lance de azar do Lille. Elana e Chedjou fizeram lambança em um cruzamento de Lavezzi e o último desviou contra suas próprias redes. Para coroar a falta de sorte dos visitantes, Túlio de Melo teve a chance de se redimir de suas apresentações pouco inspiradas, mas acertou o travessão a sete minutos do fim.

O PSG cumpre seu dever com a nota mínima para passar de ano, de certa forma com um jeito bem perigoso de conduzir sua estratégia de brigar pelo título. Enquanto o meio-campo e o ataque pouco produzem (exceção feita ao incansável Ibrahimovic), a defesa tem se mostrado sólida mesmo com as ausências de Alex e Thiago silva, ambos lesionados. Quem entrou tem dado conta do recado sem dever nada aos titulares.

Diante do Lille, Camara se juntou aos brasileiros na lista de desfalques. Armand o substituiu e formou uma boa dupla com Mamadou Sakho. Os dois já haviam sido escalados contra o Toulouse na Copa da França e, mais uma vez, transmitiram segurança ao restante do time. Sakho, em especial, teve o domínio completo das jogadas pelo alto, minando as chances criadas pelo LOSC nas bolas alçadas na área.

Sirigu também tem papel fundamental neste desempenho elogiado da defesa parisiense. O goleiro completou seu sétimo jogo seguido na Ligue 1 sem ter sua meta vazada e está perto de bater um recorde: o de goleiro do PSG com maior invencibilidade em jogos do Francês. Sem dúvida uma marca importante e essencial para um time que deseja o título. Para ser campeão, porém, não dá para confiar apenas no acaso. Nem sempre Ibrahimovic resolve sozinho e precisa da ajuda de seus companheiros de ataque e meio-campo para fazer a diferença.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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