França

Quem pode ameaçar o PSG multicampeão na França? Avaliamos a disputa na Ligue 1

Equipe da capital francesa vem de quatro títulos seguidos e parece mais perto do quinto do que de ser desbancada

Dominante, o Paris Saint-Germain foi campeão em 11 das últimas 13 edições do Campeonato Francês. A disputa pela Ligue 1, que começa nesta sexta-feira, ocasionalmente tem algum intruso, mas, geralmente, é um título a ser tirado do PSG.

Apenas o Monaco de Kylian Mbappé, Bernardo Silva e companhia, em 2016/17, e o Lille de Renato Sanches, Jonathan David e diversas promessas conseguiu frear os gigantes. Será possível que alguém repita o feito em 2025/26?

O contexto da Ligue 1: PSG praticamente imparável por muito tempo

Ninguém esteve efetivamente na briga pelo título em nenhum momento na temporada passada. O time de Luis Enrique foi impecável durante toda a campanha e suas únicas duas derrotas vieram nas rodadas 31 e 32 (de 34 totais) — quando o título já estava garantido.

PSG campeão do Campeonato Frances. (Foto: Divulgação/PSG)

O segundo colocado, o grande rival Olympique de Marselha, teve 19 pontos a menos do que os campeões. Na temporada anterior, o vice, Monaco, acabou nove pontos atrás (mas, novamente, o PSG teve apenas duas derrotas no campeonato inteiro).

Quem mais chegou perto foi o Lens, em 2022/23, que acabou a temporada com apenas um ponto a menos do que os gigantes parisienses. A surpresa, no entanto, não se manteve: o time se desfez e não passou da 7ª posição nos anos seguintes.

Quando o Lille foi campeão em 2020/21, foi com margem mínima: um ponto à frente e se baseando em uma defesa muito forte, com apenas 23 gols sofridos. O PSG, no entanto, ainda venceu mais e fez 22 gols a mais do que o campeão.

Somente o Monaco, em 2016/17, que sobrou em uma competição com o PSG. Foram 95 pontos (oito a mais) e 107 gols marcados (24 a mais). Mas também foi um caso a parte: no ano anterior, o clube da capital foi campeão com 31 pontos de vantagem sobre o segundo colocado.

Para Romain Lantheaume, do site francês “Top Mercato”, os dias em que os parisienses perdiam pontos desnecessariamente no campeonato francês já acabaram:

“Vimos na Champions League e na Copa do Mundo de Clubes o quanto o PSG tem uma força coletiva real, capaz de esmagar seus adversários europeus e globais. Então imagine o que isso significa para a Ligue 1…”

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Haverá competição para o PSG na próxima temporada?

O Paris Saint-Germain chega a 2025/26 embalado na melhor temporada da história do clube. Sem um grande nome central como nos anos anteriores e com um dos trabalhos mais consolidados do mundo, o time foi campeão nacional e da Champions League com grandes méritos.

É justo dizer que, novamente, o roteiro da nova temporada pode ser muito semelhante. Em termos domésticos, poucos podem ter campanhas tão consistentes quanto a que o time parisiense tem feito nos últimos anos.

A briga, no entanto, ainda pode ocorrer. E dois clubes têm potencial para atrapalhar a vida de Luis Enrique e companhia: Olympique de Marselha e Monaco.

Olympique de Marselha: consolidação do trabalho e evolução

Roberto De Zerbi comandou o melhor time francês na temporada para além do PSG. Apesar das questões defensivas que percorrem o treinador há anos, o italiano levou o Marselha a grandes níveis de desempenho com seu estilo de jogo único e quase caricato.

Angers SCO v Olympique de Marseille – Ligue 1
Roberto De Zerbi pelo Marselha (Foto: Imago)

Tirando o PSG da conta, foi quem teve:

  • O melhor ataque da Ligue 1 (74 gols, oito a mais do que o próximo na lista);
  • A maior posse de bola (63,6%);
  • Maior número de chutes ao gol por partida e melhor aproveitamento de finalizações;
  • O artilheiro da competição Mason Greenwood (21 gols, empatado com Ousmane Dembélé).

Para a atual temporada, a equipe ainda tem fortalecido o elenco com bons reforços, além de concretizar as chegadas em definitivo de jogadores importantes que estavam emprestados, como Pierre-Emile Hojbjerg, Jonathan Rowe e Neal Maupay — que, juntos, chegaram a 32 milhões de euros.

A principal contratação da equipe na temporada é Igor Paixão, atacante brasileiro que foi destaque e um dos artilheiros da Eredivise no Feyenoord, e supre a saída de Luis Henrique, que se transferiu para a Inter de Milão. Além dele, renovou o empréstimo do zagueiro Facundo Medina e teve duas grandes contratações sem custos: Angel Gomes e a volta de Pierre-Emerick Aubameyang.

A equipe de De Zerbi mantém um elenco que performa muito bem com suas ideias, jogadores em evolução e adições de grande potencial para elevar o nível do time. Ainda não é justo dizer que é uma equipe que pode despontar o PSG na briga pelo título, mas pode dar mais trabalho do que a temporada passada.

Monaco: reforços badalados e fórmula parecida com último título

AS Monaco 2025/2025 Season Press Conference
Pogba em apresentação no Monaco (Foto: Imago)

O Monaco tem sido um dos times que ocasionalmente chega perto, mas não conseguiu mais repetir o sucesso de disputar de fato com o PSG pelo troféu. Mas 2025/26 pode ser uma temporada para elevar o nível.

Adolf Hütter entrará em seu terceiro ano como treinador do Monaco e o trabalho foi constante nas duas últimas temporadas. A pré-temporada atual também é animadora: oito jogos e apenas uma derrota, no último jogo da sequência, para a Inter de Milão — apesar de dominar o confronto.

É um time jovem, com média de idade de menos de 24 anos, e uma mescla de jovens de muito potencial, como Maghnes Akliouche e Mika Biereth, e veteranos consolidados, como Denis Zakaria e Aleksandr Golovin.

Além disso, as contratações recentes de Paul Pogba, Eric Dier e Ansu Fati, todos de graça (o último por empréstimo), também anima para a disputa de uma temporada que pode emular a do título — que contava justamente com uma mescla de veteranos como João Moutinho e Falcao Garcia e estrelas em ascensão, como Mbappé, Bernardo Silva, Fabinho e outros.

É uma equipe que mescla entre um curioso 4-4-2 tradicional e o 4-2-3-1 e conta com vários jogadores versáteis nas posições ofensivas. E os reforços podem ajudar o time a alcançar um patamar maior, mesmo que ainda não o suficiente para desbancar o PSG.

Para Lantheaume, os reforços dos principais rivais não podem ser deixados de lado, mas dificilmente os transformará em equipes consistentes suficiente para brigar pelo título.

“O Marselha se fortaleceu bem, mas terá dificuldades para competir em várias frentes. O Monaco também teve uma janela de transferências interessante, mas essas duas equipes provavelmente terão falta de consistência e passarão por momentos de baixa durante a temporada”, reforçou.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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