Futebol francês

‘Ajustes sutis e energia nova’: A estratégia do PSG no mercado que potencializa o elenco de Luis Enrique

Sem revolução, clube francês renova peças de apoio e aumenta repertório para temporada 2026/27

O Paris Saint-Germain não entrou no mercado de transferências com a necessidade de reinventar um time campeão. Pelo contrário. Depois de conquistar as duas últimas edições da Champions League, o clube francês preserva a espinha dorsal que levou Luis Enrique ao topo da Europa e tem concentrado seus esforços em outro tipo de trabalho: mexer no elenco ao redor dos titulares.

A lógica é simples, mas exige precisão. Se o time principal funciona, as mudanças precisam servir para ampliar as possibilidades do treinador, e não para alterar aquilo que já dá resultado.

Essa parece ser a linha adotada pelo PSG nesta janela. Jogadores que encontravam dificuldades para conquistar espaço foram negociados, enquanto a diretoria passou a buscar alternativas capazes de acrescentar características diferentes ao grupo.

Gonçalo Ramos (Milan), Lee Kang-in (Atlético de Madrid) e Kolo Muani (Juventus) deixaram Paris. As saídas aliviaram a disputa por minutos e, ao mesmo tempo, abriram espaço financeiro para novas movimentações. Os três, somados, renderam mais de 155 milhões de euros aos cofres parisienses.

Não se trata, portanto, de trocar peças por trocar. Luis Enrique já havia sinalizado que o plantel sofreria apenas pequenos ajustes, justamente porque melhorar um time que acabou de conquistar a Europa duas vezes consecutivas é uma tarefa difícil. O diretor Luis Campos segue a mesma lógica: em vez de procurar nomes bombásticos, o PSG procura jogadores que possam resolver necessidades específicas.

Akliouche engrandece rotação do PSG

Akliouche durante treino da seleção francesa
Akliouche durante treino da seleção francesa (Foto: Anthony Bibard / FEP / Icon Sport)

A chegada de Maghnes Akliouche talvez seja o melhor exemplo dessa estratégia. O meia-atacante deixou o Monaco em uma operação de 50 milhões de euros e chega a Paris depois de uma temporada em que disputou 43 partidas, marcou sete gols e concedeu dez assistências. Aos 24 anos, já passou pelo processo de adaptação ao futebol de alto nível e também integrou a seleção francesa na Copa do Mundo 2026.

O mais interessante para Luis Enrique, porém, não está somente nos números. Akliouche é um jogador capaz de atuar aberto, especialmente pelo lado direito, mas também de ocupar zonas mais centrais e participar da criação. Tem condução curta, qualidade no um contra um, capacidade para receber entre linhas e um repertório técnico que permite acelerar a jogada sem depender exclusivamente de velocidade.

É justamente esse tipo de versatilidade que pode fazer diferença em um elenco no qual a movimentação dos homens de frente é uma das principais características.

A saída de Lee Kang-in ajuda a explicar a contratação. O sul-coreano tinha qualidade técnica e capacidade para ocupar diferentes funções, mas nunca conseguiu transformar tal versatilidade em vaga permanente no time de Luis Enrique.

Akliouche chega para disputar minutos em um cenário semelhante, mas com características que podem oferecer novas soluções ao treinador. Não necessariamente para tirar alguém do time titular, mas para evitar que a equipe perca capacidade de criação quando precisar recorrer ao banco.

É aí que a expressão “ajustes sutis e energia nova”, usada pelo jornal “Marca” para definir as movimentações do PSG, ganha sentido. A ideia não é produzir uma revolução. É fazer com que o elenco seja mais completo sem mexer na estrutura que já provou ser vencedora.

Lucas Digne segue exatamente essa lógica. O lateral-esquerdo retorna ao PSG vindo do Aston Villa por uma operação de aproximadamente 7 milhões de euros e assinou contrato até 2029. Aos 33 anos, ele não chega para ameaçar a condição de Nuno Mendes como titular absoluto; e sim para solucionar um problema recorrente em temporadas longas: o que acontece quando o principal jogador da posição precisa descansar ou fica fora.

Digne oferece experiência que poucos reservas do plantel poderiam entregar. É internacional francês desde 2014, disputou duas Copas do Mundo e passou por Lille, Roma, Barcelona, Everton e Aston Villa. Na Inglaterra, teve papel importante na campanha que terminou com o título da Liga Europa do Villa em 2026.

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Um elenco mais profundo sem alterar a identidade

Luis Enrique orienta jogadores do PSG durante amistoso
Luis Enrique orienta jogadores do PSG durante amistoso (Foto: Bagu Blanco / Icon Sport)

A política também aparece na contratação de Alessandro Longoni. O goleiro italiano, de 18 anos e formado no Milan, assinou com o PSG até 2031. Ele foi campeão europeu sub-17 pela Itália e é visto pelo clube como um investimento de longo prazo, além de possuir características valorizadas pelo projeto parisiense, como qualidade com os pés.

É uma contratação que diz muito sobre a maneira como o PSG vem construindo o elenco. Nem toda chegada precisa produzir impacto imediato. Algumas servem para preparar o futuro, enquanto outras resolvem necessidades presentes. Longoni pertence ao primeiro grupo; Digne, ao segundo; Akliouche pode transitar entre os dois.

E os movimentos não devem parar por aí. O Paris avançou em conversas por Ferran Torres, do Barcelona, enquanto também monitora Mika Godts, do Ajax, para o setor ofensivo. No caso de Godts, as negociações entre os clubes estão em andamento, com o belga sendo visto como uma alternativa para aumentar as opções pelos lados do campo.

Ferran, por sua vez, representa uma solução particularmente interessante para um setor que perdeu profundidade com as saídas de Ramos e Kolo Muani. O espanhol combina mobilidade, capacidade de atuar como centroavante e experiência em alto nível, além de poder ocupar diferentes posições no ataque.

É um mercado que, à primeira vista, pode parecer menos espetacular do que o PSG de outros tempos. E é aí que está a mudança. O clube não precisa mais construir sua relevância a partir de grandes contratações. O time titular já é campeão europeu e conta com jogadores como Ousmane Dembélé, Kvaratskhelia, Vitinha e Désiré Doué. A prioridade agora é fazer com que o nível caia o mínimo possível quando Luis Enrique precisar recorrer ao banco.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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