Futebol francês

PSG enche o carrinho

Não demorou muito para o Paris Saint-Germain se mexer após a chegada de Leonardo. O clube parisiense continua mostrando a que veio na janela de transferências com a contratação de três nomes interessantes para seu elenco. Os acertos com Blaise Matuidi, Jérémy Ménez e Milan Bisevac apenas comprovam que o clube ainda não beira as raias da loucura na hora de gastar o dinheiro dos qatarianos.

Após duas temporadas, o PSG viu enfim se realizar o sonho de contratar Bisevac, quase uma obsessão para o treinador Antoine Kombouaré. A oferta de € 3,2 milhões, além de um bônus por produtividade, seduziu o Valenciennes, que aceitou liberar o defensor. O jogador acertou um contrato de três temporadas com o clube da capital, por um salário aproximado de € 200 mil mensais. Trata-se de um bom nome para a defesa, um setor que já merecia a atenção da nova diretoria.

A contratação de Ménez se revelou uma bela negociação, pelo menos no papel. Afinal, o PSG pagou “apenas” € 8 milhões à Roma para ficar com o atacante, de 24 anos e que tinha um ano de contrato com a equipe italiana. Sem gastar muito, os parisienses trouxeram um bom reforço e com potencial para evoluir na seleção francesa – basta lembrar que ele foi um dos destaques dos Bleus na vitória sobre o Brasil no último amistoso entre as equipes.

O Paris Saint-Germain precisava encontrar alguém que pudesse ocupar muito bem a função desempenhada por Ludovic Giuly no lado direito do ataque. Ménez se encaixa perfeitamente neste perfil e oferece a Kombouaré uma opção de qualidade para este setor. Com Kévin Gameiro como outra novidade, o PSG desponta desde já como grande candidato a um dos mais poderosos ataques da França.

Outra posição carente no elenco foi preenchida de forma objetiva. Se a saída de Claude Makélélé deixaria a equipe órfã de um bom volante tanto no combate como no passe, eis que o clube investiu para a chegada de Blaise Matuidi. O jogador estava encostado no Saint-Etienne e enxerga no PSG a grande oportunidade de sua carreira de se firmar na seleção francesa.

Para quem pensa que o PSG fechou suas contratações por aí, o clube prepara mais surpresas. Leonardo ainda pretende uma contratação de impacto, como para coroar a nova fase vivida pelo clube. Especula-se o nome de Javier Pastore, cobiçado por grandes forças do futebol europeu. Se o argentino aceitar trocar o Palermo pela Cidade-Luz, os parisienses terão feito o grande golpe.

Sem cometer grandes arroubos de extravagância, o PSG vem montando um elenco bastante competitivo para a temporada que se aproxima. Kombouaré terá em mãos um elenco capaz de ir muito além de apenas conquistar uma vaga na Liga dos Campeões, a menina dos olhos da diretoria. Só há o velho problema de encaixar tantas peças valiosas sem deixá-las perder o brilho, muito menos entrar em uma guerra de egos que apenas traria um sentimento de frustração à torcida mais uma vez.

Bichado

Yoann Gourcuff ainda não disse a que veio no Lyon. Contratado a peso de ouro para ser o comandante da ressurreição lionesa, o ex-girondino fracassou completamente em sua missão. O meia se tornou a grande decepção da última temporada e foi somente uma sombra daquilo que já conseguiu produzir no Bordeaux. Quando se esperava a chance de redenção, eis que o destino lhe pregou uma peça.

Durante o estágio de preparação do OL na Áustria, Gourcuff sentiu uma lesão no tornozelo esquerdo. A consequência foi uma artroscopia e uma ausência prevista de dois meses dos gramados. Ainda houve a tentativa de cura sem a necessidade de uma operação, mas as dores continuaram e não houve jeito. O meia terá mesmo que esperar para dar início ao seu processo de reabilitação na carreira.

O novo problema de Gourcuff, dig-se de passagem, foi provocado pelo próprio jogador, como bem destacou seu pai. Sedento por querer mostrar serviço e calar os críticos, o meia se dedicou com afinco à pré-temporada. Não haveria problema algum nisso, desde que Gourcuff tivesse respeitado seus limites físicos. Ao forçar o ritmo em um momento naturalmente delicado, quando a parte física ainda não se reacostumou aos exercícios intensos depois das férias, o jogador iniciou uma contagem regressiva para estourar.

Como já havia sofrido com problemas físicos na última temporada, Gourcuff deveria ter pegado mais leve. Em seu último ano no Bordeaux, o meia também apresentou uma queda de rendimento na reta final da Ligue 1, o que já indicava a necessidade de cuidados especiais nas férias. No entanto, isso não foi respeitado. Na ânsia de resolver as coisas de forma apressada, perdem o jogador e o OL.

Para o Lyon, não poderia haver notícia pior. Mesmo sem Gourcuff em seus melhores dias, a equipe precisava dele para suprir as importantes ausências já desenhadas em seu meio-campo. Com a ausência do meia, o time vê ampliar a lista de desfalques no setor e logo em um momento que já se mostra crucial para as pretensões do clube nesta temporada.

Miralem Pjanic está em fase final de recuperação de um problema muscular na coxa direita. Éderson, com uma lesão no joelho, deve ficar afastado dos gramados de dois a três meses. Mesmo com o bósnio à disposição (e sem saber direito se ele vai ou não para o sacrifício), o Lyon encara a fase preliminar da Liga dos Campeões sem seus principais armadores. Nem é preciso dizer o tamanho do risco de uma eliminação precoce, o que fatalmente comprometeria todo o planejamento traçado pelo clube e traria de cara uma grande pressão para o treinador Rémi Garde.

O tempo parece correr mais rápido para os lados de Gerland. Como a direção não se mexe para contratar um reforço urgente para o meio-campo, o OL se vê ameaçado de começar muito mal seus planos de recuperação. O presidente Jean-Michel Aulas, que aderiu à moda do escorpião no bolso, mais uma vez prova não estar em sintonia com o que acontece bem à sua volta.
 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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