PSG em grande forma
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Quatro vitórias consecutivas e a vice-liderança conquistada. Nem mesmo o torcedor mais otimista do Paris Saint-Germain imaginaria encontrar o time em posição tão favorável a esta altura da temporada. Com o triunfo por 2 a 1 sobre o Saint-Etienne, aliado ao tropeço do Bordeaux diante do Grenoble, o PSG se consolida como um rival de peso para as pretensões do Lyon. Esta tendência durará até o fim da Ligue 1 ou se trata apenas de algo passageiro?
A atual boa fase da equipe da capital tem algumas explicações. Para começar, o PSG tem enfrentado poucos problemas com contusões. Mesmo quando alguns problemas físicos atrapalham, eles ocorrem nos momentos mais adequados. Por exemplo, Hoarau e Clément se contundiram pouco antes do duelo com os Verdes, que lutam para escapar da zona de rebaixamento. Não foram lesões ocorridas às vésperas de um duelo decisivo contra o próprio OL ou o Bordeaux. Por falar em Lyon, a comparação se torna inevitável, pois os líderes vivem uma temporada na qual a enfermaria parece nunca se esvaziar.
O PSG também voltou a fazer do Parc des Princes sua fortaleza. O triunfo sobre o ASSE foi o nono conquistado em seus domínios, o que faz da equipe a de melhor desempenho como anfitriã. Em 2007/08, o panorama era bem diferente. Além da situação ruim na tabela, causadora natural de pressão no elenco, a torcida também exerceu papel negativo ao demonstrar enorme impaciência.
Desde 2005/06, o Paris Saint-Germain não sentia o gostinho de figurar na segunda colocação. Um prêmio para uma equipe que finalmente encontrou uma regularidade. Em seus últimos 14 jogos, levando-se em conta todas as competições disputadas pelo clube, o PSG perdeu apenas duas vezes, tendo o Bordeaux como seu carrasco. No mais, o retrospecto recente se completa com dez vitórias e dois empates.
Não há como negar que a tabela também deu uma forcinha para o time parisiense. Excluindo-se o Bordeaux, o time enfrentou Sochaux, Caen, Nantes e Saint-Etienne – todos frequentadores assíduos da parte de baixo da tabela. As quatro vitórias obtidas serviram para impulsionar a equipe. Os duelos futuros também são animadores: o clube pega Grenoble, Nancy e Lorient. Caso vença todos os seus confrontos, o PSG chegará com ânimo nas nuvens para o clássico de 15 de março contra o Olympique de Marselha. E estes pontos podem dar a folga necessária para os jogos fora de casa contra Toulouse, Lille e o Lyon.
Em campo, a solidez chama a atenção. Com um sistema defensivo formado por seis jogadores (os quatro defensores e dois meias marcadores), o PSG montou um bloco que transmite segurança e dá a base para seu ataque funcionar bem. Na liderança deste grupo, destaca-se Makélélé, o líder que faltava para organizar os jogadores. Sua precisão nos desarmes e seu senso de colocação e orientação aos companheiros o fazem o braço direito do treinador Paul Le Guen. No miolo da zaga, Mamadou Sakho também apresenta maturidade crescente e desenvoltura cada vez melhor.
E, se antes o time dependia de um dia inspirado de Pauleta para ir às redes, hoje há várias opções de jogadas, o que torna o time bem menos previsível. Há a possibilidade de se apostar nas bolas altas para Hoarau, as jogadas rápidas entre Luyindula e Giuly (em recuperação após um início de temporada desanimador) e, principalmente, as chegadas de Sessegnon, dono da criação no meio-campo.
Outra grande prova da força do PSG está em seu lado emocional. Hoje, nem mesmo a instabilidade provocada pela mudança de presidente do clube abalou o desempenho da equipe. Antes, nem era preciso muito para fazer o elenco se desesperar ao primeiro sinal de perigo. Bastava uma pressão da torcida, algum barulho vindo dos bastidores ou uma crítica mais vigorosa para a equipe entrar em parafuso. A ascensão parisiense está com cara de contínua e equilibrada.
Sem convencer
A França deu a impressão de que enfim faria uma exibição digna diante de uma seleção respeitável no cenário mundial. Foram vinte minutos de um bom futebol diante da Argentina no Vélodrome. Nada de se encher os olhos, mas longe da apatia demonstrada diante do Uruguai, em seu último compromisso. No entanto, bastou o relógio correr para os Bleus se entregarem sem maior resistência à Albiceleste. E lá se foi a França, com mais uma derrota nas costas e os já constantes gritos para que o treinador Raymond Domenech singelamente entregue seu cargo.
A principal preocupação fica por conta da real capacidade da equipe francesa se virar diante de um rival com um sistema de marcação pesado. Heinze e Demichelis simplesmente anularam o setor ofensivo dos donos da casa no segundo tempo, com uma cobertura eficiente para as jogadas pelas pontas de Ribéry ou as tentativas de Henry e Anelka pelo miolo. Parece chover no molhado, mas pela enésima vez Domenech errou na escalação da equipe, e isto certamente contribuiu para o fracasso francês.
Gourcuff não precisa provar absolutamente nada para ninguém, mas está nítido seu esgotamento físico a esta altura da temporada. Não por coincidência, a queda de rendimento do Bordeaux na Ligue 1 está relacionado de forma direta às condições de seu jogador mais importante. Essencial para os Marine et Blanc, o meia dá claros sinais de que precisa recuperar as energias. Entretanto, Domenech preferiu escalá-lo como titular diante dos argentinos. Sem conseguir desenvolver seu melhor futebol, Gourcuff ainda se esgotou um pouco mais, de maneira desnecessária.
Se tivesse um mínimo de boa vontade e senso de observação, Domenech teria escalado Nasri desde o princípio. Como não fez isso, o técnico viu os Bleus sem saída para superar o bloco defensivo armado pelos sul-americanos. Uma situação preocupante, pois a Lituânia, próxima adversária nas Eliminatórias da Copa do Mundo-2010, adora se colocar na retranca. Um tropeço contra uma seleção que pouco acrescenta ao cenário mundial seria o pedido para colocar uma corda em torno do pescoço.
Enquanto isso, a defesa até mostrou algum valor com a dupla formada por Gallas e Méxès. A dúvida fica por conta de quem ocuparia o posto de goleiro titular. Steve Mandanda, o preferido de Domenech, mais uma vez demonstrou insegurança, como comprovado na falha do primeiro gol argentino – uma bola defensável de Jonas Gutiérrez. Mesmo no Olympique de Marselha, o arqueiro já viveu dias melhores. Lloris, seu concorrente, jogou contra o Uruguai, mas esteve um pouco travado. Foi o suficiente para Domenech o relegar ao banco de reservas.
Já no ataque, Anelka e Benzema travam um duelo para definir quem será o homem de área titular. O atacante do Chelsea é sempre uma incógnita: ou ele acaba com o jogo, como por exemplo ao marcar três gols na vitória sobre o Watford na Copa da Inglaterra, ou erra tudo o que faz. Esta última opção se aplica ao amistoso em Marselha, quando ele perdeu uma chance clara ao chutar em cima de Carrizo após sair na cara do goleiro.
Benzema, por sua vez, carrega o peso de provar seu valor na seleção. De nada adianta arrebentar no Lyon; ele precisa mostrar o mesmo poder decisivo pela França – uma lição aprendida a duras penas na Eurocopa, quando foi uma completa decepção. Se em campo o time enfrenta dificuldades, Domenech parece pouco disposto a resolvê-las, dada a sua capacidade de complicar a tarefa mais simples. Os 2 a 0 sofridos pela Argentina, somados aos gritos de “olé” da torcida, deixam claro como está a paciência dos franceses com sua seleção. Com o treinador, ela já foi pelo ralo faz muito tempo.