França

Pressão total

Enfim Lucas chegou ao Paris Saint-Germain e já deve fazer sua estreia pelo clube da capital após grande expectativa. O jogo contra o Ajaccio pode marcar o início de sua caminhada com a camisa da equipe, mas o ex-são-paulino deve ter ciência de que entra em um grupo bem diferente daquele com o qual estava acostumado – tanto que sua primeira impressão foi logo a respeito da tal frieza de seus companheiros durante o amistoso contra o Lekhwiya.

O L’Équipe foi mais fundo no assunto. O tradicional jornal francês partiu para o lado da especulação ao afirmar que Lucas, o novo queridinho dos magnatas do Qatar Sports Investment (QSI), teria deixado o astro do PSG enciumado. Sim, a publicação cogitou que Zlatan Ibrahimovic teria feito beicinho com a chegada de um moleque que custou mais de € 40 milhões e pode ameaçar seu trono.

Claro que o ambiente nos vestiários do PSG está longe de ser uma confraternização de fim de ano, com todos se abraçando e brindando com urras e aquelas promessas de melhores amigos. Todos sabem que existem pelo menos dois grupos bem definidos entre os ‘italianos’ e os ‘franceses’, no qual o idioma delimita as fronteiras de cada um. Lucas, que acabou de chegar e mal sabe falar algo além de ‘bonjour’, nem tem como entrar em algum deles, quanto mais bater de frente com alguém do quilate de Ibra.

A absurda ‘prova’ de que o relacionamento entre o brasileiro e o sueco teria começado mal seria uma foto na qual os dois jogadores aparecem próximos, mas olhando para lados diferentes. Melhor nem comentar a respeito para não perder o respeito dos leitores. Quem suspeita de algo do gênero só pode ter a mente poluída demais.

Vamos aos fatos concretos. Lucas chega ao PSG em um momento de reformulação do elenco, com as prováveis saídas de Nenê, Diego Lugano e Guillaume Hoarau (este último já confirmado, foi para o Dalian Aerbin, da CHina). Não dá para imaginar um jogador contratado por mais de € 40 milhões fique no banco de reservas por muito tempo. Talvez seja este o maior desafio do meia-atacante em seu novo clube: convencer a todos em um curtíssimo intervalo de tempo que sua vinda não foi um desperdício de dinheiro.

Com 20 anos, Lucas é uma aposta do PSG para o futuro, mas precisa dar resposta em um presente muito próximo. Ele tem qualidade técnica para tal; porém, deve lutar para encaixar seu estilo ao do time. O brasileiro poderia formar uma trinca ofensiva ao lado de Ibrahimovic e Lavezzi, efetuando a mesma função desempenhada no São Paulo: cair bem pelos lados do campo. Neste caso, Ménez perderia seu lugar na equipe, embora tenha sido bastante útil ao longo desta temporada – apesar das oscilações.

Carlo Ancelotti, que se derreteu por seu novo jogador, deixou claro que não quer colocar ainda mais pressão sobre os ombros de Lucas. Por isso, em um primeiro momento, escalará o brasileiro pelo lado direito do campo, seu preferido. Como também tem facilidade para jogar pela esquerda, o novo reforço ganha pontos na briga acirrada por uma vaga como titular. Além de Ménez, entram nesta disputa os nomes de Lavezzi e Pastore – cuja regularidade se assemelha à de uma montanha-russa.

Teoricamente, Lucas reúne condições suficientes para repetir no PSG as mesmas boas atuações vistas no São Paulo. Resta saber se a grande expectativa criada em torno dele não será também a responsável por sufocá-lo e atrapalhá-lo neste delicado processo de aclimatação e adaptação, ainda mais dentro de um grupo formado por jogadores que se toleram em campo, mas fora dele não fazem questão de convidar seus companheiros para aquele almoço de domingo.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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