Platini: 'É absurdo parar jogos nos quais hino for vaiado'

Michel Platini classificou como ‘absurda’ a proposta do governo francês de interromper partidas nas quais o hino nacional for vaiado. O presidente da Uefa afirmou que os incidentes ocorridos no amistoso entre França e Tunísia ‘não foram um insulto, mas parte da rivalidade’.
Na terça-feira, pouco antes do início do jogo no Stade de France, o hino francês foi vaiado pelos torcedores tunisianos, maioria no estádio. A hostilidade contra a Marselhesa gerou protestos por parte dos políticos, sendo que houve até sugestões de que não se marcassem mais partidas entre os Bleus e ex-colônias francesas.
Roselyne Bachelot, ministra dos Esportes da França, anunciou a proposta de interrupção, apoiada pelo presidente Nicolas Sarkozy. No entanto, Platini demonstrou seu descontentamento com a medida.
“Se você começar a parar jogos nos quais o hino for hostilizado, também deveria interromper os jogos quando um jogador for vaiado ou um goleiro ofendido por fazer uma defesa. É um absurdo. É preciso educar os torcedores para que o hino não seja vaiado. Mais uma vez o futebol foi pego como refém pelo mundo da política e isso não tem nada a ver com o esporte”, disse Platini.
O francês ainda comentou que as vaias à Marselhesa também ocorriam em seus tempos de jogador. “Há 30 anos, quando jogava pela seleção, o hino era vaiado em todos os campos. Na época, os políticos não se interessavam por futebol e isso não incomodava ninguém. Hoje, tornou-se obrigação para os políticos, em função de sua categoria, tomarem uma posição em tudo”, criticou.
Platini ainda falou sobre o incidente, que classificou como algo comum. “Não vejo nas vaias ouvidas no Stade de France um desrespeito ou um insulto à França, mas simplesmente manifestações contra o adversário do momento. Em outras ocasiões, os mesmos que vaiaram cantam o hino francês na Copa do Mundo. Se a seleção francesa se retirar de um jogo, perderá por 3 a 0, como prevê o regulamento”, ameaçou.



