Paris Saint-Germain busca o equilíbrio
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Aos poucos, o Paris Saint-Germain reestruturou seu meio-campo. As contratações de Ludovic Giuly, Claude Makélélé e Stéphane Sessegnon fazem a torcida enfim sonhar com o reencontro do equilíbrio deste setor da equipe, um dos pontos mais frágeis dos últimos tempos. Embora as esperanças se renovem com a chegada de três jogadores com qualidade, resta o pé atrás. O PSG sabe muito bem como a empolgação com uma lista promissora de reforços logo se tornou uma tremenda frustração.
Em particular na temporada 2007/08, o PSG sofreu com uma equipe ‘torta’, propensa a concentrar seu jogo pelo lado esquerdo. A contratação de Souza, ex-São Paulo, deu a ilusão de que o time enfim teria motivos para olhar com maior esmero para a direita. No entanto, o meia, que em sua apresentação oficial se dizia ‘o Rothen destro’ e planejava altas jogadas de efeito com o limitado Ceará, morreu pela boca. Com apresentações sem brilho, ele acabou relegado ao banco de reservas e voltou o Brasil para defender o Grêmio.
Antes dele, diversos outros candidatos a símbolos de um meio-campo criativo fracassaram em suas missões. Vikash Dhorasoo, Bonaventure Kalou, Christophe Landrin, Sergueï Semak e Fabrice Pancrate, por exemplo, vieram com ares de ‘donos do pedaço’ e logo sucumbiram diante de suas próprias limitações. Desde 2004, quando Fabrice Fiorèse decidiu trocar a capital francesa pelo clima mediterrâneo de Marselha, o PSG procura em vão alguém capaz de variar um pouquinho o estilo de jogo da equipe.
Não só o clube dá o alento de resolver esse problema como contribui para melhorar seu sistema defensivo. Mesmo com seus 35 anos, Makélélé continua em alto nível. Embora o fiasco francês na Eurocopa possa lhe desmerecer, o volante certamente terá papel fundamental com sua experiência, senso de bom posicionamento e orientação aos companheiros. A dupla de sucesso do Monaco vice-campeão da LC, formada por Rothen e Giuly, trará maior qualidade na armação, enquanto Sessegnon surge como boa aposta, dada seu desempenho destacado no Le Mans.
Diante deste quadro, o treinador Paul Le Guen se vê com duas possibilidades interessantes para montar o esquema tático de sua equipe. Na primeira, com um 4-4-2, ele pode escalar um meio-campo em losango, com Makélélé como único volante, Rothen e Giuly um pouco mais abertos e Sessegnon logo atrás da linha ofensiva. O problema estaria em encontrar um parceiro ideal para Guillaume Hoarau no ataque. Se Peguy Luyindula fosse mais regular, não haveria tanta necessidade de se buscar um reforço para esta posição.
Outra opção possível para Le Guen seria ‘copiar’ o 4-3-3 do Lyon. Neste caso, Makélélé teria a companhia de algum outro marcador (Clément, Bourillon, Chantôme) e Sessegnon desempenharia a função de meia armador. Rothen e Giuly, abertos pelas pontas, seriam as alternativas para auxiliar Hoarau no ataque. Uma escolha menos provável, mas nada absurda caso seja adotada.
Na defesa, a necessidade de se contratar um bom lateral-direito se faz urgente, ainda mais quando se vê a proximidade do início da temporada. Acostumado a lutar contra o rebaixamento nas últimas temporadas, o Paris Saint-Germain agora tem alguns motivos reais para sonhar em ir além. Pelo menos no papel, a equipe vai tomando uma forma mais equilibrada, uma evolução quando comparado ao grupo de 2007/08. Só o tempo dirá se a equipe está prestes a viver momentos mais alegres ou se tudo não passa de mais uma de tantas ilusões.
Ao ataque
O Olympique de Marselha segue em busca de reforços para a disputa da Liga dos Campeões. Após as chegadas de Hilton e Hatem Ben Arfa, os marselheses enfim tiveram um desfecho positivo para uma novela que já se arrastava há algumas semanas. Depois de longas negociações, o atacante Bakary Koné finalmente conseguiu deixar o Nice para se transferir para o OM. O marfinense até abriu mão de receber cerca de € 630 mil dos rubro-negros para realizar seu sonho.
Koné logo sentirá o peso de atuar em um Vélodrome acostumado a amedrontar os próprios jogadores do Olympique. A possibilidade de disputar a LC e lutar pelo título francês em uma equipe com maiores condições ofusca esta pressão. Tal cobrança ganha ares ainda mais elevados quando se vê o valor da transferência: € 9 milhões, mais um ‘extra’ de € 1 milhão caso o OM se classifique pelo menos uma vez para a LC nas próximas quatro temporadas. Se o clube está disposto a pagar um valor relativamente alto por alguém, esse atleta deve corresponder logo em campo.
Aí mora o perigo para o marfinense. A pressa por uma adaptação rápida e um entrosamento quase imediato com seus novos companheiros devem custar um preço alto. Como é natural, leva-se um certo tempo para se conquistar um mínimo de empatia e uma dose de auto-confiança para driblar a tensão. A torcida marselhesa, pouco afeita a demonstrações de paciência, exige resultados imediatos. São ingredientes suficientes para se estragar qualquer receita promissora para a formação de um ataque matador, como se está desenhando no OM.
O técnico Eric Gerets sofreu a perda de Samir Nasri, negociado com o Arsenal. O Olympique não perdeu tempo e contratou Ben Arfa, esquecido num canto no Lyon. Quando teve seu espaço nos lioneses, ele mostrou seu valor, com provas constantes de amadurecimento. Seu teste de fogo será suportar o fardo de substituir um dos principais jogadores da equipe nos últimos tempos. A irregularidade comum a atletas jovens como ele, combinada com a impaciência da torcida, promete gerar alguns conflitos. Se tiver o tempo e a compreensão necessários para se desenvolver, Ben Arfa será de grande valia para os marselheses.
Para o setor ofensivo, Koné terá a possibilidade de formar um tridente ameaçador ao lado de Cissé e Niang. No entanto, da mesma forma sob a qual os três têm a chance de acabar com um jogo, a inconstância dos outros dois compromete as chances de se manter um equilíbrio. Tanto o senegalês como o francês alternam demais seus dias de herói com os de vilão. Entrar nesta onda fará o marfinense cair em desgraça. Embora promissor, o ataque do OM precisa adquirir confiança, primeiro nele próprio, e depois despertar este sentimento na torcida. Só então o time pode respirar aliviado e saber que realmente conta com quem resolva seus problemas lá na frente.