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Os milhões que põem em risco a volta do Monaco à Ligue 1

O Monaco possui uma história riquíssima dentro do futebol francês. Fundado em 1924, o clube foi convidado a deixar o amadorismo nove anos depois, pela própria Federação Francesa de Futebol (FFF). Donos de sete títulos nacionais, os Rouge et Blanc também foram os últimos representantes da Ligue 1 em uma decisão de Liga dos Campeões. Mas, por conta de uma disputa política, são ameaçados de exclusão pela Liga Francesa de Futebol (LFP).

Prestes a retornar à primeira divisão após duas temporadas de ausência, o Monaco corre sério risco de perder a isenção fiscal que usufrui no principado. Descontentes com os benefícios dos monegascos, os clubes franceses pressionam a LFP desde março, solicitando uma mudança na situação. E, baseado em uma disposição do código esportivo francês, o conselho administrativo da entidade deu o ultimato sobre os alvirrubros.

A LFP solicita que todos os clubes da Ligue 1 tenham sede no território francês. Uma maneira de obrigar que os impostos vigentes no país incidam sobre o Monaco. Segundo a entidade, os clubes que não tiverem bases na França até o dia 1º de junho de 2014 serão eliminados das competições nacionais. Uma situação que os Rouge et Blancs ainda tentam reverter.

Um time de astros se desenha no principado

A posição, obviamente, irritou os dirigentes do Monaco. Afinal, além de tirar o grande trunfo na contratação de grandes jogadores, ela também mina os planos de Dmitry Rybolovlev, dono do clube desde dezembro de 2011. Dono de uma fortuna avaliada em US$ 9,1 bilhões e apontado pela Revista Forbes como o 119º homem mais rico do mundo, o magnata russo tem um projeto ambicioso à frente dos monegascos – capaz de rivalizar com o Paris Saint-Germain pela hegemonia no país.

Desde a chegada de Rybolovlev, o Monaco gastou € 41,2 milhões apenas em reforços para a Ligue 2 – mais que 19 dos 20 clubes da Ligue 1 no mesmo período – e trouxe Claudio Ranieri para o comando técnico. Precisando de mais dois pontos para confirmar o acesso, o time promete contratações bombásticas para a próxima temporada.

Segundo a imprensa francesa, Daniel Alves, Fábio Coentrão, João Moutinho Rémy Cabella e Steve Mandanda estariam entre os possíveis alvos dos alvirrubros. Além disso, haveria a intenção de trazer um atacante de primeira linha e, depois de conversas por Edinson Cavani e Radamel Falcao García, Fernando Torres e Carlos Tevez passariam à mira da diretoria. Entre os atrativos para tantos craques, logicamente, a isenção fiscal seria o maior.

O show dos milhões

Desde abril, a partir de um recurso movido pelo Monaco, a FFF entrou na negociação.  E a primeira proposta para um acordo foi apresentada neste final de semana. Para “salvaguardar os interesses do futebol francês”, a LFP quer uma compensação financeira de € 200 milhões, a ser paga pelos alvirrubros ao longo de cinco anos. Um valor rejeitado por Rybolovlev após dez minutos de conversa.

O montante foi calculado a partir das diferenças salariais entre franceses e o Monaco: € 2 gastos pelos monegascos equivalem a € 5 gastos pelos franceses. Botando na ponta do lápis, aceitar a multa trará menos gastos ao Monaco do que se mudar à França. Para que a compensação seja menos penosa que os impostos franceses, os alvirrubros precisam de uma folha de pagamentos de € 26 milhões, equivalente ao gasto líquido do Olympique de Marseille. Por exemplo, € 55,2 milhões dos € 92 milhões pagos pelo PSG vão apenas para o fisco.

Para quem não gasta nada com impostos, no entanto, qualquer centavo a mais já é prejuízo. Apesar dos rumores de que pudesse tentar se mudar para a liga de outro país, o Monaco já afastou essa possibilidade. Enquanto isso, permanece em queda de braço com a LFP para permanecer na França. Provavelmente, tendo que desembolsar alguns milhões para isso.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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