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OM dupla face

Didier Deschamps mais uma vez superou Claudio Ranieri. O treinador já havia feito história na Liga dos Campeões na temporada 2003/04, quando levou o Monaco a eliminar o Chelsea comandado pelo italiano nas semifinais. Agora, o francês riu por último de novo. Desta vez, além de deixar a Internazionale pelo caminho e calar o San Siro, ele conquistou algo maior: resgatou o prestígio do Olympique de Marselha no cenário europeu.

Claro que o OM não deve ir muito além na Liga dos Campeões, pois se trata de um time bastante limitado tecnicamente. No entanto, superar uma equipe do quilate da Internazionale tem sabor especial, apesar de o time de Milão passar por um momento de pouco brilho. Se na Ligue 1 os marselheses primam pela apatia, na LC houve outra feição nos duelos contra os nerazzurri.

No jogo em Milão, principalmente, o Olympique de Marselha atuou de forma bastante tranquila. Rescaldado pela vitória de 1 a 0 no Vélodrome, o OM adiantou sua marcação com o intuito de deixar a Internazionale ainda mais pressionada, como se já não fosse suficiente o nervosismo dos donos da casa para marcar um gol o mais rápido possível. Cozinhando o adversário, os marselheses ainda davam suas estocadas e mostravam que estavam vivos diante de um adversário marcado pela pressa em querer resolver suas ações.

O OM parece gostar de conquistas sofridas. Voltemos à fase de grupos, quando a classificação esteve praticamente perdida com a derrota por 1 a 0 para o Olympiacos no Vélodrome. A volta por cima veio em um emocionante triunfo sobreo Borussia Dortmund (3 a 2) na casa dos alemães. Essa dupla face do Olympique de Marselha também apareceu contra a Inter, principalmente na figura de Steve Mandanda.

Desde 2007, um goleiro não dava uma assistência em uma partida da LC. Mandanda também salvou o time no primeiro tempo com defesas milagrosas. Seu último ato, porém, tirou-o d jogo de ida das quartas ao ser expulso pelo pênalti cometido em Pazzini. Outro que viveu em uma montanha-russa foi Brandão, mas com um final feliz. O atacante, que deixou a França quase como um fugitivo após ser acusado de estupro, ganhou ares de iluminado pelo gol da classificação.

O OM volta a figurar entre os oito melhores clubes da Europa após sentir esse gostinho pela última vez em 1993, quando se sagrou campeão. Para saber se o resultado será o mesmo daquela equipe que entrou para a história (para o bem e para o mal), Deschamps precisa de uma alta dose de sorte. Não dá para confiar apenas em uma ilusória volta do espírito da LC para achar que está tudo resolvido.

Em Milão, os marselheses se apoiaram na serenidade de sua defesa para segurar o ímpeto de uma Internazionale afoita. N’Koulou, Diawara, Diarra e M’Bia formaram um bloco bem organizado e que soube se armar após a pressão inicial dos donos da casa. A entrada de Pazzini deixou os nerazzurri mais ligados, mas Brandão deu o golpe de misericórdia com uma ajuda para lá de decisiva da defesa milanesa. Neste sobe e desce, o OM só espera pegar embalo para chegar ao topo.

Aperitivo para o dérbi

O Lyon deu sinais de vida na Ligue 1, mas sem querer ajudou seu maior rival. Ao derrotar o Lille por 2 a 1, o OL conseguiu respirar após a melancólica eliminação na Liga dos Campeões para o APOEL Nicósia. Se ainda manteve o sonho de se classificar para a próxima edição da LC ao bater o LOSC, a equipe comandada por Remi Garde, por outro lado, deu uma enorme contribuição para o Saint-Étienne, que superou o Valenciennes pelo mesmo placar fora de casa e colou de vez nos Dogues.

Em sua viagem de volta do Chipre, o Lyon trouxe algo extra em sua bagagem: a urgente necessidade de se recuperar na Ligue 1. Uma derrota diante do Lille empurraria a equipe ladeira abaixo, já que ficaria a quase impossíveis dez pontos da zona de classificação para a LC. Os lioneses entraram em campo com algumas modificações entre seus titulares, e estas mudanças se mostraram primordiais para o sucesso em Gerland.

Com as voltas de Lovren, Dabo, Grenier e Lacazette ao onze titular, o OL logo tomou as rédeas da partida. Dispostos em um 4-4-2, os lioneses abriram o placar aos 12 minutos com Lacazette, ao concluir bela jogada de Dabo. O Lille se mostrou bastante confuso neste início de jogo, perdendo muitas bolas e cedendo espaço aos donos da casa. Se o Lyon não era brilhante, pelo menos se mostrou aplicado e eficiente em suas tentativas.

O técnico Rudi Garcia percebeu que o Lille era um alvo fácil para as investidas do Lyon e tentou corrigir o posicionamento tático de seus comandados. O LOSC passou do seu 4-3-3 para o 4-2-3-1 em uma tentativa de dar maior consistência ao seu meio-campo, até então praticamente nulo. Quando os Dogues aparentavam uma evolução, Lisandro López ampliou a vantagem dos locais. Nos acréscimos, porém, Chedjou deu alguma esperança aos atuais campeões franceses e deixou o suspense no ar para a segunda etapa.

Após a pausa, o Lille voltou a campo revigorado e com seu melhor futebol. A expulsão de Lovren fez o Lyon se esgoelar nos 20 minutos finais para assegurar a vitória. O LOSC multiplicou suas chances, mas seu ataque estava com péssima pontaria. Os Dogues desperdiçaram uma excelente oportunidade de se consolidar no pódio diante de um rival ainda abalado pela queda diante da zebra cipriota. Agora, o Lille já vê a concorrência aumentar pelo terceiro posto e precisa se impor com urgência, já que somou apenas dois pontos nas últimas três partidas.

O triunfo do Lyon foi muito comemorado pelo Saint-Étienne. Apesar da rivalidade regional, o ASSE aproveitou a oportunidade para se colocar de vez na briga por uma vaga na LC. Os Verdes conquistaram uma vitória complicada diante do Valenciennes e, com um ponto a menos do que o Lille, estão credenciados para uma disputa ferrenha por este lugar no pódio – e isto a uma semana do dérbi contra os lioneses.

O primeiro tempo foi movimentado mais pelas expulsões de Lemoine e Mignot do que pelo futebol exibido pelas duas equipes. O nível só melhorou na etapa final, quando o Valenciennes abriu o placar com Aboubakar. O ASSE demorou menos de dez minutos para virar com Aubameyang e Sako para arrancar a vitória. Uma excelente reação para quem havia sido surpreendido na rodada anterior ao ser derrotado em casa pelo Évian por 2 a 0.

O dérbi no Geoffroy-Guichard tem ares de decisão de Copa do Mundo. O Saint-Étienne tem em suas mãos a oportunidade de tirar o Lyon da disputa pela classificação à LC e mergulhar o rival em uma crise. Os lioneses, por sua vez, têm pela frente mais um desafio para provar sua reação em seus últimos suspiros para não jogar a temporada pelo ralo. Isso tudo, claro, sem contar com a torcida de Lille, Rennes e Toulouse por um empate.

Aliás, a 28ª rodada da Ligue 1 reserva outra partida de elevada importância para a briga pelo terceiro lugar. Rennes e Toulouse se enfrentam após os tropeços contra Auxerre e Lorient, respectivamente (os dois empataram em casa por 1 a 1). Os bretões foram melhores contra o AJA, mas sua dominação estéril deixou a torcida preocupada para o duelo contra o TFC, que viu sua série de três vitórias ser interrompida.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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