França

Olympique: Família Gerets

Terminou a passagem de Albert Emon pelo Olympique de Marselha. O treinador não resistiu a mais um tropeço na temporada, desta vez uma derrota por 2 a 0 para o Auxerre. Para tentar despertar a equipe, o OM buscou Eric Gerets. O belga, logo em seus primeiros dias no clube, já divulgou qual será seu plano para a temporada: repetir o feito alcançado em 2006/07. Ou seja, ser vice-campeão francês. Espera-se então uma revolução radical, pois a equipe se encontra muito mais perto da zona de rebaixamento do que das primeiras colocações da tabela.

Emon perdeu forças na mesma velocidade na qual os marselheses viram seu time ter um péssimo começo de temporada. Ele ganhou alguma sobrevida após a estréia vitoriosa na Liga dos Campeões contra o Besiktas. No entanto, a vitória sobre o time turco não passou de uma ilusão. Logo o clube voltou a sua realidade e, com os 2 a 0 impostos pelo AJA, o técnico viu o barco naufragar.

O desempenho do Olympique nas nove primeiras rodadas da Ligue 1 prova como a paciência do presidente Pape Diouf durou pouco. O time ganhou apenas uma partida, perdeu quatro e empatou cinco. Emon entregou o time em 16º lugar, apenas um ponto acima da primeira equipe da zona de rebaixamento. Uma vergonha para um clube que terminou a última edição da Ligue 1 em segundo lugar e reforçou seu elenco de forma tal a ser considerado como o grande rival do Lyon.

Embora tenha classificado o OM para a disputa da Liga dos Campeões, Emon não conseguiu engrenar o elenco. A perda de Franck Ribéry, em tese, foi compensada pela contratação de alguns bons jogadores. No entanto, o treinador se perdeu exatamente na hora de remontar o quebra-cabeças com as novas peças à disposição. Além das dificuldades para encaixá-las, ele cometeu o erro de ousar na hora errada com apostas arriscadas demais para a ocasião.

Dois exemplos: contra o Toulouse, ele preferiu escalar Salim Arrache no lugar de Karim Ziani, contratado com a esperança de organizar o meio-campo da equipe. Resultado: vitória do TFC por 2 a 1. Para enfrentar o Auxerre, ele barrou Benoît Cheyrou, outro reforço para o meio-campo, por Vincent Gragnic. Outro fiasco, mais uma decepção para a torcida e um clima completamente azedo.

Com tantas indefinições na equipe, Emon viu seus jogadores perderem toda aquela confiança lentamente adquirida ao longo da temporada passada. A trabalhosa tarefa de fazer o elenco se fortalecer do ponto de vista psicológico foi jogado pela janela em um piscar de olhos. A prova fica por conta das atuações do time no Vélodrome. Mais uma vez, o estádio se tornou um fator negativo e os atletas adotam ali uma postura de visitante, sem agir como um anfitrião. Obviamente a torcida se impacientou com tamanha covardia e a pressão estava de volta nos ombros do grupo.

Exatamente por essa experiência em lidar com fogueiras motivou Diouf a entrar em contato com Gerets. O próprio belga afirmou que sua passagem pelo Galatasaray o fez aprender a lidar com uma constante pressão por todos os lados. Isso será essencial para devolver a estabilidade a um elenco sem muita confiança em seu potencial. Gerets mostrou-se aberto ao diálogo com os atletas, sem impor suas vontades. Ele mesmo assumiu que uma de suas preocupações será criar um ambiente de união – história já conhecida por aqui…

O novo treinador demonstrou sua predileção pelo 4-4-2 clássico, com a escalação de um camisa dez típico. O OM hoje tende para um 4-5-1 de feições mais defensivas. Gerets quer montar um time ofensivo. Se a diretoria do Olympique desejava injetar algum ânimo no elenco, a chegada de um novo treinador por si só se trata de um fator de motivação. Isso facilitaria a execução de mudanças, mas elas só seriam sentidas a médio/longo prazo. Com a partida contra o Liverpool na porta da equipe, resta apostar também na sorte.

Divórcio?

Juninho Pernambucano está infeliz no Lyon. Em campo, suas atuações até agora discretas na temporada traduzem seus conflitos internos com a equipe da qual se tornou o grande astro. Não se trata apenas de uma simples queda de rendimento, algo normal para qualquer jogador em início de temporada. O brasileiro parece não mais falar a mesma língua daqueles que dirigem o OL, como mostram algumas de suas atitudes nas últimas semanas. Seu período na equipe estaria perto do fim?

A derrota para o Barcelona na Liga dos Campeões por 3 a 0 evidenciou o caráter ‘mortal’ dos lioneses, até então tidos como um time que, cedo ou tarde, despertaria de seu sono inicial. Quando os problemas internos vividos na passagem de Gérard Houllier pareciam encerrados, eis que surge outro, envolvendo novamente o nome de Juninho Pernambucano. O meia, principal nome da equipe nos últimos tempos, dá claros sinais de desgaste dentro do clube.

Na temporada passada, ele se irritou com a demora do Lyon em tratar da renovação de seu contrato e até mesmo ameaçou deixar a equipe. A situação logo foi contornada e pelo menos esse problema foi solucionado. Agora, Juninho se indispôs com Alain Pérrin e o criticou pela forma como escalou o time na derrota por 3 a 0 no Camp Nou. Além do resultado ruim, o OL nem viu a cor da bola naquela ocasião.

Pérrin viu o jogador nem atender ao seu pedido para acompanhar a sessão de análise do vídeo daquela partida. O treinador ainda tentou desconversar, disse que nem todo mundo estava obrigado a cumprir esta determinação e colocou panos quentes no assunto. Duas coisas ficaram evidentes: o técnico não tem o grupo nas mãos, o que prejudica qualquer trabalho em uma temporada; e o clima de união existente dentro do elenco em outras épocas realmente desapareceu.

Embora tenha jogadores de qualidade indiscutível dentro dos padrões franceses, o Lyon encontra dificuldades para comprovar essa superioridade, ao contrário de anos anteriores. No empate com o Lille, por exemplo, o time entrou em campo em sua clássica formação no 4-3-3. Se Benzema tem tido repetidas boas atuações, por outro lado o jovem atacante multiplicaria seu poder de fogo se contasse com o apoio constante do meio-campo. Aí está a dificuldade lionesa. Sem a inspiração de Juninho, bastante instável nesta temporada, o OL se atrofia logo em seu ponto forte.

Como Källström fica sobrecarregado, a ligação com os atacantes se compromete. Govou e Keita são obrigados a atuar mais recuados para buscar jogo, fazendo com que a equipe se enfraqueça na hora de criar. Some-se a isso as escolhas equivocadas de Pérrin (como escalar Belhadj no Camp Nou), as constantes falhas de Vércoutre e a cobrança da mídia, cria-se um caldeirão borbulhante.

A querela da qual Juninho tornou-se o protagonista revela como a instabilidade interna do Lyon prejudica o clube. Se a mudança de treinador, ocorrida exatamente para dar um fim a esse tipo de distúrbio, não surtiu efeitos práticos, o núcleo do problema se encontra em uma outra área. Seria necessária uma conversa com Juninho, cujo papel de liderança exercido no elenco o tornou quase uma divindade, para analisar o que realmente o incomoda. Quando se perde a confiança em uma relação, logo ela se torna insustentável. Ainda há tempo para uma reconciliação.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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