FrançaLigue 1

Olympique de Marseille impõe mordaça à imprensa

O Olympique de Marselha tomou uma decisão das mais polêmicas. O clube se achou no direito de criar uma série de medidas para limitar o trabalho da imprensa na cobertura do que acontece no Vélodrome e preparou uma espécie de cartilha para os jornalistas. A mordaça foi implantada com requintes de humilhação para a imprensa, reduzida ao papel de vilões por não retratarem a dita “informação oficial” – leia-se falar bem do OM e varrer para baixo do tapete todos os problemas do clube.

Resumidamente, o OM limitou o acesso de jornalistas (para alguns deles, até a mera presença não será tolerada) para eventos dentro do clube. Entrevistas coletivas e outras atividades agora são de responsabilidade exclusiva da chamada ‘imprensa oficial’, também conhecida como OM.net e OM TV. As regras também se aplicam para a transmissão destes mesmos eventos pelo Twitter.

Apenas algumas exceções serão concedidas, mas com aquela burocracia e boa vontade de dar inveja ao nosso funcionalismo público. Quem quiser captar imagens das entrevistas coletivas terá que pedir uma autorização especial e, caso ela seja concedida, o meio de comunicação que obtiver esta liberação só poderá veicular, no máximo, 120 segundos. Quem não conseguir a tal autorização tem outra saída: comprar as imagens, sem deixar de obedecer ao tal limite dos 120 segundos.

O absurdo não para por aí. Qualquer entrevista entre um jogador e um repórter será acompanhada por alguém do OM, que pode interromper a conversa quando achar uma pergunta descabida. Ou seja, só vale exaltar as glórias do time, por pior fase na qual esteja, e não se pode questionar em momento algum por que o ataque não funciona, ou a defesa toma tantos gols, ou se o treinador pensa em mudar seu esquema tático. A censura está escancarada no Vélodrome.

As medidas tomadas pela diretoria exigem uma grande mobilização não apenas dos meios de comunicação, prejudicados diretamente por este ataque de autoritarismo da diretoria marselhesa. Os torcedores do OM também devem se unir e pedir pela mudança deste comportamento ditatorial. Ninguém pode ser privado de informações que contestem a realidade do clube. Cobranças, denúncias, e questionamentos são a base de uma administração transparente, que evolui com a análise de suas falhas e acertos.

Claro que no universo do jornalismo há sempre aqueles dispostos a apenas causar balbúrdia, sem o compromisso primário da isenção. A imprensa séria, que cumpre com seu papel de fiscalizar, retratar e acompanhar (seja para relatar fatos positivos ou negativos), tem seu trabalho comprometido por defensores de uma mídia dominada por amenidades, sem reflexão e, muito pior, completamente acorrentada. Sem dúvida, o OM regride e assume uma postura perigosa com relação à liberdade de expressão.

Perigo aos cofres

O Paris Saint-Germain briga para manter seus principais destaques e, ao mesmo tempo, reforçar seu elenco com alguns dos nomes mais badalados do mundo. A equação, porém, corre o risco de sofrer um grave desequilíbrio. A gastança para a contratação de nomes como Edinson Cavani, Marquinhos e Lucas Digne e a luta para manter Zlatan Ibrahimovic e Thiago Silva traz uma dificuldade extra para a diretoria.

Com um elenco cada vez mais estrelado e valorizado (tanto pelos nomes como pelos títulos e a exposição na mídia), o PSG está fadado a encarar um problema pesado. A folha salarial da equipe tende a crescer em níveis perigosos. Para convencer Thiago Silva a esquecer o doce canto da sereia do Barcelona, o clube ofereceu um aumento de € 1,5 milhão anual ao brasileiro, que passará a receber € 11 milhões por temporada.

Zlatan Ibrahimovic, igualmente desejado por grandes clubes europeus (ainda mais após a chegada de Cavani, seu concorrente direto), já é o terceiro jogador mais bem pago do mundo. Só que o atacante sueco já deixou bem claro que gostaria de ganhar um pouco mais do que os € 14 milhões anuais depositados religiosamente em sua conta. E lá se vão discussões com a diretoria em um momento delicado.

O risco de um gasto exorbitante com a folha salarial se torna uma ameaça real quando a situação de outros jogadores entra em discussão. Marco Verratti, por exemplo, quer ganhar mais e está no seu direito de se sentir valorizado. O meio-campista, porém, quer ver seu salário multiplicado por três, ou até quatro vezes. O italiano ganha ‘apenas’ € 850 mil por ano, uma migalha se comparado aos vencimentos recebidos por Ibra.

O PSG se vê em uma encruzilhada, pois o Napoli já manifestou interesse em contratar Verratti. Ou seja, mais um argumento para o jogador juntar às exigências por um salário bem maior para continuar no Parc des Princes. Se não atender aos desejos dele, os parisienses correm risco de perder um de seus titulares; se aceita a proposta, abre mais precedentes para que todos do seu elenco também peçam aumentos muitas vezes fora da realidade.

O QSI tem grana até dizer chega, mas seus mandatários ainda não estão loucos ao ponto de queimar notas de cem. As saídas de Leonardo e Carlo Ancelotti parecem ter inflamado os jogadores a esta ‘catarse salarial’, perigosa caso o time comece a tropeçar e as decepções venham.  A questão também amplia o abismo criado entre PSG e Monaco, nadando na caixa-forte do Tio Patinhas, em relação aos reles mortais que disputam a Ligue 1.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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