O maior rival

Contra o Paris Saint-Germain, o Lille obteve sua sétima vitória consecutiva na Ligue 1. A vitória por 3 a 1 sobre o time da capital deixa no ar a possibilidade de uma luta ferrenha com o Bordeaux pelo título da temporada. O LOSC manteve seu ímpeto ofensivo, mesmo sem Gervinho, e segue como potencial candidato a atrapalhar os planos dos Marine et Blanc em sua caminhada rumo ao bicampeonato nacional.
A sede ofensiva do Lille continua, mesmo com Gervinho a serviço de Costa do Marfim na Copa Africana de Nações. Ninguém na França possui um ataque em tão grande forma. A criatividade do meio-campo, fornecida por Hazard, Obraniak e Cabaye compensa a ausência do atacante e mantém a força da linha de frente dos Dogues. A defesa do PSG, que ainda não tinha tomado três gols em uma mesma partida nesta temporada, sentiu na pele este vendaval.
Além da superioridade técnica demonstrada em campo, o clima excelente entre os jogadores prova o quanto o grupo está unido. A fórmula de apostar em nomes pouco conhecidos, mas com um espírito de entrega em prol do elenco, voltou a funcionar. A boa fase, com pitadas de gols em profusão, contribuem para que a confiança dos jogadores esteja em um alto nível – e controlada, para que esse ar não se transforme na soberba que tanto derruba equipes de seus saltos altos.
O clube está com os pés no chão, sem pensar em loucuras financeiras. Em 2013, o Lille espera abrir seu novo estádio, com capacidade para 50 mil torcedores. E para honrar a nova arena, nada melhor do que um time competitivo. De nada adiantaria uma casa brilhando se os moradores entram nela com os pés sujos. Por isso, o LOSC segue seus planos de analisar muito bem o mercado antes de querer se reforçar.
Por outro lado, os Dogues encaram algumas dificuldades, o que pode auxiliar o Bordeaux. O Lille foi o time francês que mais vezes atuou na primeira metade da temporada. Levando-se em consideração todos os campeonatos disputados, o LOSC entrou em campo 29 vezes. Como fruto de seu bom trabalho, o time está vivo em quatro torneios (além da Ligue 1, a equipe sobrevive na Copa da França, Copa da Liga e Liga Europa). Em janeiro e fevereiro, a maratona promete ser intensa.
Em dez dias, o Lille jogará quatro vezes. Isto, obviamente, tem um efeito negativo sobre os jogadores, pois favorece o surgimento de lesões e aumenta a chance de fadiga. Até o fim da Ligue 1, a equipe fará dez jogos fora de casa – um deles será nada menos contra o Bordeaux, em 20 de março. Em casa, o LOSC atuará apenas em oito partidas até a última rodada.
Por enquanto, está tudo lindo pelos lados do norte. Contudo, como a equipe reagirá quando sofrer o primeiro revés? Dependendo de como for, a derrota teria um efeito devastador e provocaria um efeito dominó. Além disso, existe sempre a possibilidade de a auto-estima dos jogadores se elevar a níveis acima do tolerável, com a falsa ideia de invencibilidade, mas por enquanto isto está sob controle.
Para completar, o Lille conta com um elenco em sua grande parte formado por atletas de menor experiência do que os do Bordeaux. Ou seja: na hora da verdadeira decisão, veremos se o LOSC manterá o mesmo nível ou sucumbirá diante da pressão. No momento, é melhor apreciarmos a equipe, dona do estilo de jogo mais agradável da França hoje.
Fim do casamento
Como já se anunciava há algumas semanas, Ilan e o Saint-Etienne se separaram definitivamente. O atacante brasileiro estava em uma situação insustentável no clube, e o caminho da rescisão de contrato era mesmo inevitável. Embora o brasileiro tenha deixado o ASSE de forma amigável, ficou uma certa mágoa, em boa parte causada pelos planos da equipe.
Há algumas semanas, Ilan deixou claro seu descontentamento com o projeto do Saint-Etienne para o futuro. O atacante o considerou modesto demais, de pouca ambição e com uma ausência de ousadia que lhe incomodava. Ficaria difícil permanecer em um clube cujo principal objetivo seria escapar do rebaixamento a cada temporada. Por isso, ele achou melhor romper seu vínculo, mesmo que ainda tivesse seis meses de contrato com os Verdes.
Na última temporada, Ilan teve um desempenho muito bom com a camisa do ASSE. O brasileiro marcou nove gols na Ligue 1, outros cinco na Copa Uefa e ajudou a equipe a se livrar da queda para a segunda divisão. No entanto, 2009/10 foi um pouco cruel com ele. O Saint-Etienne decidiu reforçar sua linha ofensiva; foi quando o atacante percebeu que seu espaço no clube se reduziria.
Os Verdes trouxeram Gonzalo Bergessio e Boubacar Sanogo, que logo garantiram um lugar na equipe. Para piorar, Ilan se tornou a quarta opção para o setor, atrás até do jovem Emmanuel Rivière, de 19 anos. Sem prestígio, o atacante disputou apenas nove partidas como titular nesta edição da Ligue 1. Muito pouco para quem se acostumou tanto a balançar as redes dos rivais do Saint-Etienne.
Seus últimos dias no clube foram amargos. Ilan ficou no banco de reservas durante a partida da Copa da Liga Francesa contra o Olympique de Marselha. Em seguida, ele nem foi relacionado para enfrentar o Grenoble pela Ligue 1. Era um sinal claro de que o casamento com os Verdes estava por um fio.
Fora dos planos de Christophe Galtier, o atacante brasileiro agora procura alguém interessado em seus gols. Segundo especulações, Ilan teria despertado o interesse de alguns clubes espanhóis. Contudo, o mercado francês aparece como a principal possibilidade para seu futuro. Com um bom desempenho pelo Sochaux, pelo qual marcou 22 gols em duas temporadas, e pelos serviços prestados ao Saint-Etienne, ele ainda tem mercado para se destacar na Ligue 1.



