O líder de 40 anos
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O Rennes acabou com um jejum de 40 anos. Durante este período, os bretões ficaram longe da liderança do Campeonato Francês, mas a vitória por 3 a 1 sobre o Toulouse devolveu à equipe o gostinho de ocupar a ponta da tabela após tão longo período. A equipe já deixou claro que gosta de uma série, tanto para o bem como para o mal. Desta vez, o time encaixou uma excelente série de resultados para, enfim, ocupar o topo.
Na temporada passada, o Rennes estava com as mãos em uma das vagas para a Liga dos Campeões. No entanto, a sequência de oito partidas sem vencer quebrou qualquer chance de classificação da equipe para o torneio continental. Desta vez, porém, a história tem sido bem diferente. Neste início de Ligue 1, são oito jogos sem derrotas – cinco vitórias e três empates.
Frédéric Antonetti teve novamente papel decisivo para mais um triunfo do Rennes. O treinador decidiu mandar a campo praticamente a mesma equipe que derrotara o Nice por 2 a 1 na semana anterior. A única alteração foi a entrada de Kembo-Ekoko no lugar de Leroy entre os titulares. Em um campo molhado, o time sentiu dificuldades de criar ocasiões de perigo. Enquanto arriscava chutes de longa distância sem grande precisão, o Toulouse multiplicava suas ocasiões, mas errava demais na hora de concluir.
Pouco antes do intervalo, Danzé fez o gol que mudou o panorama da partida. Com a vantagem, o Rennes controlou os contra-ataques e Kembo-Ekoko abusou de sua velocidade. Faltava ainda o dedo de Antonetti. O técnico decidiu colocar Leroy em campo. Pouco depois, lá estava ele na origem do gol de Mangane. A receita se repetiu logo em seguida, quando Camara, outro reserva, sofreu pênalti convertido por Marveaux.
Além de contar com um elenco equilibrado, o Rennes confia na visão de jogo de Antonetti, capaz de modificar os rumos de um jogo com suas alterações bem pensadas (pelo menos até o momento). A boa fase vivida pelos bretões, porém, deixar no ar a dúvida: a equipe encontrará a regularidade que lhe faltou nos momentos decisivos das temporadas anteriores, quando mais precisava? Se mantiver o ritmo, o Rennes vem com força total para brigar pelo título. Do contrário, continuará como o time do quase.
De mal a pior
Os torcedores do Lens se preparam para o pior. Parece uma visão catastrofista, já que estamos apenas no início da temporada, mas os Sang et Or dão motivos de sobra para despertar tamanho medo. A derrota por 3 a 0 para o Sochaux serviu para alimentar a fogueira que já ardia pelos ares do norte francês. O time só não está na lanterna porque o Arles-Avignon faz uma campanha digna de entrar para a história como a pior do campeonato. Não fosse por isso, o clube estaria chafurdado na lama.
Em suas últimas seis partidas, o Lens sofreu nada menos do que cinco derrotas. Na semana anterior, a equipe deu mais um vexame diante de sua torcida ao perder por 2 a 0 para o Paris Saint-Germain – a terceira derrota em quatro partidas em casa. O novo revés para o Sochaux deixou bem claro como andam as coisas do lado dos Sang et Or. A tênue linha entre o desespero e a razão está quase imperceptível.
Um episódio traduz muito bem este ambiente carregado. Nenad Kovacevic e Yohan Démont protagonizaram uma cena lamentável quando trocaram sopapos em pleno gramado. Se as desgastadas relações entre os jogadores se deterioram a tal ponto e de forma tão prematura, algo de muito podre acontece nos vestiários. No mesmo jogo, outros caso de indisciplina chamou a atenção.
Logo após ser substituído, Chelle deveria cumprimentar o treinador e seus companheiros de equipe, como manda o figurino e as regras do bom senso. No entanto, ele preferiu rumar direto para o vestiário, sem trocar uma palavra com quem encontrou pelo caminho. Um chilique inexplicável para quem pouco havia feito em campo. Com tantos problemas no time, não era de se esperar que a torcida acompanhasse tudo comendo amendoim e sem qualquer reação.
Nas arquibancadas, os ânimos exaltados forçaram a polícia local a usar sua popular gentileza para conduzir a torcida do Lens para seus ônibus. Com este ambiente pouco amistoso, não há time que resista. Contra o Sochaux, os Sang et Or até não foram tão mal assim, como se pode sugerir pelos números: o time teve 46% da posse de bola e finalizaram cinco vezes na direção do gol). Contudo, em campo, a equipe fraqueja.
A falta de confiança dos jogadores na hora de definir as jogadas está estampada para quem quiser ver. Dificilmente alguém assume a responsabilidade de arriscar; predominam os passes de lado, como se nele se transferisse todos os encargos de levar o Lens nas costas. A esterilidade ofensiva se reflete na defesa, insegura no combate aos adversários e um convite para os atacantes se esbaldarem.
Para evitar um segundo rebaixamento em três temporadas, o Lens nem pode esperar muito da janela de transferências de janeiro. O clube está com o caixa vazio e, com isso, a possibilidade de melhorar o elenco parece quase nula. Gervais Martel, Jacques Santini e Jean-Guy Wallemme terão trabalho extra como psicólogos para acabar com as rixas dentro do elenco, incutir nos jogadores o espírito de reviravolta e criar um mínimo de organização em campo para amenizar os defeitos da equipe.