Não é tão feio como se pinta
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O sorteio dos grupos das eliminatórias europeias para a Copa do Mundo causou certa preocupação entre os franceses. Afinal, nenhum torcedor dos Bleus gostou de ver que a seleção terá a Espanha como sua principal adversária. No entanto, também não dá para se desesperar e achar de antemão que a equipe comandada por Laurent Blanc acompanhará o Mundial-2014 pela televisão.
Se Ronaldo teve aquele misterioso problema antes da decisão da Copa-1998, sua vingança veio no sorteio. Claro, o fato de a França não ser cabeça-de-chave sugeria um risco bem maior de os Bleus pegarem um peso-pesado pela frente. Só que a possibilidade de ter uma Noruega, que também estava no pote 1, como rival sem dúvida seria bem mais interessante.
Há o temor, sim, de que a França volte a sofrer para se classificar para uma Copa. Todos se lembram da forma como os franceses garantiram presença na África do Sul, com a polêmica mão de Henry contra a Irlanda. Seria tolice achar que os Bleus são favoritos para a primeira colocação de seu grupo, que lhe daria a vaga direta para o Mundial. Só que também não dá para pintar o cenário como um inferno, no qual a França ficaria atrás até mesmo da Bielorrússia – embora Blanc não guarde boas lembranças deles.
Finlândia, Geórgia e Bielorrússia não devem colocar grandes problemas para espanhóis e franceses, mas devem dar trabalho. Blanc, porém, segue uma linha de trabalho bastante sólida e constrói uma base firme para varrer os últimos resquícios da trágica era Domenech. Aos poucos, os Bleus ganham uma cara nova, com uma renovação de qualidade promovida por um técnico de verdade, sem as maluquices de seu antecessor.
A França mostrou grande potencial para evoluir. Contra seleções de renome, como nos amistosos contra Inglaterra e Brasil, os Bleus exibiram um futebol convincente, digno de uma seleção que impõe respeito frente aos grandes. O desempenho em seus últimos jogos, contra Ucrânia e Polônia, também deixa boa impressão quanto ao bom trabalho feito por Blanc – basta relembrar a descoberta de Marvin Martin, candidato natural a ocupar o posto de cérebro da equipe.
Com a margem de evolução que Blanc já mostrou ter em mente, a França não deve ser encarada como a coitadinha das eliminatórias europeias. A Espanha segue como favorita para ser a primeira colocada do grupo (por motivos óbvios), mas o cenário para os Bleus também não é tão horrível assim.
Les Galactiques
O Paris Saint-Germain dá passos firmes para montar um esquadrão para a disputa desta temporada. A contagem regressiva para o acerto com Javier Pastore por algo em torno de € 43 milhões se tornou o maior golpe deste mercado de transferências na França. Afinal, não é todo dia que um clube do país pode bater no peito e se orgulhar de ter atravessado ninguém menos do que o Chelsea, outro interessado no meia argentino.
Com a chegada de Pastore, desenha-se um PSG muito forte para a Ligue 1. Cabe lembrar que Leonardo estava disposto a torrar dinheiro para contratar um meia de qualidade, capaz de reger uma equipe que necessitava de um cérebro. Paulo Henrique Ganso chegou a ser cogitado, mas o argentino tem habilidade suficiente para ser esse jogador.
A contratação de Pastore apenas reforça o papel de Leonardo nesta montagem do novo PSG. O brasileiro aproveitou seus conhecimentos do futebol italiano para garimpar bons nomes para o clube da capital. Cabe lembrar que, além do argentino, o goleiro Salvatore Sirigu (Palermo e seleção italiana) e Jérémy Ménez (Roma) foram outros nomes que preferiram deixar a Série A e apostar na Ligue 1.
O Paris Saint-Germain já gastou € 83,5 milhões para reforçar seu elenco para 2011/12. Como já foi dito aqui anteriormente, o clube até agora segue uma política correta de contratações. Pode-se questionar se Pastore realmente vale tanto, mas a acirrada concorrência pelo argentino justifica uma oferta tão elevada.
Como em todo grande investimento, o PSG precisa ter um bom retorno para compensar tantos gastos. Ou seja: o clube terá a obrigação de, no mínimo, assegurar sua presença na próxima edição da Liga dos Campeões – que injetará milhões de euros nos cofres do clube. Qualquer coisa fora desta meta será uma tremenda decepção e um enorme prejuízo.
O lado ruim desta história fica por conta da pressão em cima do elenco e de Antoine Kombouaré por bons resultados logo de cara. Para o treinador, trata-se de uma péssima carga. Ele, que já foi questionado e não conta com tanta simpatia assim, seria o primeiro a sofrer as consequências de um início de trabalho com alguns tropeços. O PSG precisa mostrar que, além de estar com os bolsos cheios, também tem pulso firme para suportar possíveis momentos conturbados para não comprometer seus planos.