Lyon promete agir contra autor de bandeiras sexistas em seu estádio, mas pode ir além

Poucos clubes no mundo investem tanto em futebol feminino quanto o Lyon. Atuais vencedoras da Liga dos Campeões e donas de três títulos continentais, as mulheres possuem uma hegemonia notável no Campeonato Francês, com 14 taças da liga, incluindo as últimas 10. Além disso, a representatividade do elenco no cenário internacional é imensa, com 15 atletas disputando os Jogos Olímpicos em 2016. Das 10 jogadoras nomeadas ao prêmio de melhor do mundo da Fifa em 2016, quatro atuam pela equipe francesa. E, em janeiro, a diretoria anunciou a contratação de Alex Morgan, uma das protagonistas da seleção americana e, além de “midiática”, também uma futebolista com posicionamentos contundentes além dos gramados.
Diante de tamanha valorização às mulheres no futebol, soa totalmente paradoxal o que aconteceu neste final de semana, no Parc Olympique Lyonnais, durante rodada da Ligue 1. Dois bandeirões foram exibidos na torcida do Lyon, durante a derrota por 2 a 1 para o Lille. Um deles apontava que o lugar dos homens é no estádio. O outro, dizia que as mulheres deveriam ir para a cozinha. Mensagem sexista e preconceituosa que repercutiu negativamente, inclusive entre as atletas do time feminino.
Capitã do Lyon e da seleção francesa, Wendie Renard pediu publicamente um posicionamento dos torcedores. Neste domingo, ela foi respondida por Jean-Michel Aulas, presidente dos Gones. “O clube agirá e prestará queixa contra o autor desta bandeira. Ela foi retirada e, felizmente, o autor foi identificado”, afirmou, tentando apontar também que este é um ato isolado, evitando generalizações. No entanto, o mandatário acabou questionado por outros torcedores sobre a manutenção de Bernard Lacombe na gestão do clube. Em 2013, o ex-jogador da seleção francesa e atual dirigente do OL fez declarações sexistas no mesmo tom.
Esta não foi a primeira vez que as faixas foram exibidas nas arquibancadas do Lyon. A diferença é que, em outras ocasiões, não recebeu tamanha atenção da transmissão de TV, o que gerou a repercussão além do estádio. Resta saber qual a postura do clube para discutir a questão, acima da mera promessa de punição. Maneiras não faltam, com tantas jogadoras relevantes para representar também a ocupação das mulheres nas arquibancadas.
Supporters lyonnais… Pouvez-vous me donner des explications sur cette banderole : les hommes au stade, les femmes en cuisine ?? #égalité pic.twitter.com/eo8b43Ipvk
— Wendie renard (@WRenard) 28 de janeiro de 2017



