Ligue 1 2026/27

Tudo isso para nada: Ligue 1 absolve Neymar e Álvaro González diante de “falta de provas suficientes”

Depois de tanta polêmica e de uma intensa troca de acusações de racismo e homofobia, Neymar e Álvaro González acabaram absolvidos pelo comitê de disciplina da Liga de Futebol Profissional da França. A decisão foi anunciada na noite de quarta-feira (30).

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Em um comunicado oficial divulgado em seu site, a LFP explica que, após examinar o processo e ouvir jogadores, representantes dos clubes, PSG e Olympique de Marseille, concluiu que não havia provas suficientes para “estabelecer a materialidade dos comentários discriminatórios de Álvaro González contra Neymar durante o jogo e nem de Neymar contra Álvaro González”.

Durante o clássico entre PSG e Marseille em 13 de setembro, Neymar foi um dos cinco jogadores expulsos após ter dado um “cascudo” em Álvaro em meio a uma confusão entre atletas das duas equipes. Saindo de campo, Neymar repetiu a acusação que havia feito ao longo do jogo, começando ainda no primeiro tempo: o zagueiro espanhol teria feito comentários racistas.

A pedido da TV Globo, especialistas em leitura labial confirmaram a versão do brasileiro de que Álvaro teria dito “mono” (“macaco” em espanhol). Em uma tentativa de não ir sozinho ao buraco, o Marseille passou a acusar Neymar de ter feito insultos homofóbicos a Álvaro, e imagens mostradas pela emissora espanhola Gol, com ajuda também de especialistas em leitura labial, apontavam o brasileiro gritando “puto maricón” ao defensor do OM.

PSG e Marseille, cada um levaram essas imagens ao julgamento, e a suposta ofensa de Neymar a Hiroki Sakai, chamando o japonês de “chinês de merda”, não foi incluída na análise da LFP. Por fim, o presidente da comissão de disciplina da liga, Sébastien Deneux, explicou ao L’Équipe nesta quinta-feira (1) que todos os materiais apresentados na examinação das imagens e áudios não puderam estabelecer com clareza os insultos de ambos os lados.

“Fizemos duas observações. A primeira é que nenhum relatório oficial, árbitro ou delegado foi capaz de estabelecer os elementos relacionados a esses comentários ou insultos discriminatórios. A segunda conclusão, que emerge tanto do trabalho realizado pelo instrutor como das audiências realizadas, é que as declarações feitas por Neymar e Álvaro são contrárias em quase todos os aspectos e que nenhuma delas estabeleceu clara, distinta e precisamente a natureza dos comentários trocados. No relatório de investigação, mais uma vez, infelizmente constatamos que as conclusões do perito (em leitura labial) foram demasiado aleatórias e não constituíram um elemento suficientemente tangível para permitir a imposição de sanções. A confiabilidade dos relatórios dos especialistas em leitura labial é de 30%. Havia, portanto, alguma dúvida. E esta dúvida, sendo um princípio jurídico bastante elementar, deveria beneficiar os jogadores. O comitê decidiu, portanto, não sancioná-los”, contou Deneux.

Neymar e Álvaro estavam sendo julgados por supostos comentários discriminatórios e corriam o risco de levarem uma punição de até dez jogos de suspensão. Com a decisão desta quarta, e com Neymar já tendo cumprido os dois jogos que recebera pela agressão física a Álvaro, ambos estão liberados para as próximas rodadas da Ligue 1.

A decisão da LFP atrai críticas à instituição, acusada por vezes de ser conivente com casos de discriminação, e a própria punição máxima potencial, de apenas dez partidas, foi alvo de críticas por parte de alguns torcedores e pessoas da crônica francesa, apontando que Gelson Martins, do Monaco, foi suspenso por seis meses por empurrar um árbitro, o que indicaria o peso que a liga dá a casos de racismo e outros tipos de discriminação.

Ciente deste cenário, Deneux, presidente do comitê de disciplina, afirmou: “Nossas decisões são quase sempre comentadas. Suponho que esta também será. Mas eu pessoalmente não tenho medo de nada. Fizemos nosso trabalho. É muito melhor ter tentado estabelecer a verdade. É muito mais responsável fazer o que fizemos, mesmo que isso signifique chegar a esta decisão, do que simplesmente ter encerrado o caso há duas semanas”.

Foto de Leo Escudeiro

Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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