Thiago Silva e Leonardo têm uma relação que já vem de longa data, mas isso não impede que, mais de dez anos depois de terem trabalhado juntos pela primeira vez, um ruído significativo surja entre os dois. Em entrevista à France Football desta semana, o zagueiro, que deixou o Paris Saint-Germain ao fim do seu contrato para acertar com o Chelsea, criticou a condução de sua situação contratual por parte de Leonardo, diretor do PSG. Para o defensor, o dirigente foi desajeitado e apressado em suas decisões.

Alguém apostaria — e falando em apostas, aqui tem um código de bônus bet365 — que a saída seria tumultuada assim? Thiago Silva reconheceu que a situação toda o irritou. Conforme já havia dito em entrevistas anteriores, e como tinha ficado claro em junho por parte de declarações públicas do próprio Leonardo, o zagueiro recebeu inicialmente apenas uma proposta de extensão de contrato de dois meses, de forma a cobrir a reta final da Champions League, atrasada devido à paralisação por causa do Coronavírus.

“É uma situação que me irritou. Eu realmente não gostei da maneira como isso foi conduzido. Mesmo que tenha tido o confinamento, as coisas deveriam ter sido feitas de maneira diferente. Eu estava no Brasil, em quarentena, quando o Leonardo me ligou para me dizer que, devido à pandemia e às dificuldades… Não, primeiro ele me perguntou se eu aceitava continuar por mais dois meses para jogar um possível Final 8 (da Champions League, em Lisboa). Eu lhe disse que sim. Mas ele me disse que o clube não iria além desses dois meses. Seriam dois meses e nada mais. Isso deveria ter sido feito de outra forma”, queixou-se Silva à France Football.

Como também se tornou , após um excelente desempenho individual nas fases derradeiras da Liga dos Campeões, em que o PSG alcançou uma inédita final, Thiago Silva foi abordado por Leonardo para mais uma renovação. O zagueiro demonstrou chateação com a situação, apontando que o que tinha feito ao longo de oito anos no clube deveria ter sido suficiente para que o Paris desejasse sua permanência, o que acabou acontecendo apenas após as três partidas do Final 8 da Champions League – quartas de final, semifinal e final.

“Em toda minha carreira no PSG, eu dei o máximo, eu nunca trapaceei. É como se três jogos no Final 8 tivessem mudado tudo? E tudo o que eu havia feito nesses oito anos não contava mais? Isso não faz sentido. O Leo fez isso de forma desajeitada e apressada”, apontou.

Quem viveu situação parecida com a de Thiago Silva foi Edinson Cavani. Diferentemente do brasileiro, o atacante sequer teve seu vínculo estendido por dois meses para o restante da Champions League. O zagueiro jogou holofote sobre a postura do clube também neste caso, advertindo os dirigentes para situações futuras semelhantes.

“Não foi apenas comigo, aliás. Penso também no Cavani, que é o maior artilheiro da história do PSG. Estou dizendo isso para que o clube possa progredir e não cometer esse tipo de no futuro.”

É no mínimo curioso constatar este ruído entre Thiago Silva e Leonardo a essa altura, considerando o histórico entre os dois. O zagueiro chegou ao Milan quando o dirigente era diretor do clube italiano. Em Milão, Thiago Silva foi até mesmo treinado por Leonardo, que assumiu o cargo de técnico em 2009 após saída de Carlo Ancelotti e esteve no comando da equipe durante uma temporada. Mais tarde, em 2012, já como diretor do PSG, em sua primeira passagem pelo cargo, Leonardo foi um dos principais responsáveis por levar o zagueiro, assim como Zlatan Ibrahimovic, a Paris.

Na entrevista à France Football, Thiago Silva lamentou não ter tido a chance de se despedir dos torcedores do PSG, devido à situação excepcional causada pelo Coronavírus. Ele lembra que, por causa das circunstâncias, viveu algo parecido no Milan.

“É triste não ter conseguido cumprimentar os torcedores. O pior é que foi parecido no Milan. Naquela época, Pirlo, Nesta e Gattuso jogaram seu último e foram celebrados pelo San Siro. Eu estive lá, mas não sabia que estava jogando meu último jogo também. No fim, disputei os Jogos Olímpicos de Londres e me juntei ao PSG sem dizer adeus. É terrível não ter conseguido sentir o carinho dos torcedores do PSG uma última vez, isso me dói. Vou continuar a torcer por este clube, que ficará para sempre na minha vida. Depois, por que não voltar dentro de alguns anos para disputar um último jogo? Poderíamos organizar uma partida amistosa entre Fluminense e PSG, não?”, sugeriu.

De qualquer forma, o PSG é, por ora, apenas passado na história de Thiago Silva. O novo, e possivelmente último capítulo de sua carreira como jogador, já começou, e o zagueiro ficou bastante contente com o interesse que despertou em outros clubes para o novo episódio de sua trajetória. Entre eles, o do diretor de futebol .

“Foi só depois da final (da Champions League, contra o Bayern, em 23 de agosto) que meu agente (Paulo Tonietto) me contou sobre os clubes interessados e que Juninho sonhava em me levar (para o Lyon). Fico muito orgulhoso de saber que ele pensou em mim, que ele me queria em um papel de liderança. Isso prova que meu trabalho no PSG foi reconhecido. Acho que também mostrei no Final 8 que ainda posso ter um desempenho muito bom.”

Considerando as circunstâncias, incluindo sua idade já avançada, de 36 anos, Thiago Silva acabou se dando bem com a transferência ao Chelsea, com quem assinou por uma temporada, com opção de extensão por mais um ano.

“A verdade é que, quando soube que tinha acabado com o PSG, sempre esperei por algo grande. No início, tinha o medo de que minha idade fosse um obstáculo e que os dirigentes tivessem preconceitos negativos. É muito difícil se recuperar quando se tem mais de 33 ou 34 anos. Mas eu queria acreditar nisso, rezei para que Deus encontrasse um projeto que correspondesse às minhas ambições. Ele me ouviu, porque o Chelsea é o que tem de melhor na Inglaterra”, agradeceu.