Ligue 1

Sem espaço no Chelsea, Emerson Palmieri chega por empréstimo como principal reforço do Lyon na janela

O lateral esquerdo ficou em evidência durante a Eurocopa e poderá apresentar seu valor na Ligue 1

Emerson Palmieri terminou a Euro 2020 em evidência, ao ocupar a posição do lesionado Leonardo Spinazzola e dar sua contribuição no título da Itália. E o defensor também busca novos ares em sua carreira de clubes, após permanecer os últimos anos com o Chelsea, mas se tornar apenas uma opção dentro do elenco. Aos 27 anos, o santista vai para um clube de menor projeção, mas onde certamente ganhará mais espaço entre os titulares e poderá se valorizar. O Lyon acertou o empréstimo por uma temporada do italiano, em negócio que custou €500 mil aos cofres franceses e dará prioridade de compra em 2022.

A trajetória de Emerson Palmieri foge um pouco do comum. Nome frequente nas seleções de base, o lateral nunca teve muito espaço na equipe principal do Santos. Assim, optou por começar num nível de exigência menor na Europa e se transferiu para o Palermo. Mesmo sem aparecer tanto com os rosaneri, o defensor descolou pouco depois um contrato com a Roma e despontaria na capital. Depois de uma temporada em que ainda buscava seu espaço, o jovem seria um dos destaques romanistas em 2016/17. Foi o que abriu as portas no Chelsea, em janeiro de 2018.

Emerson retornava de uma ruptura de ligamentos e, mesmo assim, o clube inglês desembolsou €20 milhões na transferência. O italiano, entretanto, não trabalhou por tanto tempo sob as ordens de Antonio Conte – num estilo de jogo no qual parecia se encaixar melhor. Conviveu com outros problemas físicos após a chegada de Maurizio Sarri, embora tenha aparecido com um pouco mais de regularidade. Já nas duas últimas temporadas, Emerson seria pouco utilizado por Frank Lampard e Thomas Tuchel, com um pouco mais de chances nas copas. Era a terceira opção na ala esquerda, com a contratação de Ben Chilwell e a recuperação de Marcos Alonso. Natural que procurasse novos rumos.

A seleção italiana seria importante para manter o nome de Emerson Palmieri em alta. Mesmo sem emplacar no Chelsea, o lateral foi constante nas convocações de Roberto Mancini desde 2018 e inclusive ocupou a posição de titular em parte do ciclo. O destaque a Spinazzola na Euro 2020 foi incontestável, mas a confiança transmitida pelo treinador também seria importante para Emerson assumir a responsabilidade diante da saída do titular. E mesmo que não tenha conseguido imprimir o ritmo de Spinazzola, o substituto não comprometeu tanto, por mais que o time tenha sentido a troca. Acabou se eternizando como campeão europeu.

O empréstimo para o Lyon coloca Emerson em outra realidade. Não disputará mais a Champions League e entrará numa liga nacional bem menos competitiva. Em compensação, chega como o principal reforço dos Gones para a nova temporada e deve se encaixar bem na mentalidade ofensiva proposta por Peter Bosz. O começo do clube na Ligue 1 é ruim, com apenas um ponto conquistado. O elenco lida com a saída de Memphis Depay, enquanto a diretoria só tinha trazido reforços sem custos. Mas há também talento suficiente para acreditar que a equipe seguirá brigando pelas copas europeias.

Durante as duas primeiras rodadas da Ligue 1, Peter Bosz tinha usado Léo Dubois e Maxwel Cornet na lateral esquerda. Com a chegada de Emerson, o marfinense deverá ser mais aproveitado na ponta. Além disso, há a presença do ex-vascaíno Henrique, uma das contratações da atual janela. Emerson não deverá ter problemas de adaptação, considerando que outros cinco jogadores brasileiros compõem o elenco – com destaque a Thiago Mendes, Lucas Paquetá e Bruno Guimarães no meio-campo.

É ver como Emerson Palmieri aproveitará esse período na Ligue 1. Durante os últimos meses, o lateral chegou a ser especulado em clubes como Juventus e Internazionale, mas as negociações não se concretizaram. Espaço certamente ele terá na França para emendar uma sequência de jogos e provar suas virtudes. Quem sabe, para retornar a um centro maior em breve. Aos 27 anos, segue com tempo para o alto nível. E a frequência em campo também será importante dentro de suas próprias perspectivas de disputar a Copa de 2022 pela Itália.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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