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Quando o PSG reverteu uma derrota por 3 a 1 no Bernabéu e eliminou o Real Madrid

Se o Paris Saint-Germain procura uma motivação para reverter o confronto com o Real Madrid, deve olhar ao seu passado. Antes do tropeço desta quarta, apenas uma vez os parisienses haviam perdido, fora de casa, o jogo de ida de uma eliminatória europeia por 3 a 1. Curiosamente, também no Santiago Bernabéu. Em tempos bastante distintos aos dois clubes, eles se enfrentaram nas quartas de final da Copa da Uefa 1992/93. E os merengues pareciam com um pé na etapa seguinte, ao garantirem a vitória folgada por 3 a 1. No entanto, a história foi outra no reencontro dentro do Parc des Princes. O PSG conseguiu justamente o que precisará no início de março: a goleada por 4 a 1, suficiente para a classificação.

Treinado por Benito Floro, o Real Madrid vivia um momento de coadjuvantismo no futebol espanhol. La Liga era dominada pelo Barcelona de Johan Cruyff e, em tempos nos quais apenas um representante por país seguia à Champions, os merengues precisavam se contentar com as competições continentais secundárias. O elenco atravessava uma transição, ainda com remanescentes da famosa Quinta del Buitre – o próprio Emilio Butragueño vestia a braçadeira, acompanhado por Paco Buyo, Manuel Sanchís e Míchel. Enquanto isso, jogadores mais jovens como Fernando Hierro, Iván Zamorano e Luis Enrique buscavam a afirmação. Entre outros medalhões do elenco, estava também o zagueiro Ricardo Rocha, contratado junto ao São Paulo na temporada anterior.

O Paris Saint-Germain, por sua vez, não via o petróleo jorrar de suas infindáveis fontes catarianas, mas atravessava um momento abastado. Comprados pelo Canal+ em 1991, os parisienses montavam aquele que seria o primeiro time de impacto continental em sua história. Nas fases anteriores, a equipe de Artur Jorge já havia conquistado triunfos valorosos sobre Napoli e Anderlecht. Despontavam alguns ídolos eternos da torcida, como os franceses Bernard Lama, Paul Le Guen, Alain Roche e Vincent Guérin. Ricardo Gomes comandava a linha defensiva. Já na frente, um trio que impunha bastante respeito: George Weah, David Ginola e Valdo. Se não tinham a badalação do MCN, ao menos cumpriram a sua missão, com o brasileiro honrando a camisa 10 às costas.

A ida, no Bernabéu, esteve nas mãos do Real Madrid. Os merengues abriram dois gols de vantagem logo no primeiro tempo. Butragueño marcou o primeiro após cobrança de escanteio e fez grande jogada para Zamorano anotar o segundo. Na etapa complementar, o PSG descontou com David Ginola desviando de cabeça e até esboçou o empate. No entanto, um pênalti nos minutos finais permitiu que Míchel fechasse a conta. Tal qual a temporada atual, o triunfo por 3 a 1 soava como um ótimo negócio aos madridistas.

Porém, o cenário se transformou no Parc des Princes. George Weah anotou o primeiro gol ainda no primeiro tempo, em mais uma cabeçada fatal no primeiro poste, aproveitando escanteio cobrado por Valdo. Já o segundo tento viria apenas aos 35 da etapa complementar, em chute violentíssimo de Ginola, de fora da área. Naquele momento, a classificação era do PSG, que nem por isso diminui o ritmo. Tanto que assinalou o terceiro gol aos 42, graças a Valdo, gastando a bola naquela noite. O camisa 10 puxou contra-ataque, deu um drible seco em Ricardo Rocha e tirou do alcance de Buyo.

Paris é uma festa? Não quando há um Real Madrid do outro lado. E os merengues ressuscitaram no quarto minuto dos acréscimos. Após bola levantada na área, Zamorano se esticou todo para dar sobrevida à sua equipe. Com os 3 a 1 invertidos no placar, o confronto seguia à prorrogação. O que nunca aconteceu, graças Antoine Kombouaré. O zagueiro sequer tinha sido titular no Bernabéu, mas entrou em campo no Parc des Princes por conta da suspensão de Alain Roche. Aos 51 do segundo tempo, virou o herói da torcida parisiense. Valdo cobrou falta em direção à área e o camisa 5 subiu livre, decretando a vitória por 4 a 1. Em 2011, coincidentemente, Kombouaré se tornaria o primeiro técnico demitido pelos catarianos no PSG, substituído por Carlo Ancelotti.

Aquele épico significava demais ao Paris Saint-Germain, e não apenas por eliminarem o poderoso Real Madrid. Também era a primeira vez que o clube chegava entre os quatro melhores de uma competição continental. O sonho, todavia, não durou tanto. Roberto Baggio apareceu pelo caminho nas semifinais e anotou três gols para a Juventus, que acabaria com a taça. O PSG, de qualquer forma, se manteve na elite europeia durante o período. Seriam mais quatro semifinais nas quatro temporadas seguintes, uma delas na Champions. Além disso, os parisienses foram campeões da Recopa em 1996 e vices em 1997. Em termos de sucesso continental, aquele continua sendo o melhor time que já se viu na capital francesa.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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