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A informação já rodava pela imprensa internacional há alguns dias e agora acaba de ser oficializada pelo PSG: Thomas Tuchel não é mais o técnico da equipe parisiense. A seis meses do fim de seu contrato, o alemão viu o vínculo ser encerrado antecipadamente depois de uma relação conturbada com a direção, com o elenco e diante da falta de evolução técnica e tática do time ao longo de seu trabalho.

O PSG demorou para anunciar oficialmente sua decisão porque ainda buscava um acordo financeiro com o técnico, o que foi feito há dois dias; segundo o L’Équipe, o clube pagará a Tuchel entre € 7 milhões e € 8 milhões de indenização.

Não há, em si, um motivo só específico para a demissão do alemão, mas, sim, um conjunto de fatores que convergiram para a decisão anunciada nesta terça-feira (29). Há muito tempo, Tuchel não tinha uma relação muito boa com o diretor de futebol Leonardo, e os jogadores já vinham questionando algumas escolhas táticas e alguns dos processos de trabalho do treinador.

O ponto de ruptura completa com o elenco, por fim, aconteceu na fatídica noite do caso de racismo por parte do quarto árbitro contra Pierre Webó, membro da comissão técnica do Istambul Basaksehir, em confronto entre parisienses e turcos pela Champions League.

Na ocasião, diante da fala racista do quarto árbitro romeno Sebastien Coltescu contra Webó, os jogadores do PSG se solidarizaram com o adversário e decidiram não voltar a campo em protesto ao ocorrido. Tuchel, por sua vez, queria que os jogadores continuassem em campo, e a imprensa francesa, mais notavelmente o jornalista Romain Molina, afirma que este foi o momento em que a relação entre treinador e elenco atingiu um ponto de não-retorno.

Tuchel já vinha tendo problemas com o elenco, que questionava suas escolhas táticas, como a utilização do 3-5-2 em algumas partidas, ou o fato de que quando escalava Bakker e Kurzawa nas laterais ele liberava mais Bakker para atacar, quando Kurzawa era o mais apto ofensivamente. A falta de planos claros de jogo e de repertório da equipe, muito dependente do talento individual de Neymar e Mbappé, também pesava na avaliação do treinador.

Nos bastidores, os jogadores queixavam-se também da falta de trabalhos táticos específicos e da falta de conselhos individuais aos atletas por parte de Tuchel. Por fim, havia também questionamentos sobre o trabalho físico da comissão técnica do alemão, com os meses recentes sendo marcados por inúmeras lesões no elenco parisiense.

O PSG já queria desfazer a parceria com Tuchel há algum tempo, mas o momento não era apropriado pois havia muitas partidas em sequência neste final de ano, e não havia ninguém para assumir o comando de forma interina. O momento agora era então oportuno, já que o PSG está em um período de pausa na temporada, com duas semanas sem futebol, voltando a campo apenas no dia 6, contra o Saint-Étienne, pela Ligue 1.

Por mais que sua situação tenha se tornado insustentável no comando da equipe, Thomas Tuchel ainda deixa o PSG com uma boa marca no currículo. Além de conquistar duas vezes a Ligue 1 e levantar as Copas da França e da Liga Francesa, foi o primeiro técnico a levar o clube a uma final de Champions League, perdida na temporada passada para o Bayern de Munique. Este último ponto, em um cenário comum, poderia ter comprado mais tempo ao treinador, mas acabou não carregando tanto peso na avaliação final da direção.

Tuchel entra agora para uma lista crescente de treinadores de renome que acabaram responsabilizados pela falta de direção do clube parisiense nos últimos anos, com nomes que incluem ainda Carlo Ancelotti, Laurent Blanc e Unai Emery. Cada vez fica mais claro que a solução para os problemas do PSG passa não apenas pela escolha do técnico, mas por sua organização interna e por uma chacoalhada no equilíbrio de forças entre treinador e elenco. A balança até hoje tem pesado mais a favor dos jogadores, tirando autoridade dos comandantes e minando, assim, seu trabalho.

Dos substitutos disponíveis, o PSG dificilmente poderia ter escolhido um melhor. A imprensa dá como certo o acordo com Mauricio Pochettino. O argentino foi jogador do Paris Saint-Germain por duas temporadas, entre 2001 e 2003, e brilhou como técnico recentemente em seu trabalho que fez o Tottenham saltar de patamar ao longo de cinco anos, entre 2014 e 2019, chegando a uma final de Liga dos Campeões.

Capacidade Pochettino tem para alçar o PSG à prateleira que o clube sonha, mas o treinador precisará encontrar no clube um organograma menos político, mais voltado para o futebol, e, sobretudo, autonomia para tomar suas decisões.